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O digital chegou ao canteiro de obras

 

Juliana Abreu*

Na última década, as tecnologias digitais mudaram radicalmente a forma como vivemos. Dentro da Revolução 4.0, indústrias inteiras foram repensadas e transformadas com inovações que melhoraram a produtividade e a sustentabilidade. Uma exceção nesse cenário é a indústria da construção civil, que continuou a operar como nos últimos 50 anos, ainda com forte dependência de mão de obra, tecnologia mecânica e modelos operacionais e comerciais estabelecidos. O resultado? Produtividade estagnada, que traz consigo a urgência em reavaliar todo o modelo de negócios.

As tecnologias digitais começaram a entrar gradualmente no setor, alterando a forma como projetos de infraestrutura e outros ativos são planejados, construídos, operados e mantidos. Uma mudança que pode ter um impacto econômico e social realmente significativo, já que o setor de construção responde por 6% do PIB global e emprega mais de 100 milhões de pessoas em todo o mundo.

Em um estudo que realizamos no The Boston Consulting Group, em parceria com o World Economic Forum, identificamos que dentro de dez anos a digitalização em grande escala poderia ajudar a indústria da construção civil a economizar entre 12% e 20%, ou algo em torno de US$ 1 trilhão a US$ 1,7 trilhão por ano. Isso será possível graças ao uso de tecnologias como BIM (Modelagem de Informações da Construção), pré-fabricação, sensores sem fio, impressão 3D ou equipamentos automatizados e robotizados, por exemplo.

Os participantes da cadeia de valor do setor de construção – arquitetos, projetistas, engenheiros, fornecedores de material de construção, empreiteiros e empresas de operações e manutenção – precisam se preparar estrategicamente e tomar as medidas certas para prosperar em meio às transformações que as novas tecnologias devem causar. Para ajudá-los, o BCG e mais de 30 empresas líderes do ramo da construção levantaram três cenários futuros de longo prazo visando a antecipação de alguns caminhos possíveis.

No primeiro deles, Inteligência artificial (IA), com sistemas de software e equipamentos autônomos de construção substituem a maioria dos trabalhos manuais em toda a cadeia de valor de engenharia e construção. No segundo cenário, as atividades de construção movem-se em grande parte para fábricas, com processos de fabricação enxutos e avançados para pré-fabricar módulos que serão posteriormente montados no local. Por fim, no terceiro, a indústria da construção usa tecnologias sustentáveis e novos materiais para atender a rígidas regulamentações ambientais.

Muito provavelmente, o futuro incluirá elementos de todos os três, o que desafia atuais modelos de negócio, estratégias e capacidades. Para qualquer um, no entanto, há três ações-chave que a indústria deve tomar para se preparar: atrair e desenvolver novos talentos, integrar a cadeia de valor da indústria e adotar tecnologias avançadas em grande escala. Somadas, essas iniciativas ajudarão os players a se prepararem para os desafios da era digital e moldar o futuro do setor, avançando na produtividade de uma indústria que desempenha um papel tão importante na economia global.

*Juliana Abreu é sócia da consultoria estratégica The Boston Consulting Group, formada em Relações Internacionais pela Tufts University e com MBA pela escola de negócios Northwestern University Kellogg School of Management

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