SP ainda terá de investir muito se quiser construir o metrô do futuro

Há muitos anos ele já poderia contar com 183,7 km de extensão. Desde que o governo cumprisse os prazos, sempre adiados

Nildo Carlos Oliveira

É difícil hoje em dia, sobretudo em tempos de mudanças de gestão, tratar da pauta metrô. Deveria ser fácil, com todas as informações técnicas disponíveis na Companhia do Metropolitano. Mas, o caminho para chegar até elas às vezes é pedregoso, conquanto fascinante, em especial para a revista O Empreiteiro, que tem cuidado de apurar as obras que ela vem realizando, desde os seus primórdios, quando instalou o primeiro piezômetro na Avenida Prestes Maia, em 1968.

O metrô tem sido objeto de sucessivos planos, projetos e datas para ser implementado. Recentemente, tem-se falado no futuro desenhado para ele a partir de 2021. Até lá, chegaríamos a contar com aquela malha de 183,7 km? Mesmo que isso venha a acontecer nesse sonho futuro, ele ainda estaria com uma extensão muito inferior, por exemplo, à da cidade do México, que disponibiliza atualmente 465 km. De qualquer modo, o importante é manter esse sonho de pé.

Em meados do ano passado a notícia oficial era de que o metrô paulistano ultrapassaria o total de 100 km de extensão. Este número, somado aos futuros 300 km de linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) resultaria numa rede metroferroviária da ordem de 400 km, com uma multiplicidade importante de conexões entre as linhas e novos percursos. À época dessa informação, projetava-se, com esse fim, para o período de 2011-2014, um volume de recursos financeiros de R$ 26,2 bilhões.

Há obras em curso nas linhas 6 (Laranja), 5 (Lilás), 17 (Ouro do monotrilho), nas quatro estações complementares da linha 4 (Amarela) – Higienópolis-Mackenzie, Oscar Freire, São Paulo-Morumbi e Vila Sônia – além de outras. Essas quatro estações correspondem à segunda etapa da linha 4 e, nelas, o governo informa que está investindo R$ 1,8 bilhão. Ao mesmo tempo, a Companhia do Metropolitano tem divulgado que permanece firme no propósito de estender o percurso dessa linha, a partir da estação Vila Sônia, até o município de Taboão da Serra, o que beneficiaria a população. Será um acréscimo de mais 3 km.

 

Obras na fase da construção da estação Adolfo Pinheiro (linha 5). Uma amostragem da experiência do consórcio em uma linha que está avançando, apesar das complexidades
 

As linhas em obras
A linha 5 (Lilás) projetada para ligar o Largo 13 (Santo Amaro) à Chácara Klabin, ao longo de 11,5 km, compreende via permanente em túneis duplos e singelos, escavados nos métodos NATM e Shields. Tem 11 estações, 13 poços, um estacionamento para trens sob o Parque das Bicicletas, um pátio de estacionamento e uma subestação primária. Foi dimensionada para funcionar com 26 trens.

Prevista para ser entregue este ano (2015), a linha 5 só deverá ser concluída em 2016. A partir de então deverá estar transportando perto de 800 mil pessoas. Só o trecho Capão Redondo-Chácara Klabin absorveu recurso de R$ 7,5 bilhões.
O conjunto dessas obras apresentou várias complexidades. Três shields operaram nas escavações. Dois deles foram colocadas em funcionamento ao longo de 5 km de extensão.

A Camargo Corrêa, que trouxe a tecnologia do Shield ao Brasil, na linha Norte-Sul, no começo dos anos 1970, foi a responsável pelo emprego das TBMs naquele trecho. Elas operaram a cerca de 30 m de profundidade.
A linha 5 conta com o trabalho dos seguintes consórcios: Camargo Corrêa-Andrade Gutierrez (trecho 3); Mendes Júnior (trecho 4); Heleno Fonseca-Triunfo (trecho 5); Carioca-Cetenco (trecho 6); Odebrecht- OAS-Queiroz Galvão (trecho 7) e CR Almeida-Consbem (trecho 8).

A linha 6 (Laranja), a exemplo do que ocorre com a linha 4 (Amarela) é uma concessão (PPP). As obras estão sob a responsabilidade do consórcio Move São Paulo, formado pelas empresas Odebrecht, Queiroz Galvão, UTC Participações e o fundo de investimento Eco Realty. A Secretaria dos Transportes Metropolitanos informou, em nota à imprensa, que o contrato, válido por 25 anos, é da ordem de R$ 8,9 bilhões, com aporte público do Tesouro do Estado, com financiamento do BNDES de 50% do montante na fase de implantação do trecho. O parceiro privado vai investir os outros 50%, ou seja, R$ 4,47 bilhões. O Estado pagará ainda pelas desapropriações que adicionam R$ 673,64 milhões ao custo do empreendimento.

Houve, para essa linha, uma proposta anterior que, no entanto, não despertou maior interesse. O governo resolveu, então, fazer alterações no projeto e assumiu as despesas com desapropriações. Com essa mudança de postura, aquele consórcio resolveu formalizar a proposta definitiva comprometendo-se a colocar a linha em operação até 2020.

A linha 6 (Laranja), em obras, destina-se a ligar o bairro Brasilândia, na Zona Norte, à estação São Joaquim, na região central. Já conhecido como a “linha das universidades”, o novo trecho vai atender, além de Brasílândia, os bairros da Freguesia do Ó, Pompéia, Perdizes, Sumaré e Bela Vista. Deverá resolver um grande problema de mobilidade, sobretudo considerando os centros educacionais formados pela Universidade Paulista (Unip), Pontifícia Universidade Católica (PUC), Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), Mackenzie e Faculdade Metropolitanas Unidas (FMU).

O traçado terá 15,9 km de extensão e inclui pátios e 15 estações: Brasilândia, Vila Cardoso, Itaberaba, Hospital Vila Penteado, João Paulo I, Freguesia do Ó, Santa Marina, Água Branca, Pompeia, Perdizes, Cardoso de Almeida, Angélica-Pacaembu, Higienópolis-Mackenzie, Bela Vista e São Joaquim. A linha, segundo o governo do Estado, terá conexão com os trens da CPTM e de outros ramais do metrô.

O sonho futuro da Companhia do Metrô é expandir essa linha, a partir da estação São Joaquim, na direção da Zona Leste, passando pela Mooca e outros bairros, até chegar à Cidade Líder. Outro acesso, a iniciar-se ainda na Brasilândia, deverá estender-se até a região da rodovia dos Bandeirantes, passando, segundo esse projeto de futurologia, pelo Centro de Convenções de Pirituba, o chamado Piritubão, que será construído mediante contrato na modalidade PPP.

 

Estação Oscar Freire (linha 4). Ela deveria ter entrado emfuncionamento em 2012, mas prossegue inconclusa
 
Obras do monotrilho (Linha 17 – Ouro). Quando concluída, terá conexões com as linhas Azul, Amarela e Lilás
 

Os monotrilhos
O consórcio Expresso Monotrilho Leste, formado pelas empresas Queiroz Galvão, OAS e a canadense Bombardier, está construindo o monotrilho que parte da Vila Prudente para a Cidade Tiradentes, cobrindo uma extensão de 24,5 km de extensão. Ele terá 17 estações. O primeiro trecho, entre as estações Vila Prudente, Oratório e Parque São Lucas, encontra-se em operação.

Essa obra corresponde à nova linha 15 (Prata) do metrô. Ela terá capacidade para transportar 40 mil passageiros/h. Terá, ao longo do traçado, as seguintes estações: Vila Prudente, Oratório, São Lucas, Camilo Haddad, Vila Tolstoi, Vila União, Jardim Planalto, Sapopemba, Fazenda da Juta, São Mateus, Iguatemi, Jequiriçá, Jacu-Pêssegoi e Érico Semer.
Esse consórcio foi contratado tanto para projetar e construir, quanto para fornecer e instalar o sistema de monotrilho de alta capacidade. Os primeiros carros foram produzidos na fábrica da Bombardier, no Canadá. Mas, os carros subsequentes estão sendo fabricados pela unidade da empresa em Hortolândia (SP), já visitada pela revista O Empreiteiro. O monotrilho Leste deverá estar concluído até 2016.

O monotrilho correspondente à linha 17 (Ouro) do metrô também está avançando. Previa-se que o primeiro trecho, de 7,7 km de extensão, ligando o Aeroporto de Congonhas à estação Morumbi da linha 9 (Esmeralda) da CPTM — Osasco-Grajaú — pudesse ficar pronto antes da Copa do Mundo. Mas, não ficou. Essa linha terá 21,5 km de extensão e atenderá os bairros do Brooklin, Morumbi e Paraisópolis. Estão previstas 19 estações. O conjunto poderá ficar pronto ainda este ano.

 

Os trens desse monotrilho correrão a uma altura média de 15 m sobre pilares de concreto erguidos nos canteiros centrais das avenidas por onde passará. Movidos a eletricidade, cada trem será composto por sete carros, com 86 m de comprimento total. Os trens vão operar de forma plenamente automática (sem condutor), numa velocidade máxima de 80 km/h.

O conjunto das obras é da responsabilidade do consórcio TIISA/DP Barros, que venceu a licitação para a construção. O investimento é de R$ 182 milhões. A previsão do consórcio é de que ali sejam aplicados 33 mil m³ de concreto; 4 mil t de aço; 6 mil estacas para fundação e 1.000.000 kg de estruturas metálicas. A movimentação de terra poderá ser da ordem de 72 mil m³.

 

Quatro estações da Linha 4
A construção das quatro estações complementares da linha 4 (Amarela) segue lenta. O consórcio formado pelas empresas espanholas Isoluz-Corsán-Corvian foi cobrado pela Companhia do Metropolitano quanto ao eventual atraso. Ele argumenta que o Metrô tem atrasado a entrega dos projetos executivos. A empresa estatal nega esse problema. O governador Geraldo Alckmin promete nova licitação das obras até o fim deste semestre. Com essa decisão, as estações Higienópolis-Mackenzie e Oscar Freire ficarão para 2016; a SP-Morumbi para 2017 e Vila Sônia, para 2018.
A concessionária ViaQuatro, que já investiu na linha, desde 2006, quando assinou o contrato da PPP, US$ 450 milhões, pretende investir mais US$ 2 bilhões. Para isso, as obras civis precisam estar prontas.

Fonte: Revista O Empreiteiro

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