A evolução do pavimento flexível

O conceito da sustentabilidade ambiental vem incentivando as pesquisas que têm em vista a incorporação de novos insumos na produção do pavimento flexível utilizado nas rodovias brasileiras. Não teria sentido mesmo, em um país que possui uma malha rodoviária de 1.724.924 km, dos quais apenas 9,5% são pavimentados, não procurar desenvolver a aplicação de materiais alternativos para a melhoria do pavimento que está utilizando.

Com base nas pesquisas já desenvolvidas, os fabricantes de asfalto se aperceberam que poderão melhorar substancialmente o material empregado recorrendo a insumos que simultaneamente ajudam na preservação do meio ambiente. No bojo dessas preocupações, eles já usam os asfaltos modificados que passaram a se revelar boa opção para melhorar a capacidade estrutural da pavimentação.

Dentre os materiais pesquisados inclui-se a borracha dos pneus usados que é moída mediante o processo criogênico (temperaturas inferiores a – 120º C) e temperatura ambiente – este, aliás, é o mais utilizado sistema no País, conforme revelou a engenheira Liseane Padilha Thives da Luz Fontes, doutorada pela Universidade Federal de Santa Catarina, em artigo na revista O Empreiteiro. Fontes afirmam que o uso da mistura do asfalto com a borracha pode gerar uma economia de até 32% com relação à mistura convencional (ver na íntegra o trabalho na edição de Dezembro 2010/Janeiro 2011 da revista O Empreiteiro disponível no sitewww.revistaoempreiteiro.com.br).

O Brasil também vem utilizando o asfalto morno. Ele soma uma variedade de processos que produzem misturas asfálticas a temperaturas baixas no intervalo entre 90 e 140° C, empregando espuma em usinas de asfalto a quente, dentre eles aditivos minerais ou químicos. O kit produzido pela Terex Road Building pode ser instalado como retrofit nas usinas da marca – mais informações nowww.warmmixasphalt.com.

Outras pesquisas dão conta das possibilidades de uso do bagaço de cana, casca de arroz e outros elementos, como, por exemplo, os resíduos sólidos formados pelas areias residuais deixadas pela fundição de metais.

O campo é amplo e gradativamente a tecnologia dos materiais vem apresentando inovações que mostram novas possibilidades. Tudo isso, no entanto, precisa estar costurado com o avanço da engenharia rodoviária nas técnicas da macro e microdrenagem, a fim de que as águas pluviais não contribuam para a erosão do terreno sobre o qual é aplicado o pavimento.

Medidas preventivas de drenagem também precisam ser executadas nas áreas de encostas para que não produzam infiltrações sob a camada asfáltica e destruam a pavimentação. Outro pormenor que as pesquisas devem considerar é o fato de que, conquanto um pavimento não dure para sempre, precisa ter a vida útil mínima ao menos semelhante àquela dos pavimentos executados nas rodovias de outros países.

A propósito do assunto pavimento, a engenheira Patrícia Barboza da Silva elaborou, para a revista O Empreiteiro, o artigo que se segue.

O futuro do pavimento flexívelno Brasil nos próximos anos

Patrícia Barboza da Silva*

Acredito que a pavimentação asfáltica no Brasil estará voltada nos próximos anos à produção de pavimentos de maior durabilidade e ao emprego de tecnologias para um desenvolvimento sustentável, por meio do uso de materiais recicl&aac
ute;veis que não agridam o meio ambiente. As técnicas para o reaproveitamento de resíduos em pavimentação, como a borracha moída de pneu e os resíduos de construção de demolição (RCD), devem ser cada vez mais estudadas, o que possibilitará a adoção em escalas maiores e contribuirá para a sua destinação, com uma diminuição dos impactos ambientais.

A borracha de pneu moído é um tipo de material reciclável já utilizado em pavimentação. Seu uso mais comum é por meio de inserção em asfaltos, de modo a incrementar a recuperação elástica e, consequentemente, a flexibilidade das misturas asfálticas. O resultado é o aumento da resistência à fadiga e a diminuição da ocorrência de trincas e outras patologias relativas às solicitações repetidas do tráfego.

O reaproveitamento do agregado reciclado de resíduo de construção e demolição (RCD) é outra das tecnologias atualmente em pesquisa na área de materiais recicláveis para o uso em pavimentação. Ele é empregado como material em camadas de base e sub-base de pavimentos flexíveis, em vias com baixo volume de tráfego. Embora as primeiras utilizações no Brasil datem da década de 80, o emprego desse tipo de material na pavimentação está em estudos há aproximadamente 10 anos. Somente no início do ano de 2000 é que ocorreu um maior interesse para sua utilização, devido ao grande volume de resíduos sólidos de construção civil gerado, principalmente nas grandes cidades, onde a construção civil tem crescido muito nos últimos anos, e também pela publicação da Resolução do Conama n° 307, em 2002, que definiu diretrizes para a redução dos impactos ambientais provocados por esses materiais.

Ainda no âmbito dos pavimentos que empregam tecnologias ambientalmente sustentáveis, estão as chamadas “misturas asfálticas mornas”. Elas são modificadas por meio de aditivos (ou de processos) que podem alterar a sua composição de forma química, mecânica ou as duas, com o objetivo de diminuir as temperaturas de usinagem e compactação sem comprometer as características de desempenho. Essa tecnologia tem sido estudada desde o final da década de 90 na Europa e há aproximadamente sete anos no Brasil, com o objetivo principal de economizar energia na produção e reduzir a emissão de gases poluentes na atmosfera, contribuindo para melhores condições de trabalho tanto nas usinas de produção quanto nas obras para execução de pavimentos asfálticos.

Com a consolidação destas tecnologias, os pavimentos asfálticos poderão ser executados nos próximos anos com misturas asfálticas que utilizem materiais reciclados, o que irá ajudar na diminuição do volume de resíduo no meio ambiente.

Além disso, as misturas asfálticas poderão ser produzidas e aplicadas em temperaturas mais baixas, diminuindo a emanação de gases poluentes para a atmosfera.

*A engenheira Patrícia Barboza da Silva é mestre em Engenharia de Transportes e pesquisadora da seção Geotecnia, do Instituto de pesquisas Tecnológicas (IPT).

Fonte: Estadão

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