O caos fiscal provocado por uma década de gastos crescentes na área social pelo governo federal, sem a preocupação de fazer expandir a geração de receita via arrecadação — que somente seria possível se a taxa de investimentos públicos fosse mantida e se criasse empregos novos em volume sufi ciente, se somou à paralisação das obras e projetos da Petrobras provocada pelas investigações em tor-
no de supostos casos de corrupção nos contratos da estatal. A queda de arrecadação na economia atingiu da mesma forma os governos
estaduais e as prefeituras das principais cidades. Resultado: o faturamento dos quatro segmentos de engenharia representados pelo
Ranking da Engenharia Brasileira 2017 da revista O Empreiteiro teve queda sensível pelo terceiro ano consecutivo, recuando para o patamar de 12 anos atrás, ou seja, 2005, em valores atualizados.
As 190 maiores empresas, oriundos dos segmentos de Construção, Montagem Industrial, Projeto e Gerenciamento, e Serviços Especiais de Engenharia, somaram uma receita bruta conjunta de R$ 53,11 bilhões em 2016, recuando -33,58% com relação ao nível de faturamento do ano anterior.
As 100 maiores construtoras viram a receita bruta cair -37% para R$ 37,11 bilhões em 2016. As 20 maiores empresas de montagem
industrial faturaram R$ 5,66 bilhões, -18,3% em relação a 2015. As 40 principais empresas de projeto e gerenciamento tiveram queda de -34,7% no faturamento, para R$ 4,77 bilhões nesse ano. As 30 empresas de Serviços Especiais de Engenharia que lideram este segmento atingiram R$ 5,58 bilhões em faturamento em 2016, -4% se comparado ao exercício anterior.
46ª PESQUISA ANUAL ENVOLVEU 3 MIL EMPRESAS
O Ranking da Engenharia Brasileira 2017 é a 46ª edição da pesquisa anual exclusiva que a revista O Empreiteiro reali-za, mobilizando cerca de 3 mil empresas nos quatro segmentos de atividades, desde 1971. É o único estudo realizado no mercado de construção e infraestrutura com essas características — que serve para medir o nível de atividade no setor através do faturamento das próprias empresas de engenharia. Um número concreto, diferente das estimativas infladas de investimento nas três esferas da administração pública.
O Ranking da Engenharia Brasileira é considerado referência principal nos próximos 12 meses e serve para embasar todos os participantes do mercado de construção e infraestrutura, começando pelas próprias empresas de engenharia, os contratantes públicos nos três níveis de governo, as concessionárias privadas e públicas nos setores de transportes, energia, saneamento, imobiliário e telecomunicações, os empreendedores privados da indústria, comércio, logística e serviços, os fabricantes e distribuidores de máquinas
e materiais de construção, as prestadoras de serviços e afins, como softwares, instituições fi nanceiras e outras.

Cerca de 3 mil empresas que atuam em construção, projeto, montagem industrial e serviços especiais de engenharia recebem um questionário específico, cuja resposta é feita pelo website www.revistaoempreiteiro.com.br. A publicação também coleta dados através de balanços contábeis publicados na imprensa.
A série histórica que registra o faturamento desses quatro setores tem seus valores atualizados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), com referência de 30 de dezembro de 2016, ano em que acumulou 6,58%, segundo a Fundação Getúlio Vargas.
A série histórica se restringe aos números das 190 maiores empresas nos quatro segmentos citados — que representam as 333 firmas que participaram da pesquisa 2017, além das construtoras imobiliárias que integram a pesquisa Embraesp, publicada nesta edição.
Nesta pesquisa, as empresas de engenharia que cumprem contratos de administração de obras podem incluir o faturamento bruto equivalente à produção total realizada em 2016, desde que junte o parecer de um auditor independente – esses casos estão identificados no ranking.
As ausências de nomes conhecidos do mercado no Ranking da Engenharia Brasileira ocorrem por decisão própria das empresas ou
as informações foram enviadas fora do prazo, ou ainda não se localizou o balanço contábil de 2016 publicado.
O ranking 2017 pode ser baixado como App sob a denominação Ranking 500 na App Store para plataforma IOS e no Google Play Store; também está disponível no site www.revistaoempreiteiro.com.br. Empresas que quiserem se inscrever para a pesquisa do próximo ano poderão fazê-lo por email ranking500@revistaoempreiteiro.com.br
CONSTRUTORAS
As 100 maiores construtoras do Ranking 2017 somaram no ano passado uma receita bruta de R$ 37.117 milhões, -37% comparado ao ano anterior. As 10 maiores construtoras é um grupo renovado: 1ª – Queiroz Galvão, 2ª – MRV, 3ª – Andrade Gutierrez, 4ª – Camargo Corrêa, 5ª – Direcional, 6ª – Serveng Civilsan, 7ª – Racional, 8ª – HTB, 9ª – Constran e 10ª – Carioca Christiani Nielsen, cuja receita conjunta atingiu R$ 15.925 milhões.
Numa economia em crise, merece registro o desempenho de construtoras que expandiram faturamento em nichos específicos, com relação ao ano anterior: ACA-Alberto Couto Alves Brasil (RJ), +249%; Perfi l Engenharia (MG), +185%; Construtora JL (PR), +146%; Dois A Engenharia (RN), +135%; Inter Construtora (MG), +95%; Tranenge Construções (SP), +80%; Grupo Pacaembu (SP), +66%; Via Empreendimentos (DF), +61%; e AMEC Construtora (PA), +39%.
No ranking deste ano, 57 construtoras tiveram variação positiva de faturamento em 2016. Como de praxe, publicamos rankings regionais das construtoras, que excluem as 25 maiores no âmbito nacional. No regional São Paulo, as cinco primeiras posições são ocupadas por Construtora Fonseca Mercadante, Passarelli, Paulitec Construções, Matec e Cury Construtora.

No ranking regional Sudeste, que exclui São Paulo, temos nas cinco posições, a partir do topo: Empa (MG), Emccamp Residencial (MG), Mendes Junior (MG), Sá Cavalcante Participações (RJ) e Construtora Aterpa (MG).
O ranking do Norte-Nordeste é encabeçado por Pernambuco Construtora (PE), Construtora Marquise (CE), Sertenge (BA), Dois A
Engenharia (RN) e L.Marquezzo Construções (BA).
No ranking Centro-Oeste, as cinco primeiras são: EPC Construções (DF), Via Engenharia (DF), JM Terraplenagem (DF), Via Empreendimentos (DF) e Construtora Artec (DF).
O ranking Sul registra no topo Seta Engenharia (SC), J.Malucelli (PR), A.Yashii (PR), Thá Engenharia (PR) e Construtora JL (PR).
MONTAGEM INDUSTRIAL
As primeiras dez colocadas, somando uma receita conjunta de R$ 4.458 milhões, são: 1ª – UTC (SP), 2ª – Niplan (SP), 3ª – Enesa (SP), 4ª – Tabocas (MG), 5ª – Montcalm (SP), 6ª – Milplan Engenharia (MG), 7ª – IMC Saste (SP), 8ª – Temon (SP), 9ª – MIP Engenharia (MG) e 10ª – Alumini (SP). As 20 maiores empresas do setor faturaram R$ 5.661 milhões em 2016.

Na tabela de variação de receita 2016/2015, despontam a Enimont (RJ), +206%; Vetor (PR), +185%; Hersa (SP), +125%; Milplan Engenharia (MG), +79%; e EMSA (GO), +39%.
PROJETO & GERENCIAMENTO
As 10 primeiras posições neste ranking tiveram mudanças expressivas: 1ª – Concremat Engenharia, 2ª – Arcadis, 3ª – Falcão Bauer, 4ª – Progen, 5ª – Tractebel Engineering, 6ª – EGIS, 7ª – EPC Engenharia, 8ª – Engevix, 9ª – Intertechne e 10ª – Sistema PRI Engenharia. Esse grupo registrou receita conjunta de R$ 2.578 milhões, comparada a R$ 4.744 milhões de vendas de serviços no total consolidado das 40 maiores projetistas.
Na tabela de variação de receita, destacam-se Allonda Ambiental,(SP), +51%; Geocompany(SP), +50%; Hormigon(MG), +49%; JDC
Engenharia(RJ), +48%; A1 Engenharia(PR), +39%. No total, 22 empresas de projeto e gerenciamento tiveram variação positiva de faturamento. (Nota da redação-na edição impressa, a tabela 7 saiu com erros devido a falha técnica).

Excluindo as 15 maiores empresas de consultoria em âmbito nacional, o ranking regional de São Paulo traz nas cinco primeiras posições
SGS Enger, Geris, Projel, LBR e Systra/Vetec.(ver pg. 129 e 130).
No ranking Sudeste, que não inclui São Paulo, despontam a partir do topo Sondotécnica (RJ), Time-Now Engenharia (ES), Tecnosonda (RJ), Lyon (MG) e PCE Projetos (RJ).(ver pg. 130).
O ranking Norte-Nordeste traz na liderança a Qualidados (BA), Maia Melo (PE), TPF Engenharia (PE), Geosistemas (PE) e N&A Consultores (BA).(ver pg. 132).
SERVIÇOS ESPECIAIS DE ENGENHARIA
As dez primeiras colocações neste ranking não tiveram alterações: 1ª – RIP Serviços Industriais (SP), dedicada à manutenção industrial; 2ª – Ecourbis (SP) e 3ª – Logitica Ambiental (SP), ambas do setor de resíduos sólidos; 4ª – Mills (RJ), que fornece fôrmas e escoramento; 5ª – Vital (RJ), empresa de resíduos sólidos; 6ª – Brafer (PR), especializada em estruturas metálicas; 7ª – Reframax (MG), que executa manutenção industrial; 8ª – Makro Engenharia (CE), do setor de rigging; 9ª – Solaris (SP), locadora de equipamentos; e 10ª – Dagnese Soluções Metálicas (RS), dedicada a estruturas metálicas.

Esse grupo líder faturou R$ 4.057 milhões em 2016, comparado a R$ 5.588 milhões totalizados pelas 30 maiores do setor. Na tabela de variação de receita 2016/2015, destacam-se a ICS Engenharia (SP), +101%; Construtora G-Maia (MG), +80%; Fast Engenharia (SP), +79%; Teprem Engenharia (RJ), +31%; e SEEL Serviços Especiais de Engenharia (RJ), +22%. Neste segmento, 16 empresas tiveram variação positiva de faturamento.