Com a taxa Selic em um dígito e indicadores positivos em alguns setores da economia, os analistas, em sua maioria, apontam que a economia descolou da política e sinaliza uma longa trajetória de recuperação, na medida em que a iniciativa privada sustenta os seus empreendimentos de olho no médio prazo — mas o governo federal continua cortando os seus investimentos este ano para se ajustar às metas fiscais; e os governos estaduais e
as prefeituras das principais cidades brasileiras sofrem da mesma forma com a queda de arrecadação. Enfim, a economia precisa melhorar para fazer decolar a retomada.
O jornal Valor publicou nos meses recentes uma série de entrevistas com empresários de distintos setores revelando uma opinião quase unânime de que a economia dá sinais objetivos de se descolar da política, valendo-se do instinto de sobrevivência que ela empresta dos empreendedores privados que movimentam suas engrenagens, atuando na indústria, comércio e serviços, para atender as necessidades da população, negócios, governo e
o mercado de exportações.
Há uma exaustão generalizada sobre as questões políticas e as investigações do Ministério Público e Polícia Federal, ao revelar ao longo dos meses as dimensões das práticas ilícitas — e ao que parece, ainda sem prazo para acabar. As figuras políticas que aí estão desde 1964 (ou antes) precisam sair de cena — porque não possuem mais crédito de espécie alguma. Uma renovação radical se faz urgente e somente novas personagens podem as-
pirar conquistar (se conseguir) o coração e a mente dos eleitores.