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Em tempo de protestos, a engenharia está quase sem voz

Enquanto esquenta o debate sobre o colapso da velha política com suas práticas condenadas — inclusive na Justiça —, surgem as nem tão novas figuras ansiosas em ocupar o vazio que se abriu, mas sem conseguir renovar suas desgastadas cartilhas, enquanto que novos personagens batalham para angariar recursos e tempo na TV — e conquistar as corações e mentes dos eleitores. Continuar lendo →

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A tecnologia como aliada da qualidade dos serviços públicos

O governo federal finalmente se rendeu ao formato BIM (Building Information Modeling) ao criar um grupo de trabalho para a sua implementação —inspirado no exemplo da Inglaterra, de olho na ecomomia potencial de 30% no custo das obras públicas se projetadas e construídas com o uso dessa ferramenta.
Outro exemplo esta na prefeitura de São Paulo, que vai retomar o projeto de parceria público-privada (PPP) para modernizar a iluminação de importantes bairros com LED — e instalando ao mesmo tempo câmaras de segurança para monitorar as áreas com problemas de segurança urbana.
É interessante lembrar que há empresas estatais que possuem a última palavra em tecnologia da informação no monitoramento das contas dos usuários e seus pagamentos, inclusive na coleta de dados dos medidores individuais nas ruas, mas que não utilizam esse mesmo tipo de tecnologia na gestão de suas obras.
Seria folclórico se nao fosse incongruente! Um dos modismos — os drones — pode muito bem acabar
com a eterna lengalenga na falta de efetivos do contratante no campo para fiscalizar o andamento das obras.
Assim como mapas de satélite permite ao governo monitorar os desmatamentos na Amazônia — numa escala macro —, os drones poderiam fiscalizar o andamento das obras públicas, nos três níveis da administração pública. Aliás, os órgãos contratantes nem precisam adquirir e operar os drones, porque já existem empresas especializadas neste serviço, que tiveram sucesso ao introduzir esse recurso nas
atividades de agronegócios e mineração.
O Ministério da Previdência passou a saber quanto tempo o cidadão ficava na fila para ser atendido no posto de saúde através de um software. As filas nos hospitais podem acabar se ogoverno tiver vontade política e recursos efetivamente aplicados — para tanto.
Os gestores públicos precisam deixar de lado o discurso dos tempos dos dinossauros — de que precisamos contratar mais funcionários – para atender a demanda crescente. As finanças públicas não suportam mais o acréscimo sem fim de mais funcionários.
A tecnologia da informação é um investimento que se faz uma vez, para obter mais eficácia com menos pessoal. O órgão público vai ter menos gente nos balcões de atendimento, mas o público vai usar app para buscar serviços.
As obras terão menos fiscais pessoas físicas com o uso de drones, com câmaras que fazem imagens periódicas e disponibilizam- as na internet, até para o púplico se o governo tiver coragem.
Além disso, os programas de softwares que atualizam diariamente o andamento dos trabalhos de construção executados, via dispositivos tablets e celular, vão fazer um monitoramento mais eficiente, até porque são imunes às interferências políticas.
A tecnologia não vai substituir o homem — mas vai tornar o seu trabalho mais eficiente.

Fonte: Revista O Empreiteiro

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É preciso recomeçar – e virar a página

Nunca, jamais nesse País, revolveu-se tanta lama — com os principais envolvidos no meio político ainda fazendo de conta que não é com eles. Mesmo a grave crise econômica não os demove da vontade de salvar a própria pele, custe o que custar. A política está tão carcomida que é quase impossível imaginar quem se manteve íntegro. Provavelmente ninguém.
Então vamos varrer pelo voto todos esses nomes que se valeram de seus cargos públicos para enriquecimento próprio, por décadas. Vamos aplicar a Lei da Ficha Limpa para quem quiser se candidatar no próximo pleito. Os agentes privados da economia que mancomunaram com eles, que sejam punidos conforme a lei. Precisamos concluir esse processo e virar a página.
Como será a nova política? Vão atuar novos personagens e talvez inexperientes, mas com o beneplácito
da dúvida de que podem acertar, mesmo com erros. Vamos recorrer aos meios empresariais e acadêmicos, em busca de novas figuras. Adotemos de forma extensiva a tecnologia da informação, de modo que possamos rastrear por meio eletrônico cada real pago pelo governo — nos três níveis. Quem quiser trabalhar no ou com o governo, já autoriza pleno acesso de seus dados bancários ao Tribunal de Contas.
Todos os contratantes públicos colocarão os seus contratos de obras e aquisições nos portais de Transparência, porque não existe fiscal mais competente do que a população. As obras terão que cumprir orçamento, prazo e padrões de qualidade conforme ABNT, e o executante terá que dar garantia pelos prazos estipulados pelo Código Civil.
O próprio Tribunal de Contas precisa ser repensado e as empresas de engenharia e seus quadros devem por em prática o chamado compliance. Imaginemos que velhos engenheiros estejam rindo, a essa altura, pela utopia aqui colocada. Mas a força maior que move a humanidade é o poder da renovação — porque o tempo não permite que nada fique estático e imutável. Tudo envelhece e acaba.
Chega o novo e existe a possibilidade — por pequena que seja — de que pode ser o início de outra era em termos éticos, em que o bem comum tenha mais valor do que o individual. Sem que isso seja privilégio de partidos políticos e governantes. Abaixo a velha política — viva o novo!

Fonte: Revista O Empreiteiro

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ISA colombiana retoma investimentos e avalia ativos

Depois de considerar resolvido o pagamento da indenização de R$ 3,9 bilhões devido à Cia. de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP), da qual é controladora, a estatal ISA arrematou no fim de 2016 três lotes de linha de transmissão em leilão, nos quais se comprometeu a investir R$ 1,14 bilhão, além de anunciar a compra de participação no controle da Taesa, por R$ 1 bilhão, ficando sócia da Cemig.
A ISA busca investir em outros ativos maduros ou novos e avaliou alguns da Eletrobras. Vai participar do próximo leilão de transmissão previsto para abril, quando serão oferecidos 34 lotes que demandarão inversões de R$ 12 bilhões.

 

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Planejamento a longo prazo e obras definitivas

O declínio previsível da velha política, praticada a base de conchavos em bastidores e troca de favores, ignorando a opinião pública, na maioria das vezes, deve abrir espaço para uma nova geração de gestores públicos que venham a se valer de ferramentas de administração que tiveram sucesso na iniciativa privada.
O alucinante ciclo de quatro ou oito anos — para suprir as carências de uma metrópole, Estado ou país, precisa ser substituído por planejamento que se estenda por décadas. Vamos nos limitar ao cenário de uma cidade, como exemplo, numa escala mais perceptível ao cidadão comum.
O transporte de massa necessariamente precisa ser basear no metrô e trens metropolitanos, com programas de obras que recuperem seu atraso de décadas. Numa data futura e não tão longínqua este modal precisa superar o transporte por ônibus nas regiões metropolitanas — mesmo que este ganhe melhorias como BRT e
veículos híbridos e elétricos. A prefeitura e o Estado não têm recursos para tanto? Vamos conceder as linhas a operadoras privadas.
As enchentes de verão e os deslizamentos de encostas instáveis somente serão vencidos por estudos de
engenharia que indiquem obras definitivas para superar esses fenômenos. Cidades que sofrem com enchentes recorrentes em vários países têm recorrido à escavação de túneis profundos de grande diâmetro, para estocar o excesso d’água, que é liberado aos poucos. O exemplo mais antigo talvez seja Chicago, nos Estados Unidos.As áreas de risco do ponto de vista geológico podem ser mapeadas por drones que produzem fotos georefereciados, servindo- se de base de estudos de campo para os projetos e as obras
de estabilização. Em ambas as áreas, há empresas de engenharia competentes para articular os programas de curto e médio prazos, dimensionando as obras definitivas. É o fim de medidas paliativas como as placas que indicam os locais de enchentes em São Paulo.
Segurança hídrica é outro ponto nevrálgico das cidades brasileiras, visando garantir o abastecimento d’água. Mais uma vez, o estado e as prefeituras precisam contratar empresas de engenharia para projetar as obras de médio e longo prazo. Há de se incentivar sistematicamente o reúso d’água — ainda a solução mais sensata — inspirando-se no exemplo de Cingapura, a cidade-Estado onde 30% da água consumida é de efluente reciclado e esterilizado.
Enfim, soluções definitivas existem e estão na prateleira. A gestão pública precisa planejar a longo prazo — e não apenas em vencer a próxima eleição, daqui a quatro anos. As despesas de custeio da máquina administrativa precisam ser reduzidas, substituindo o aumento puro e simples dos quadros de funcionários pela implantação de sistemas de tecnologia de informação. Os programas de investimentos precisam receber mais recursos.
A velha política está na berlinda. Os protestos vão voltar às ruas a partir de março; a população cansou
de esperar.

Fonte: Revista O Empreiteiro

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Fazer boa gestão requer disciplina e competência

Quando a delegação australiana se recusou a ocupar os alojamentos que lhes foram destinados na Vila Olímpica, no Rio de Janeiro, lamentamos que ali não se tenha recorrido ao projeto eletrônico na modalidade Building Information Modeling (BIM) no gerenciamento do conjunto dos serviços. Ao invés disso, decidiu-se deixar a execução dos acabamentos à responsabilidade de empresas subcontratadas — terceirizadas e até quarteirizadas -, cuja única ferramenta de gestão e de controle de qualidade se resumiu à simples observação e acompanhamento a olho nu. Pior ainda: não houve nem sequer notícia de uma inspeção final a cargo do consórcio construtor para a entrega das chaves.

O estado calamitoso da economia brasileira, quando o governo interino assumiu, foi também reflexo do resultado de gestão temerária: deu-se pouco caso aos agentes tradicionais do mercado, e houve intervenções atabalhoadas em setores estratégicos, como o de energia. Este possuía um modelo que, embora longe de ser perfeito, vinha funcionando. Contudo, o comportamento mais grave do governo anterior foi gastar mais do que a arrecadação permitia; aparelhar a máquina administrativa e não combater a corrupção.

O novo governo tem desafios monumentais pela frente, começando pela retomada das obras de infraestrutura. Para tanto, lança uma nova chamada à iniciativa privada, para que compareça em massa às rodadas das novas concessões de serviços de infraestrutura, iniciando essa tarefa pelos aeroportos de Florianópolis (SC), Porto Alegre (RS), Salvador (BA) e Fortaleza (CE), cujas funcionalidades, investimentos e modernização passarão para operadores privados. Para tanto, o governo vem acenando com prazos mais alongados de investimentos, regras mais claras e amigáveis, incentivando o ingresso de novos players. A abundante liquidez do mercado global e os juros próximos a zero das economias desenvolvidas podem atrair maior número de investidores ao País.

A reforma da máquina administrativa também está na agenda do governo interino. E não deve tratar-se apenas da abertura de concursos para contratar novos quadros. A intenção é requalificar os gestores através de treinamento, uso de softwares de gestão para dar rapidez e qualidade às informações e às decisões; blindagem contra interferências político-partidárias, contratação de empresas privadas de consultoria para estudos e projetos (até o nível executivo) e gerenciamento técnico da execução das obras.

O governo, em suas várias instâncias, precisa superar o ranço da relação de amor e ódio ao investidor privado. Até os países desenvolvidos veem as concessões e PPPs como caminho para a modernização da infraestrutura, diante do baixo crescimento relativo das economias maduras e do custo crescente com saúde, educação e aposentadoria. Não seria o Brasil a reinventar a roda nesta questão. O interesse público é defendido pelas agências reguladoras que fiscalizam as concessões e, para tanto, precisam ter autonomia de gestão. O lucro do concessionário privado faz parte do negócio.

A gestão das obras e empreendimentos deve ser confiada aos técnicos qualificados dos órgãos contratantes, que vão recorrer às empresas privadas de engenharia do mercado para necessidades específicas. Projetos executivos detalhados terão que ser obrigatórios para obras a licitar, já que custam menos de 5% do valor do empreendimento. Empresas que deixam de executar uma obra pelo preço orçado, no prazo e na qualidade regida pelas normas, devem ser excluídas das futuras licitações. Urge acabar com a indústria dos aditivos contratuais.

A Lei 8.666/93 deve voltar à plena vigência, atualizada com as reformas em curso no Congresso, descartando-se o famigerado Regime Diferenciado de Contratações (RDC), que só favoreceu possibilidades de desvios. Convém Introduzir com urgência o sistema eletrônico BIM nos projetos e licitações de obras públicas, conferindo-se transparência ao próprio projeto de engenharia, atrelado à atualização de custos e cronograma a cada alteração autorizada pelo contratante. O Exército brasileiro é pioneiro nessa prática e pode liderar o processo. A Inglaterra vem tomando todas as providências para que até 2017 o uso do BIM se torne obrigatório nas licitações de obras, o que deverá resultar em uma redução de custos finais da ordem de 20%.

Há uma lenda popular segundo a qual o melhor gestor é o português da padaria. Ele fica na boca do caixa. Poucos lembram que a padaria geralmente tem três sócios e cada um cumpre um turno de oito horas — porque os pães começam a ser preparados de madrugada. Resumindo: a gestão da coisa pública precisa ser feita também 24 horas por dia, num processo ininterrupto. Se houver 1% de inspiração, os outros 99% são de transpiração.

 

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Soluções transparentes para problemas recorrentes e obscuros

Dispositivos móveis na obra, um caminho irreversível e facilitador de acompanhamento de projeto

Agora que o Brasil está sendo passado a limpo, segundo palavras do presidente interino Michel Temer, gostaríamos de retomar uma questão que criticamos em inúmeras ocasiões. Toda vez que ocorre um atraso ou estouro de custo numa obra pública, a empresa de engenharia contratada costuma alegar que o projeto executivo estava incompleto e/ou omisso em determinados aspectos da obra, provocando prazo adicional de execução e incorrendo em gastos não previstos.

Um argumento clássico é a ocorrência de camadas geológicas ou rocha, ou redes de utilidades existentes no subsolo — que não foram identificados no projeto executivo. Outras vezes, o projeto executivo sequer existe e a licitação foi feita tomando como referência um projeto básico. O projeto executivo seria feito concomitante às obras, pela modalidade fast track — um caminho certo para estouros de prazo e custos.

O órgão contratante responde invariavelmente que a responsabilidade pelo atraso ou custo adicional é de responsabilidade da construtora, sem entrar no mérito dos problemas alegados por esta. O manto da confidencialidade costuma blindar o projeto do empreendimento e seus aspectos construtivos.

Existem duas soluções transparentes para esse problema recorrente e obscuro — mesmo sem resgatar o argumento clássico de que uma obra pública, feita com recursos públicos por um órgão público, não pode ser escondida do escrutínio da população.

Primeira: toda obra a ser colocada em licitação deve ter um projeto executivo detalhado pronto, como parte da documentação integrante do edital. Afinal, como se justifica omitir esta etapa se ela custa menos de 5% do valor da obra?

Segunda: o projeto deve ser eletrônico pela modalidade BIM (Building Information Modeling), que já se difundiu pelos países desenvolvidos. A sua qualidade mais elogiada é que disponibiliza todas as informações de forma clara e transparente, para todas as partes envolvidas na obra — que acessam com senhas os mesmos documentos, eliminando aquele clássico problema de plantas que não “conferem” por que são versões diferentes.

Outra qualidade do BIM destacada é a chamada “clash detection”, que identifica antecipadamente erros de projeto que demandariam retrabalho, paralisações e custos adicionais. Os gastos podem também ser inseridos e travados com as etapas das obras, de modo que qualquer modificação gera de forma automática uma atualização de custos. É o fim dos aditivos cuja paternidade ninguém assume, mas podem multiplicar o orçamento da obra, invariavelmente.

Já que estamos falando de tecnologias atuais, não podemos deixar de lembrar que câmaras fotográficas podem ser instaladas nos canteiros, programadas para fazer registros a cada 24 horas, por exemplo, que são enviadas pela internet a uma central. A obra é extensa demais? Então recorremos aos drones, que podem fazer fotos panorâmicas que serão processadas por um software da Bentley, que transforma estas imagens em nuvens de pontos georeferenciados.

Monitoramento diário das execuções por meio de drones, para dar satisfação pública do andamento das atividades

Em resumo, todas essas tecnologias são de prateleira e possuem tremendo potencial para acabar com as “caixas-pretas” que provocam atrasos no cronograma e estouros no orçamento das obras. É claro que existe resistência ao uso dessas tecnologias, que vão eliminar de vez com as chamadas “mutretas”. Mas se a engenharia brasileira quer sobreviver à política, ela vai ter que lutar pelo uso obrigatório e sistemático dessas tecnologias que primam pela transparência de informações. O velho ditado diz que “quem não deve, não teme”.

A plataforma BIM tem comprovado resultado na eliminação de retrabalho, paralisações e custos adicionais em construções

Fonte: Revista O Empreiteiro

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Construção industrial ergue as fábricas que sustentam a economia


Projeto S11D, da Vale, uma das grandes obras privadas em andamento no País

A revista O Empreiteiro publica pela primeira vez o exclusivo Ranking da Construção Industrial, tendo como parâmetro a metragem construída coberta das obras industriais concluídas ou em curso no triênio 2013-2015, considerando fábricas, shoppings centers, centros logísticos e complexos afins, como os de mineração. Estão no ranking tanto as construtoras, como projetistas e gerenciadoras e empresas de montagem industrial.

Esta iniciativa quer dar uma distinção há tempos merecida para o segmento de construção industrial, que ergue as fábricas e complexos industriais no País produzindo uma infinidade de bens – duráveis, de capital e produtos de consumo — essenciais para movimentar a economia brasileira e sustentar a qualidade de vida da população.

A cadeia de produção da construção industrial envolve milhares de fornecedores e prestadoras de serviços, onde marcas conhecidas em âmbito nacional convivem com fábricas e empresas locais dedicadas ao ramo, criando uma concorrência estimulante que propicia o desenvolvimento das fronteiras econômicas regionais.

Esses complexos industriais, por sua vez, atraem para o entorno de si sua cadeia de fornecedores, nascendo aí polos econômicos que possibilitam crescimento local sustentável. Um exemplo clássico é Camaçari, na Bahia; os complexos de mineração em Carajás, no Pará; Suape e, mais recentemente, Goiana, ambos em Pernambuco; e os novos polos industriais no interior de São Paulo.

Aqui cabe lembrar à necessidade inadiável de se estruturar uma política industrial para o País como um competidor do mercado global, hoje dependente de poucos setores, como minério de ferro, agronegócios e celulose e papel. É preciso repensar o que o Brasil será nas próximas décadas como potência industrial, numa economia global irreconhecível em termos de transformações rápidas, após a China se transformar numa “fábrica global”, a Índia em plena decolagem e, por outro lado, os países industrializados se defendendo com unhas e dentes…

Ocorre-nos o exemplo da Inglaterra, que teve sua siderurgia sucateada e indústrias mecânicas seriamente ameaçadas nas décadas passadas. Mas o país e seus empreendedores souberam cultivar nichos de alta tecnologia, onde empresas britânicas dominam e podem influir nos preços.

A Inglaterra coloca poucos obstáculos ao ingresso do capital externo, que já controla, por exemplo, as melhores marcas de automóvel. A alta tecnologia está tão solidamente estabelecida no país que os melhores times de Fórmula 1 têm as suas sedes de desenvolvimento do monoposto na Inglaterra, pela facilidade em acessar fontes para ligas exóticas e mecânica de altíssima precisão, além de engenheiros experientes. O “Made in Britain” pode nos servir de inspiração.


Construção industrial é um segmento indutor de polos regionais

Fonte: Revista O Empreiteiro

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A infraestrutura na retomada da economia

Para sair da mais grave crise econômica de sua história – provocada por decisões equivocadas do governo —, as obras de infraestrutura terão papel crucial, a exemplo do que ocorre em países desenvolvidos e economias emergentes. No Brasil não seria diferente.

Na LINHA DO TEMPO DA INFRAESTRUTURA BRASILEIRA, encartada nesta edição que, na verdade, trata-se de uma reprodução de uma pesquisa exclusiva da revista O Empreiteiro, publicada em maio de 2011 acrescida de uma atualização no período de 2012 a 2015, podemos comprovar a contribuição efetiva dessas obras à expansão da economia brasileira ao longo de décadas.

Na capa desta edição que marca os 55 anos da revista, escrevemos que o “Brasil usufrui da infraestrutura construída pela Engenharia, tema esse que recebeu testemunhos de importantes figuras da nossa Engenharia, aqui publicados. Eles reafirmam ainda a necessidade de que a Engenharia Brasileira seja preservada, enquanto Engenharia.

Essa questão nos remete a uma mobilização inadiável das comunidades de engenharia e instituições representativas, no sentido de devolver aos engenheiros e técnicos a gestão da infraestrutura, nos três níveis de governo, afastando a ingerência política e práticas antiéticas que, invariavelmente, resultam em obras licitadas sem projeto executivo, prazos e custos irreais, aditivos sucessivos e paralisações recorrentes, sem que esses empreendimentos devolvam à população um mínimo de retorno e benefícios.

Os órgãos públicos contratantes precisam ter seus quadros técnicos revitalizados e ampliados, pondo fim ao aparelhamento político e seus tentáculos típicos de parasita. Convoca-se no mercado as empresas projetistas para se detalhar os projetos executivos que farão parte dos editais de licitação. Um segundo projetista pode ser contratado para validar o projeto executivo e gerenciar a execução, representando o órgão contratante — uma prática comum nos EUA.

A licitação vai seguir a lei 8.666, que já merece aperfeiçoamentos. O RDC deve ser descartado de imediato, porque todo regime de exceção cria espaço para práticas antiéticas. Os órgãos contratantes terão que postar os editais, os julgamentos e os resultados das licitações no internet. A sociedade não suporta mais ser ignorada.

A execução das obras será garantida mediante performance bond contratado pelas construtoras, de modo que as seguradoras também terão técnicos no monitoramento dos trabalhos.

As concessões e PPPs devem se inspirar nos exemplos da Inglaterra e Canadá, com contratos e regras claras e quase padronizadas, conhecidas no mercado global de engenharia, e sem querer restringir o ganho de quem for investir capital de risco. Não precisamos reinventar a roda a cada edital. Aliás, as empresas de consultoria poderão ser contratadas para estruturar todo o processo de concessão ou PPP, com mais celeridade e conhecimento.

O verdadeiro desafio da Engenharia Brasileira – neste novo ciclo que se abre para o País – é transformar as obras públicas em sinônimo de construção feita com qualidade, prazo e sem aditivos contratuais.

Fonte: Revista O Empreiteiro

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PPPS: Sem precisar reinventar a roda

Diferença de atendimento na saúde na Inglaterra e no Brasil, que uma bem sucedida parceria público-privada pode equacionar

A modalidade de parceria público-privada (PPP), também conhecida como P3 no exterior, continua sendo uma boa solução para empreendimentos de infraestrutura, que no seu sentido mais amplo inclui até a área de saúde em países desenvolvidos — já que a escassez de recursos públicos tornou-se um fenômeno global.

No Brasil, cada vez que se articula uma PPP o mercado já se prepara para alguns anos de estudos, formatações e questionamentos legais — até o certame ser formalizado. Muitas vezes o projeto fica no meio do caminho, por pura exaustão das partes privadas interessadas, perante a indecisão das contratantes públicas.

Cada PPP no Brasil nasce de um jeito, tem paternidade disputada por distintas agências, formatação legal “ousada” que abandona as trilhas de sucesso já experimentadas, restrições sobre retorno por parte dos investidores privados etc.

Resumindo, cada PPP é diferente da seguinte, numa sucessão de propostas inovadoras soltas no ar.

Especialistas são raramente ouvidos sobre as práticas do mercado. E o contratante público aqui insiste em ser dono da PPP, quando a própria designação implica que são diversos parceiros que vão estruturar um modus operandi de respeito mútuo e obrigações recíprocas.

A Inglaterra tem 24 anos de experiência e foi pioneira em projetos de PPPs na área da saúde pública, tendo realizado mais de 130 empreendimentos de sucesso, equivalente a um valor de capital de 12 bilhões de libras esterlinas. Esses projetos vão desde os gigantescos complexos médicos St. Bartholomew e Royal London Hospital, que representa a maior PPP realizada no país no valor de 1,1 bilhão de libras, até um residencial básico para terceira idade com suporte médico, valendo 2,8 milhões de libras.

A autoridade de saúde NHS – National Health Service, trabalhando com consultores privados, adquiriu extensa experiência desde 1991 na cadeia de atividades para especificar, comprar, contratar, obter funding e operar um projeto PPP. Uma peça fundamental são os contratos padrão, para reduzir custos e prazos. Outra é a massa crítica trazida por consórcios que reúnem arquitetos, engenheiros, construtoras, gerenciadoras de instalações, fornecedores de equipamentos médicos e agentes financeiros.

Em 1991, o governo britânico aprovou a modalidade PPP; em 1996, foi assinado o primeiro contrato para projetar, construir, financiar e operar um hospital de 1 mil leitos em Norwich; em 2001, o hospital de Norwich foi concluído dentro do orçado e cinco meses antes do prazo. Pasmem!

Em 2006 foi o ano em que se contratou a maior PPP da área hospitalar, envolvendo St. Bartholomew e Royal London Hospital, que tem prazo para entrega previsto para este ano. Já em 2012 havia mais de 130 projetos, em obras ou concluídos, de PPPs de saúde aprovados desde 2001.

Conclusão: a PPP funciona até na complexa área de saúde, na Inglaterra, onde o foco é a qualidade do serviço prestado aos pacientes, ficando a operação das instalações físicas em segundo plano. Vamos nos inspirar no exemplo britânico, sem precisar reinventar a roda.

Fonte: Revista O Empreiteiro

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