Infraestrutura some do debate político

Nenhum dos 11 candidatos já conhecidos para as eleições presidenciais de outubro fala da importância dos investimentos em infraestrutura para sustentar a retomada econômica. Incrível! É como se tivessem evaporados as vias que transitamos, as pontes que atravessamos, a água fornecida pela rede, a iluminação pública, as casas que habitamos… E se o celular emudecesse? Sorte que as operadoras de telecomunicações são privadas e não dependam do governo para funcionar.

Na imprensa assistimos ao embate entre agronegócios e ambientalistas. Petrobras concentra ainda muita cobertura —puxada pelos aumentos de preço da gasolina; fala-se também que o Rio vai poder acelerar sua recuperação graças ao volume crescente de royalties da Bacia de Campos e da retomada das obras da Comperj. Da mineração só se fala da Vale, como se o resto da indústria mineral não existisse, embora produzisse de bentonita e cobre até ouro e zinco, em todas as regiões do País.

Uma pauta que surge é a inovação que precisa ser incentivada, para que a economia brasileira sobreviva na nova era do conhecimento. Isso está em linha com a economia global. Mas setores tradicionais da economia nacional carecem de política pública para ganhar competitividade, com mais abertura e não protecionismo.

A recessão recém-finda esvaziou os cofres do governo nos três níveis — e o que se fez nos anos recentes é o mínimo do mínimo em manutenção de infraestrutura.

A capital paulista arrecada R$ 50 bilhões e investe R$2 bilhões/ano,
sem executar obras que previnam as enchentes de verão

O governo federal agarrou-se ao programa Minha Casa Minha Vida como salva-vidas do Titanic.

Lançou seu programa de concessões à iniciativa privada e lavou as mãos — “o futuro da infraestrutura depende de recursos privados” decretou.

Os Estados viram minguar os recursos com a queda da arrecadação e enxugaram seus programas de obras. O levantamento exclusivo “100 Obras Regionais Relevantes” publicado nesta edição desenha o mapa dos canteiros de construção — poucos dependem de recursos públicos.

São Paulo poderia ter se transformado no polo maior de atração de investimentos globais em infraestrutura nos anos recentes, caso o governo tivesse arquitetado essa estratégia e se estruturado para aproveitar esta janela de oportunidade. Pelo contrário, falhas de gestão inexplicáveis provocaram atrasos em obras que são verdadeiras vitrines na economia mais pujante do País.

O sumiço da infraestrutura no debate político também se deu pela omissão da própria Engenharia, envergonhada pela repercussão do “petrolão” e as intermináveis ramificações. Personalidades e instituições da engenharia se silenciaram, deixando órfã uma atividade que praticamente acompanhou a fundação do País pelos portugueses. É até compreensível esse recuo — mas chegou a hora de ousar uma nova abordagem.

Exemplo do movimento espontâneo da sociedade que repudia a velha política e busca novas personagens e o resgaste de valores esquecidos, a Engenharia está fadada a fazer o mesmo. Se não for por decisão pensada, será por exaustão. As mentes pensantes da Engenharia não podem aceitar a inércia.

Imagem que se repete na BR-163/PA há anos

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