Biblioteca Nacional resgata fachada histórica

 

A fachada do prédio histórico e tombado da Biblioteca Nacional sofreu a sua maior reforma desde a sua inauguração em 1910. Constituída com um dos mais importantes acervos do mundo, a edificação é de arquitetura eclética, onde há mistura de vários estilos arquitetônicos, que marcou o início do século passado naquele quadrilátero da cidade do Rio de Janeiro.

A área total da fachada reformada tem 9.714 m², com o perímetro em torno de 290 m e altura média de 32 m. A restauração envolveu esquadrias de madeira (portal e janelas), argamassa da parede, ornamentos, escada frontal e cúpula. A obra foi executada pela Concrejato Engenharia, entre dezembro de 2016 e maio de 2018.

De acordo com o arquiteto da construtora, Alexandre Vidal, para execução dos trabalhos foi preciso mobilizar equipe especializada de marceneiros, para restauração de esquadrias, e restauradores para condução dos serviços de argamassa, incluindo ornamentos.

Foram 285 esquadrias restauradas. Partes danificadas da madeira foram reparadas e as diversas camadas de tinta sofreram decapagem. Algumas esquadrias tiveram que ser removidas de seu local para se fazer o trabalho.

A recuperação das esquadrias incluíram ainda descupinização e pintura com esmalte sintético. Testes de estanqueidade atestaram a qualidade dos serviços executados.

Na parede de argamassa precisou-se fazer um estudo para ver qual revestimento seria compatível, para identificar o traço e dosagem a ser aplicada. A opção pela pintura com pigmento mineral de base silicada, valorizando o prédio e ressaltando os ornamentos, foi a escolhida, permitindo a argamassa “respirar”.

O canteiro de obras contava com oficinas para restauração de ornatos de argamassa da fachada e das esquadrias.

Na reforma anteriormente feita na fachada da biblioteca, quando se empregou tinta plástica, a parede foi prejudicada com acúmulo de umidade. Assim, a construtora fez a remoção das partes da argamassa afetada, dos fungos e da vegetação, para restaurar as paredes externas da estrutura.

De acordo com Alexandre, a obra foi dividida em 21 panos (setores) progressivos para não prejudicar o funcionamento da biblioteca. Conduzindo as obras dessa forma, as intervenções internas no funcionamento da biblioteca pública seriam minimizadas.

O arquiteto conta que toda vez que se fazia o restauro de uma esquadria, o espaço na área interna dela (conectada à esquadria), chamada na obra de capela, era cercado com tapumes ou divisórias – o tamanho do espaço interno variava, dependendo da disponibilidade de área. Dessa forma, fazia-se a proteção ao acervo e às pessoas dentro da biblioteca. Do lado de fora, o trabalho progredia com uso de andaimes.

A Biblioteca Nacional possui cinco andares e vários mezaninos, sendo que o terceiro andar é composto por acervo raro e nos quarto e quinto andares outros acervos. Seção também importante são os laboratórios de microfilmagem, restauração, conservação e digitalização.

150 profissionais envolvidos na restauração 

DINÂMICA

Luiz Antonio Lopes de Souza, arquiteto da Fundação Biblioteca Nacional, conta que as esquadrias nunca tinham sofrido restauração, incluindo nas ferragens e suas diferentes formas de acionamento das janelas.

Os vidros também foram trocados e receberam películas de raio UV. Os vidros têm vários tipos de brasões, com o logotipo da Biblioteca Nacional. As esquadrias possuem tamanhos variados e podem medir até 4 m de altura – cuja originalidade foi mantida.

“A restauração mexeu com a dinâmica da biblioteca e atendimento do público. Tinhamos que proteger o acervo contra poeira e ainda manter o acesso a ele. E ainda havia a questão do barulho e o odor dos materiais com relação às pessoas que transitam na biblioteca”, conta. “A solução de se isolar as capelas foi fundamental”.

Ele conta que a comunicação com os funcionários foi permanente e até visitas guiadas com os trabalhadores foram feitas, para conscientizar a importância de se trabalhar em silêncio na biblioteca, com o menor impacto possível.

O arquiteto Bruno Sebollela, da gerenciadora da obra, a Uchino, ressalta também que o diálogo foi fundamental para execução dos trabalhos, já que o acervo é enorme.

Na fachada principal, de frente à praça da Cinelândia, três portas de bronze de acesso principal ao saguão foram incluídas na restauração. A cúpula quadrada de cobre no topo do prédio, de 16 m x 16 m, foi restaurada, envolvendo remoção da oxidação, rejuntamento e restauro de seus elementos.

No pico, no meio do ano passado, chegou-se a ter 150 pessoas trabalhando na restauração. O custo total da obra chegou a R$ 10,4 milhões.

Prédio conta com ornamentos em seu entorno

Ficha técnica – Reforma da fachada da Biblioteca Nacional (RJ)

Construtura: Concrejato Engenharia
Gerenciadora: Uchino

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