Posts Tagged 'China'

Pará promove na China ferrovia ligando Santana do Araguaia a Barcarena

Uma missão do governo estadual esteve na China em setembro para atrair investidores ao projeto da Ferrovia Paraense, que sai de Santana do Araguaia, no sul do estado, passa por Marabá e Rondon do Pará, onde está a interligação de 58 km com a Norte-Sul, segue até a conexão com Paragominas, e tem o ponto final em Barcarena — numa extensão total de 1.326 km e custo estimado de R$ 14 bilhões. Os estudos demoraram um ano e meio e também foram divulgados na Alemanha. Nove empresas da região firmaram pré-acordo para transporte de carga: Vale, Nordsk Hydro, Mineração Irajá, Alloys Pará, Araguaia Níquel, Cevital e Alubar Metais. Continuar lendo →

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China expande a rede TAV – que já tem “elefantes brancos”

Como o TAV precisa viajar quase sempre em linha reta, há estações em regiões de baixa densidade demográfica — na escala chinesa – que ficam localizadas a grandes distâncias de centros urbanos e são pouco utilizadas, porque carecem de transporte de massa entre si. Nas três regiões densamente povoadas, o TAV realmente criou uma economia conectada — na região de Beijing ao norte, Xangai ao leste e Guangzu, capital da província de Guangdong, ao sul, a urbanização adensada segue o traçado dos trilhos.Um exemplo simplório: há 75 milhões de pessoas vivendo nas cidades satélites de Xangai, num percurso de apenas uma hora pelo TAV, onde o aluguel é um terço do cobrado na cidade considerada a capital econômica do país. A passagem do TAV custa apenas R$ 11, subsidiada em grande parte pelo governo central.
A abordagem inovadora do governo chinês consiste em usar o TAV para limitar o crescimento exagerado das metrópoles, como Xangai, e incentivar o fortalecimento de cidades num raio de uma a duas horas de percurso, criando uma região econômica dinâmica em torno do modal, reduzindo os problemas típicos de centros urbanos excessivamente densos.

O MAIS RÁPIDO PODE NÃO SER LUCRATIVO

Um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), organismo que reúne países industrializados, revela que custa 90% a mais construir um TAV que alcance 350 km/h se comparado ao que atinja 250 km/h. Isso significa que apenas linhas que tenham mais do que 100 milhões
de passageiros/ano e tempos de percurso de cinco horas ou menos, como a linha Beijing-Xangai, justificam a velocidade maior.
Por esse critério, as linhas de TAV na parte ocidental e ao norte da China são deficitárias e muito. A operadora dessa rede, a estatal China Railway Corp., tem dívidas de 4 trilhões de yuans, igual a 6% do PIB do país. Apenas seis linhas mostram lucros operacionais — sem contar os custos de construção — lideradas
por Beijing-Xangai, que passou a ser o TAV mais lucrativo do mundo, obtendo receita de 6,6 bilhões de yuans, equivalente a US$ 1 bilhão, em 2016. No lado oposto, segundo fontes locais, a linha Guangzu e Guizu paga 3 bilhões de yuans/ano só de juros sobre investimentos, três vezes mais do que gera com a receita de passageiros.
Mas a situação de estações “fantasmas” é real. Em Xiaogan, na província de Hubei, a estação do TAV está a 100 km do centro e falta transporte de massa até ela. Em Suzhu, província de Anhui, a estação está a 45 km do centro urbano, no meio do nada. Para estimular o desenvolvimento, o governo construiu uma rodovia de oito pistas ligando a um polo industrial ao lado da estação. Investidores ergueram fábricas de roupas, alimentos e produtos medicinais que, entretanto, não atraíram indústrias para produzir ali.
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A maldição dos recursos naturais

O jornalista Tom Burgis, que viaja extensamente pela África por conta do jornal Financial Times, é autor do livro “The Looting Machine: Warlords, Tycoons, Smugglers and the Systematic Theft of Africa’s Wealth” (na tradução livre, “A máquina que saqueia: senhores de guerra, empresários, contrabandistas e o roubo sistemático das riquezas da África”), editado pela PublicAffairs (319 páginas).

Segundo o que tem presenciado nas suas muitas viagens pelo continente negro, a abundância de recursos naturais é a maldição que persegue a África. Burgis aponta que empresas internacionais de mineração se aliam às elites locais para “saquear” essas riquezas, com pouquíssimo benefício para a população.

Cita como exemplo Angola, onde um pequeno grupo controla o Estado e acumulou fortunas; na Nigéria, há uma elite que comanda o Estado e senhores de guerra que explodem oleodutos e exigem resgate de trabalhadores da indústria petrolífero sequestrados.

Burgis afirma que, no lugar dos antigos impérios coloniais, sobraram redes ativas de empresas multinacionais, atravessadores e intermediários, e potentados africanos. Essas redes amalgamaram o poder do Estado e das corporações e são manipuladas pelas elites transacionais que se formaram na era da globalização. O livro relata em detalhe as conexões das empresas chinesas com outros interesses nem sempre legítimos em muitos países da África.

O jornalista ignora, entretanto, as exceções neste cenário desolador. É o caso de Botswana, que tem uma enorme dependência econômica da produção de diamantes, mas possui uma tradição democrática, sistemas de saúde e educação de alto nível, e estabilidade institucional.

Fonte: Revista O Empreiteiro

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Empresas de engenharia ampliam presença na África e Oriente Médio

O maior projeto de infraestrutura da África Oriental chama-se Lapsset — sigla em inglês do corredor de transporte do Porto de Lamu, no Quênia, que corta o país ligando-o aos vizinhos Sudão do Sul e Etiópia, facilitando o comércio dessa região, até agora pouco desenvolvida. No Porto de Lamu será iniciada a construção de três berços de atracação, de um total de 32, ao custo de US$ 3,1 bilhões.
 

O projeto Lapsset tem custo estimado em US$ 24,5 bilhões e compreende 880 km de rodovias de duas pistas entre Lamu, Juba e Adis Abeba; um oleoduto de 2.240 km, conectando essas três cidades e as localidades turísticas de Lokichoggio, Turkana e Isiolo, no Quênia; ampliação de três aeroportos; uma refinaria de 120 mil barris/dia de capacidade no porto; uma ferrovia de bitola-padrão com 1.719 km de extensão entre Lamu e Juba; e uma hidrelétrica de 500 MW a 700 MW. Os projetos estão em estágios variados, enquanto os três países buscam financiamento de agências multilaterais e investidores privados para levá-los adiante. A conclusão está prevista para 2030.

A primeira fase do projeto do Porto de Lamu prevê a execução de três berços
 

Em agosto passado, a Autoridade dos Portos do Quênia contratou a China Communication Construction para a execução dos três berços em Lamu, ao custo de US$ 484 milhões. A subsidiária internacional dela, China Roads and Bridge, está engajada na construção de uma ferrovia de 609 km, ligando Mombasa à capital Nairóbi, orçada em US$ 3,6 bilhões, 90% financiados pelo Exim Bank chinês.
 

A construção dos três berços no porto de Lamu pelo governo é visto como um piloto para atrair investimentos privados e fundos soberanos para as outras etapas do corredor Lapsset. Uma vez concluídos, permitirão a atracação de navios de até 100 mil t, agilizando o transporte de equipamentos e materiais. O Banco de Desenvolvimento da África presta consultoria nesse empreendimento trinacional.

 

 

Consórcio China-Israel vai construir o 1º VLT de Tel Aviv

A China Railway Tunnel Group, aliada à empresa local Solel Boneh, ganhou uma concorrência de US$ 800 milhões para executar os túneis e estações subterrâneas do trecho ocidental da primeira linha de VLT na capital israelense. Trata-se da principal etapa da Linha Vermelha, cuja construção é gerenciada pela NTA Metropolitan Mass Transit System.
 

São dois túneis paralelos de 5 km, constituindo a principal seção subterrânea desta linha, que tem no total 22 km. Saindo de Petah Tikva ao nordeste da capital e chegando até Bat Yam ao sudoeste, as obras estão programadas para conclusão em 2022. Esse projeto atrasou por vários anos por razões burocráticas e de financiamento.
 

Os túneis serão escavados por TBMs e incluem sete estações no subsolo e 22 túneis de fuga. O consórcio superou as propostas da Ghella, da Itália, e do consórcio da Danya Cebus local com a francesa Vinci.

Fonte: Revista O Empreiteiro

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Três hidrelétricas, menores apenas que Três Gargantas, entram em operação

Três grandes usinas hidrelétricas chinesas estão na província de Yunan, ao sudoeste da China, na fronteira com Mianmar e Laos. Devem abastecer as regiões ao leste e reduzir a dependência das termelétricas a carvão.

Elas atingiram a capacidade máxima em meados de 2014. Em fins de junho, a usina de Nuozhadu entrou em operação plena e terá capacidade anual de 5,85 GW. Localizada no rio Lancang, a jusante do rio Mekong, é a quarta maior hidrelétrica da China. Poucos dias depois, Xiluodu atingiu geração plena no rio Jinsha, ao norte de Yunan, na divisa de Sichuan. Este rio deságua no Yangtse e a usina de 13,86 GW só perde para a famosa Três Gargantas.

 

 

No início de julho, a terceira maior usina chinesa, Xiangjiaba, alcançou capacidade total. A hidrelétrica de 6,4 GW está a 200 km de Xiluodu, a jusante. Todas elas já vinham gerando energia de forma escalonada. Ao todo, elas já suprem mais de um quinto da capacidade instalada no país, sendo o restante oriundo de térmicas a carvão. A China está prestes a atingir a meta de 290 GW gerados em hidrelétricas em 2015, estabelecido no 12º plano quinquenal, tendo registrado 278 GW em fins de 2013.

A etapa seguinte prevê chegar à capacidade instalada de 420 GW em 2020, um crescimento somente possível num país de governo central que controla, inclusive, as agências ambientais que emitem as licenças. Mesmo assim, uma dificuldade crescente é a reação da população quando as usinas novas provocam a realocação de povoados inteiros, como ocorreu em Três Gargantas.

 

Yunan aproveita o potencial de três rios
A província de Yunan tem sido alvo de extenso desenvolvimento hidrelétrico, nos três rios caudalosos que atravessam seu território – Nu, Jinsha e Lancang. O governo central instalou em Yunan a base da rota sul do Projeto de Transmissão Oeste-Leste, que se encarrega de fazer a energia produzida ao ocidente do país chegar aos consumidores das regiões densamente povoadas ao leste, junto ao mar.

A usina de Nuozhadu abastece Guangdong por uma linha de transmissão de 800 KV em alta voltagem e corrente direta, fornecendo energia para as metrópoles da delta do rio Pearl. A divisa entre Yunan e Sichuan fica no rota central do projeto de transmissão. Outra linha HVDC conecta Xiangjiaba a Xangai, no delta do rio Yangtze. Xiluodu vai suprir Zhejiang através de uma terceira linha similar.

A Yunan Power Grid, subsidiária da estatal China Southern Power Grid, exporta cerca de 1% da produção para Vietnã e Laos. O governo provincial local busca incentivar novas usinas, para aumentar a geração de imposto e atrair indústrias eletrointensivas. A população nas regiões banhadas pelos rios é constituída por minorias étnicas e pobres. A produção de energia alcançou 47 GW em 2013 e deve chegar a 64 GW este ano, conforme estimativas oficiais.

 

Energia abundante incentiva indústria local
A prefeitura de Lijiang, em Yunan, quer expandir a produção industrial e atingir o equivalente a 40 bilhões de yuans em 2015, quatro vezes mais do que 2010. Em 2013, a produção de energia cresceu 77%, enquanto a de cobre elevou-se em 46%. A empresa Yunan Aluminium vai construir uma nova fundição de alumínio na vila de Huaping, numa área pobre de Lijiang. As usinas geradoras locais estão preferindo vender a energia a indústrias locais, que pagam uma tarifa melhor, do que comercializá-la na rede regional, onde os preços são fixados a níveis mais baixos por um comitê nacional. Isso contraria a política oficial de abastecer preferencialmente a região oriental e urbanizada ao longo da costa, se os mecanismos de preços da energia não forem modificados.

 

Hidrelétrica no platô tibetano
É no platô tibetano que nascem muitos dos grandes rios da Ásia. O rio Yarlung Tsangpo, chamado de Brahamputra na Índia, que corre ao longo do Himalaia, está na maior altitude que se conhece entre cursos d’água. Ele corre de oeste a leste num vale, atravessa o platô tibetano até onde o Himalaia e as montanhas Nyenchen Tanglha e Hengduan se juntam. Suas águas forçam passagem entre os picos Gyala Peri e Namcha Barwa para formar a garganta mais profunda do mundo. Depois, dirige-se ao sul da Ásia para se encontrar com o rio Ganga e desaguar no Índico.

A Índia e a China planejam, desde os anos 90, um projeto hidrelétrico que será três vezes maior do que Três Gargantas neste local. Ao longo de 400 km a partir do topo da garganta, as águas descem 2.000 m de altitude. Especialistas estimam que um túnel através da queda natural comportaria 2 mil m³/s d’água, numa queda de 2.800 m, suficiente para acionar uma usina de 50 GW que poderia fornecer 300 bilhões de KWh de energia por ano. Os ambientalistas são radicalmente contra esse futuro empreendimento binacional.
 

Fonte: Revista O Empreiteiro

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Fim da lua de mel na África

 

Maior parceiro comercial da África e quarto maior investidor estrangeiro em investimentos diretos, a China já provoca reações crescentes depois de uma década de atuação no continente

Joseph Young

O comércio exterior da África somou US$ 1 trilhão em 2013. Nele desponta a liderança da China, com US$ 156 bilhões, seguida pelos Estados Unidos, França, Índia e Espanha, com menos de metade a um terço do resultado chinês. Em investimentos externos diretos, que atingiram US$ 59,3 bilhões em 2012, a China, com US$ 2,5 bilhões, é o país na quarta posição, abaixo da Inglaterra, Estados Unidos e Itália.

Esses números não refletem, na realidade, a penetração do capital e empresários chineses no continente africano e a crescente animosidade que vêm provocando. Um tema de recentes sketches cômicos na rádio de diversos países gira sempre em torno de cidadãos locais que perderam a namorada ou a esposa para homens chineses. Disse um desconsolado africano: ”Eles são feios e baixinhos que nem pigmeus. Mas vêm com bolsos cheios…”.

Mais de 1 milhão de chineses emigraram para a África na década passada, na sua maioria comerciantes e trabalhadores. Há uma empatia entre os governos e um número crescente de ferrovias, pontes e estradas que estão sendo construídas por construtoras chinesas. O capital chinês controla diversos depósitos de minerais estratégicos. Nesse quesito, em que a China tem levado vantagem na competição com antigas potências coloniais, a concorrência é renhida; os europeus reclamam que, por causa da governança corporativa, eles não podem recorrer a presentes, como automóveis Mercedes-Benz que empresários chineses costumam dar como mimo a dirigentes locais.

Países não europeus parecem ganhar terreno na economia africana. Negócios com a Índia podem atingir US$ 100 bilhões este ano, crescendo num ritmo superior aos realizados com a China, e devem suplantar os Estados Unidos em pouco tempo. Brasil e Turquia também estão deixando os concorrentes europeus para trás.

Segundo estudo recente da consultoria PWC, depois de uma década de enfoque em infraestrutura, mineração e petróleo, os investimentos diretos da China hoje se diversificaram amplamente, de fabricação de sapatos a processamento de alimentos. Talvez por isso mesmo a reação contrária tem se alastrado em outros segmentos dos países africanos, principalmente quanto às relações com trabalhadores locais, frente a empregados trazidos da China, e maior rigor em preservação ambiental nos projetos de infraestrutura.

 

Segundo a IDE-Jetro (Institute of Developing Economies; Japan External Trade Organization), a China toca projetos de infraestrutura em 35 países da África, com a maior parte em Angola, Nigéria e Sudão, e tem crescente presença na República Democrática do Congo (RDC). O grosso das obras é de hidrelétricas e transportes, em especial ferrovias, e em menor grau, água e esgoto.

A competitividade das construtoras chineses salta à vista nas concorrências das agências multilaterais, como Banco Mundial e Banco de Desenvolvimento da África, que obrigam a realizar licitações internacionais nos projetos que financiam. No caso do primeiro, calcula-se que desde 1999 construtoras chinesas tenham ganhado de 10% a 20% das concorrências realizadas, com valor acumulado de US$ 738 milhões no período 2001-2006. Embora expressivo, esse total torna-se quase insignificante perante o valor comprometido por empresas chineses em obras de infraestrutura, estimado em mais de US$ 12 bilhões no período.

Elas se concentram em obras civis, com ausência quase total em serviços de consultoria e participação mínima em fornecimento de equipamentos — que não passa de 3% do total. Em construção, entretanto, a China conquistou 31% dos contratos licitados pelas agências mundiais entre 2004 a 2006. O segundo colocado é a França, com 12% do total em obras civis; todos os outros países não ganharam mais do que 5%.

Cerca de 70% do valor dos contratos das construtoras chinesas estão em quatro países: Etiópia, Moçambique, Tanzânia e RDC. Esse mapa difere quando se trata de projetos financiados por capital chinês, com 55% concentrados em Angola, Sudão e Nigéria.

 

Foco em hidrelétricas

O setor que atraiu a maior parte do financiamento chinês é o de energia, que acumulou até hoje compromissos de US$ 5,3 bilhões, a maior parte deles em hidrelétricas. Até 2007, esses recursos estavam destinados a dez usinas em nove países, ao custo total superior a US$ 5 bilhões, sendo US$ 3,3 bilhões financiados. A capacidade combinada desses projetos alcança a expressiva soma der 6 mil MW — a capacidade instalada atual na África é de 17 mil MW.

 

As negociações concluídas mostram uma abordagem versátil em termos de garantias reais: o financiamento do EximBank da China aceitou petróleo como garantia na barragem do Rio Congo, na República Democrática do Congo, e cacau na barragem Bui, em Gana. O empréstimo para a barragem de Souapiti no Guiné está travado com receita da mineração de bauxita.

 

Tradição em ferrovias

O marco pioneiro da presença chinesa na África foi a construção da ferrovia Tanzânia-Zâmbia nos anos 70, simbolizando sua contribuição à modernização do continente. Nos anos recentes, essa participação cresceu exponencialmente com financiamentos que somam US$ 4 bilhões. Essas obras abrangem a reabilitação de 1.350 km de linhas obsoletas e a execução de 1.500 km de ferrovias novas. Em comparação, a rede total do continente atinge cerca de 50 mil km.

Fonte: Revista O Empreiteiro

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Para fugir do carvão, energia nuclear. A que preço?

 

Nem o acidente catastrófico de Fukushima, no Japão, esfriou o ânimo do governo chinês, que já autorizou
a retomada das obras das novas usinas nucleares para geração elétrica

Quando o governo britânico anunciou este ano que aprovou um consórcio liderado pela francesa EDF, com a participação da China General Nuclear Power Group, uma estatal chinesa, para construir com recursos próprios e operar uma nova usina nuclear em Hinkley Point, em Somerset, na Inglaterra, com 3.200 MW de capacidade, os comunistas da velha guarda devem ter se revirado no túmulo. Depois da queda do Muro de Berlim, 25 anos atrás, a construção da primeira usina nuclear na Europa por engenheiros chineses deve ser o tiro de misericórdia nos ortodoxos do PC — porque os negócios hoje falam mais alto do que a geopolítica.

Para reduzir a dependência do carvão, que produz 4/5 da energia consumida na China, contribuindo para acentuar a grave poluição que atinge as grandes cidades, há mais de 20 usinas nucleares em obras no país, em diferentes estágios. A capacidade de geração nuclear poderá triplicar por volta de 2020, como parte do programa nacional que prevê dobrar a geração elétrica no horizonte de 2030.

Com o governo central tomando as decisões, há poucas vozes que se erguem sobre a segurança nuclear, ao contrário do cenário global em que a lembrança do desastre em Fukushima, em 11 de março de 2011, como consequência de um tsunami, continua viva. A maior usina nuclear da Europa, localizada na Ucrânia, foi paralisada recentemente. Em Chernobyl, nesse mesmo país, o sarcófago metálico que vai vedar as usinas nucleares destruídas está em fase final de montagem, mas ninguém sabe quem vai pagar a conta final.

A pressa e a insegurança
A pressa do governo chinês no seu programa de usinas nucleares traz riscos adicionais de segurança. Ao invés de escolher um modelo de usina por critérios técnicos, de um fabricante experiente, e replicá-lo nos novos projetos, a China preferiu nacionalizar os projetos ocidentais, por meio de empresas estatais que concorrem entre si no mercado global oferecendo modelos similares, mas nenhum deles suficientemente testado com operação em escala comercial.

Em outubro de 2012, o governo de Beijing aprovou a revisão de segurança das usinas nucleares em construção e autorizou a retomada das obras, a um ritmo mais lento, projetando chegar a 130 GW de capacidade instalada até 2030.

Projetos situados em regiões sujeitas a abalos sísmicos e com escassez d’água foram cancelados. Os órgãos oficiais também afirmam que as novas usinas a ser licenciadas devem se ajustar aos padrões de segurança de terceira geração.

 

Planta nuclear de Yangjiang, na província de Guangdong, China, entrou em operação em 2014
 

Estes têm a ver, por exemplo, com as bombas elétricas para sistemas de resfriamento, que falharam em Fukushima após o tsunami. Modelos recentes de usina nuclear de marcas ocidentais, como Westinghouse e Areva, incorporam medidas mais severas de segurança, como mecanismos de resfriamento que funcionam por gravidade, sem precisar de energia elétrica.

Especialistas do mercado acreditam que a China venha a importar parte dos novos reatores do Ocidente, com conteúdo redundante de sistemas de segurança, ao invés de adotar somente modelos nacionalizados que ainda não entraram em operação comercial.

A China opera hoje 17 usinas nucleares de energia, algumas agrupadas como um único conjunto, todas instaladas ao longo da costa, com fácil acesso à água do mar para fins de resfriamento — e dispersão dos poluentes em caso de eventual acidente. Mesmo com essa prioridade à geração nuclear, mais da metade dos novos projetos de usinas elétricas no país usa fontes renováveis, como hidrelétricas, parques eólicos e plantas solares.

 

 

Descomissionar Fukushima é tarefa para 40 anos

Quinhentas mil t de água contaminada por elementos radiativos representam a principal ameaça no sítio da usina Fukushima Daiichi, no Japão, estocadas em mais de mil tanques que ocupam vasta área — este mar de rejeitos perigosos pode ser comparado às 9 mil t de água tóxica gerada pelo derretimento parcial da usina de Three Miles Island, nos Estados Unidos, em 1979. Para enfrentar esse risco tão acentuado, com potencial para perpetuar essa tragédia de grandes proporções, há 6 mil trabalhadores da Tokyo Electric Power (Tepco) e empresas subcontratadas empenhados num programa que vai custar US$ 17 bilhões. É um esforço quase sobre-humano para colocar essas condições adversas sob controle, quatro anos depois de o tsunami histórico ter provocado o triplo derretimento nos reatores da usina.

Todo dia cerca de 400 t de água de subsolo descem dos morros atrás da usina nuclear e chegam à base dos três reatores danificados, onde se misturam com a água de resfriamento usada para evitar o superaquecimento do combustível que fundiu, o que pode vir a provocar novo acidente. A maior parte dessa água é bombeada e estocada em tanques, mas uma porção substancial dela atinge outros locais do sítio, inclusive trincheiras abertas ligadas ao mar.

 

 

As primeiras unidades ALPS para descontaminação d’água, instaladas pela Tepco, sofreram problemas técnicos, prejudicando seu desempenho. Os tanques de estocagem d’água tiveram vazamentos. Os trabalhos para congelar uma trincheira em torno dos reatores estavam meses atrasados. Uma outra barreira congelada, de 1,5 km, para impedir que a água do subsolo alcance a base dos reatores, deverá estar pronta em março próximo e inteiramente congelada em maio.

Novos purificadores ALPS foram testados com sucesso. Eles usam filtros e absorventes para reter 60 elementos radiativos d’água, sem empregar aditivos químicos que geram rejeitos próprios; têm capacidade para limpar 2 mil t de água por dia.

Em novembro passado, foram removidos com sucesso 1.330 conjuntos de combustível gasto de uma piscina no reator 4, que foi severamente danificado por uma explosão após o acidente com o tsunami, em 11 março de 2011. Especialistas temiam pelos riscos desse trabalho, caso esses elementos de combustível colidissem ou fossem danificados. Mas a parte mais arriscada está por vir — a remoção do combustível fundido dos reatores 1, 2 e 3, cujo nível de radiatividade é tão intenso, que impede a aproximação dos trabalhadores.

Robôs fizeram inspeções no prédio dos reatores mas não identificaram o local exato do combustível fundido. Os riscos são de tal ordem, que a Tepco e o governo foram obrigados a adiar a remoção desse material do reator 1 por cinco anos, para 2025. O descomissionamento completo da usina deve demorar cerca de 40 anos. O custo desse trabalho, mais a compensação financeira de 120 mil habitantes obrigados a deixar suas residências, pode chegar a US$ 86 bilhões. Mas, a despeito dessa tragédia, o governo japonês já autorizou a religação de algumas usinas nucleares.
 

Fonte: Revista O Empreiteiro

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Megaedifício de 108 andares vai ancorar novo distrito empresarial de Pequim

Com 528 m de altura, Zhongguó (China) Zun Tower vai se erguer bem acima do entorno e terá um lounge giratório no topo

Sua forma suavemente curvilínea reflete a arquitetura histórica da capital e lembra um vaso cerimonial antigo chinês chamado Zun. Esta referência conceitual é parte do plano mestre desenvolvido em 2010 pelo consórcio TFP, BIAD, Arup e MVA e adotada pelo escritório de arquitetura KPF no projeto da torre, seu envelope externo e espaços internos principais. Como Pequim tem as exigências antissísmicas mais severas no código de construção das cidades chinesas, o sistema estrutural é particularmente sensível aos ajustes da forma complexa do edifício.
 

Durante as fases de estudos esquemáticos e de desenvolvimento do projeto, os arquitetos e os engenheiros estruturais implementaram uma modelagem paramétrica, empregando uma plataforma comum de software que agilizou o processo de design e coordenação. O projeto da torre é resultado de uma avaliação equilibrada entre os múltiplos parâmetros de projeto, como a forma elegante e escultural, os sistemas estruturais e de elevadores otimizados e os programas de espaço dos interiores.

 

O projeto se habilitou à certificação LEED Gold da U.S. Green Building Council, baseado no envelope de alto desempenho do edifício — com excelente relação janelas/parede e vidros triplos, equipamento mecânico de alta eficiência energética, uso de materiais locais, uso de água cinza nos sanitários e painéis solares no topo.

 

O novo Distrito Central de Negócios de Pequim está a 5,5 km a leste da praça Tiananmen e fora do centro histórico da capital. A infraestrutura local será renovada para permitir seu adensamento urbano, visando a operar como um centro internacional de finanças, serviços e mídia. A torre possui 350 mil m² de área bruta de piso divididos entre 108 andares acima do solo. Embora o perfil da torre seja curvo, as plantas dos pisos são quadradas, com cantos arredondados, em torno de um núcleo também de formato quadrado.

 

O perfil final da torre é composto de quatro arcos tangenciais, com a base, “punho” central e topo medindo 78 m, 54 m e 69 m na largura, respectivamente. O punho da torre é localizado acima de todos os edifícios vizinhos, a 385 m de altura, para sobressair o seu perfil curvilíneo.

 

O envelope da torre é dividido em 128 painéis em cada piso, com divisões contínuas de painéis verticais, agrupados em suportes principais e secundários.  No meio dos suportes principais ficam os trilhos das máquinas lavadoras de vidro; nas laterais dos suportes secundários há tiras de led para iluminação. Os suportes verticais servem para mitigar a complexidade das paredes-cortina.

 

No topo da torre, os suportes principais se estendem na altura total do restaurante do business center e o deck do observatório nos níveis 105 e 106. Os suportes secundários terminam no nível 104 e são substituídos por um sistema de cabos tensionados e vidros, permitindo uma visão ao exterior mais ampla. Na base da torre, onde as paredes externas se curvam, a geometria é mais desafiadora. Através de uma “casca”, evitou-se o uso de vidros curvados a quente de alto custo. No lobby, a parede externa é envidraçada, e os suportes do seu interior se estendem até o lado de fora, conectando-se com os suportes externos. O impacto de um lobby transparente, que funde o exterior ao interior, marca a identidade corporativa do proprietário da torre.

 

Perspectiva artística da megatorre e seu entorno. Empreendimento deve ser entregue em 2018

 

Projeto estrutural antissismos

Como Pequim tem a mais rigorosa exigência antissísmica, o sistema estrutural do China Zun Tower, com toda a sua altura, precisa encontrar o equilíbrio entre resistência e dutilidade. Com um pescoço mais estreito e um topo mais largo, a torre é o contrário dos outros megaedifícios que afinam à medida que sobem. O projeto estrutural precisou avaliar os efeitos adversos da massa adicional localizada no topo.

 

O sistema de resistência lateral é composto de uma megaestrutura periférica e o núcleo central. De forma simplista, pode-se considerar essa megaestrutura como uma megatreliça fincada no solo.  Oito megacolunas nos cantos se fundem em quatro colunas na base. As megabraçadeiras e a treliça de transferência são constituídas pelos diagonais e postes da megatreliça. Esta estrutura periférica confere elevada rigidez lateral, essencial para a segurança da estrutura da torre. As megacolunas são caixões de aço preenchidos de concreto, em compartimentos único ou múltiplos, separados por placas de aço.

 

Projeto aproveita largamente luz natural com envelopamento de vidro

 

É complexo o projeto de uma megaestrutura que segue um perfil curvilíneo. Para cada zona de cerca de 15 pisos, a megaestrutura é mantida num só plano para facilitar as conexões e evitar forças adicionais. Além disso, os diversos perfis da torre precisam ser avaliados quantitativamente, o que demandou o uso de tecnologias de projeto e modelagem paramétrica.

 

Os projetistas puderam, assim, avaliar geometricamente opções variadas num curto prazo e gerar resultados quantitativos. A linha final de colunas foi determinada como um equilíbrio ótimo entre os principais critérios. Foi possível obter um intervalo de 1 m entre estrutura e fachada na maioria dos pisos.

 

Extensa análise não-linear, usando dados sísmicos reais e simulados, foi efetuada para avaliar a segurança da estrutura sob condições sísmicas máximas. Um teste em mesa vibratória na escala 1:40 foi conduzido para assegurar que o projeto estrutural atende a diferentes condições sísmicas.

 

O núcleo de concreto é uma escolha atípica para um megaedifício numa zona sísmica. No código de edificação local, é exigido que não haja falha por cisalhamento num evento sísmico considerado máximo. Para tanto, placas de aço com espessura de 30 mm a 60 mm foram embutidas nas paredes de concreto, desde o solo até o nível 41, triplicando a resistência a cisalhamento das paredes, viabilizando assim, tecnicamente, o núcleo de concreto.

 

As fundações de estacas começam 79 m abaixo do solo, na camada 12 do subsolo arenoso de Pequim. No sítio de 84 m por 130 m, o subsolo da torre contém sete pisos. O comprimento efetivo das estacas mede 42 m e seu diâmetro varia de 1 m a 1,2 m. As sapatas no topo das estacas têm espessura máxima de 6,5 m.

 

Gestão do projeto

O proprietário contratou um consórcio de projetistas formado por conhecidas empresas, que responderam por diferentes estágios do projeto, assegurando uma comunicação efetiva entre si. Especialistas em gerenciamento de construção e megaedifícios, incluindo empreiteiras, revisaram os projetos do ponto de vista de construbilidade. Começando em agosto de 2012, um consórcio foi formalizado após nove meses de trabalho, com a KPF, Arup e PBA, responsáveis pelo projeto esquemático e posterior desenvolvimento, e as empresas locais BIAD e CITIC General Institute of Architectural Design and Research, encarregadas do projeto executivo para construção.

 

Como a China Zun Tower se caracteriza pelo porte de investimento, longo período de desenvolvimento e construção, tecnologias complexas e um número elevado de stakeholders, a tecnologia BIM foi adotada em novembro de 2011 para acelerar o programa, reduzir custos, melhorar a coordenação do projeto e gestão das obras e criar uma base de dados para a operação e manutenção do megaedifício.

 

Nove provedores de serviços de tecnologia BIM discutiram os padrões e as regras do seu uso, que foram reunidos num guia. Todos os processos foram desenvolvidos seguindo uma hierarquia que coloca a equipe de arquitetos no topo. As responsabilidades dentro do processo BIM têm uma correspondência real, um a um, para com as exigências contratuais dos projetos e das obras. Há exemplos de como a tecnologia BIM contribuiu para reduzir os erros de coordenação e melhorar a construtividade do projeto.

 

Tomando o documento final de construção do piso térreo, por exemplo, 147 discrepâncias foram detectadas e solucionadas na fase de projeto, sendo 20 delas relacionadas com o trajeto dos dutos de facilidades eletromecânicas. Quando a modalidade EPC não foi adotada, por razões empresariais neste empreendimento, a tecnologia BIM desempenhou um papel crucial na “conexão sem cortes” entre as fases de projeto e obras. (Fonte: Council on Tall Buildings and Urban Habitat)

 

Perfil do projeto China Zun Tower

 

Data estimada de conclusão – 2018

Altura – 528 m

Andares – 108

Área construída total – 437.000 m²

Uso – comercial

Proprietário – CITIC HEYE Investment Co.

Arquitetos – TFP Farreals (conceito); Kohn Pedersonn Fox Associates (conceito & projeto); BIAD-Beijing Institute of Architecture and Design (projeto e arquiteto legal); CITIC General Institute of Architectural Design (arquiteto legal)

Engenheiro estrutural – Arup, BIAD

    Engenharia Mecânica e Elétrica – Parsons Brinckerhoff, BIAD

Fonte: Revista O Empreiteiro

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