Aditivos recuperam barragem de concreto em Pernambuco

 

A Barragem de Jucazinho, no Agreste de Pernambuco, passou por obras de renovação e reparos essenciais depois de identificadas fissurasna estrutura de concreto. Uma gama de produtos cristalizantes foi utilizada para tornar a estrutura de concreto impermeável.

Construído em 1998, é o maior reservatório de Pernambuco, com70 m de altura e 430 m de largura. Responde pelo fornecimento de água para cerca de 800 mil pessoas de 15 municípios da região.

Mas, no início de 2016, a barragem praticamente secou, em decorrência da pior seca dos últimos 60 anos no Estado. Agora, preparada para o período de chuvas, atingiu em abril último 6,2 milhões m³, da sua capacidade total de reserva de 327 milhões m³.

“O clima muito seco e as chuvas esporádicas causaram muitas infiltrações pelas fissuras e juntas da estrutura de concreto da barragem, que foi se deteriorando, com descamação parcial de suas superfícies”, conta o engenheiro Cláudio Ourives, diretor-executivo da Penetron Brasil.

Assim que as chuvas retornassem, a estrutura desidratada poderia se romper, pondo em perigo cidades próximas. O diagnóstico foi feito em 2013 pelo governo estadual, em relatório que recomendou a reparação dos muros de concreto e das galerias de drenagem da barragem.

Os especialistas da Penetron Brasil trabalharam com o Departamento Nacional de Armazenamento de Água (DNOCS) para encontrar uma solução adequada de reparo e renovação. “Fizemos cuidadoso exame das paredes de concreto danificadas e das galerias de drenagem. Optamos por sistemas projetados para uma aplicação eficaz, com excelente aderência do material projetado, bem como outros tratamentos por cristalização superficial aplicados por pulverização”, explica Ourives.

SOLUÇÕES

Os trabalhos de restauração começaram em janeiro de 2017. Para selar as fissuras e reduzir a permeabilidade da superfície, as paredes de concreto foram tratadas com combinação de produtos, incluindo PenetronInject Flex, resina de poliuretanto flexível; Peneseal Pro, selante líquido aplicado por pulverização; e Patchline SM, argamassa cimentícia modificada por polímero.

A injeção da resina PenetronInject Flex foi usada para selar 6 mil m de juntas de concreto. Já o Patchline SM foi aplicado em mais de 20 mil m² das paredes da barragem, com uma espessura de 2cm. E o PenetronAdmix foi adicionado ao concreto projetado para melhorar seu desempenho e impermeabilizar as galerias de drenagem. Favoreceu a escolha dos produtos cristalizantes o fato de não serem tóxicos e isentos de compostos orgânicos voláteis (COVs).

O projeto de recuperação da Barragem de Jucazinho foi desenvolvido pela JLC Engenharia de Projetos e Consultoria, contratada pela Concrepoxi Engenharia, do Recife (PE). Seu diretor, o engenheiro Luiz Eduardo Cardoso, projetista de estrutura de concreto armado e protendido, explica que as estruturas fundamentais recuperadas foram as de paramento – parede vertical com variação de seção de 80 cm de espessura até 60 cm na crista da barragem.

“Havia um problema muito severo de lixiviação e carbonatação. O concreto compactado a rolo (CCR) do núcleo da barragem se mostrava altamente permeável e o conjunto manifestava uma série de infiltrações muito nocivas. Existia grande concentração de umidade, inclusive no túnel de inspeção para acesso ao sistema hidráulico”, diz.

O projeto contemplou a recuperação do paramento e, também, da base da barragem, o que foi feito com estacas injetadas. Já a recuperação do substrato foi complexa pela dificuldade de acesso e pelo trabalho realizado em temperatura altíssima – que chegava a 50°C e ainda com incidência de vento. Daí, a necessidade de especificação de um produto que pudesse ser ensaiado em laboratório, simulando o microclima local. A JLC Engenharia definiu a metodologia e o laboratório para os ensaios, que foi o Holanda Engenharia.

“A melhor solução foi o Peneseal Pro, selante líquido, para não só reduzir a permeabilidade do concreto, mas também toda a parte de reação dos silicatos com a pasta de cimento”, conta o engenheiro, apontando que o processo de lixiviação rouba hidróxido de cálcio não estáveis do cimento, gerando a carbonatação. Era preciso, ainda, recuperar o pH e criar uma estrutura que pudesse suportar toda a ação da pressão hidrostática, garantindo permeabilidade zero à estrutura.

As juntas longitudinais Fungenband foram substituídas por juntas em Ómega, que também eram pontos críticos de grande concentração e infiltração de água sob pressão. Além do tratamento do substrato, foi preciso atuar dentro do túnel. Em alguns trechos, o teto dessa galeria, estruturado a partir do CCR, já tinha desabado por processo de corrosão e falta de armaduras principais. Ele foi totalmente recuperado e as ancoragens refeitas.

“Utilizamos na reconstituição dessas seções, concreto projetado aditivado com o cristalizante PenetronAdmix. Esse cristalizante, além de se incorporar à estrutura do concreto, cria um sistema de impermeabilização e de proteção da armadura contra agentes agressivos, evitando novas corrosões. Esse aspecto ficou crítico porque havia vários veios de infiltração de água. O emprego do cristalizante associado a injeções de poliuretano trouxe resultados muito satisfatórios”, comenta. Avaliações pós-obra indicam que houve uma melhora significativa do comportamento da barragem, tanto estrutural quanto da sua vitalidade.

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Empreendimento pode puxar crescimento para região oeste

Uma cidade planejada segundo o conceito das smart cities da Ásia, Oriente Médio e da Europa seria viável em Pernambuco? O governo estadual diz que sim.Trata-se da Cidade da Copa, que deverá puxar o crescimento pernambucano para a região oeste do estado
Nildo Carlos Oliveira – Recife (PE)

Um grupo privado informa que já arregaçou as mangas para começar a construção. O planejamento está sendo elaborado e a área urbana dessa cidade moderna, que assimilará o conceito das smart cities, a exemplo de Masdar (Emirados Árabes Unidos) e Songdon (Coreia do Sul), ocupará área aproximada de 250 ha.

Ela nascerá ao pé do estádio Arena-PE, ao lado do município de São Lourenço da Mata, e ocupará 50 ha daquele espaço urbano. A construção se desenvolverá em várias etapas, ao longo de um período de 25 anos, e resultará de uma parceria público-privada, da qual o governo pernambucano participará com o terreno e com uma contrapartida financeira que dependerá da oscilação da receita da operação da Arena-PE.

O secretário estadual da Copa-PE, Ricardo Leitão, diz que a decisão para essa iniciativa foi adotada levando em conta critérios urbanísticos e econômicos. Nunca, segundo ele, a região oeste do estado teve tal oportunidade para crescer. Ela será, provavelmente, o quarto polo de crescimento em Pernambuco.

Ele informa que a região metropolitana do Recife, onde vivem mais de 3,5 milhões de pessoas, é formada por 14 municípios liderados pela capital. Ali está o polo central formado por Recife, Olinda e Jaboatão, no qual gravita tradicionalmente um conjunto de atividades empresariais, comerciais, administrativas e universitárias, e onde se formou e se fortaleceu o núcleo tecnológico local.

A partir daquele polo central, outro se desenvolveu rapidamente no entorno do Complexo Industrial e Portuário de Suape e no qual vem se registrando “um notável e intenso adensamento populacional”. Atualmente está ganhando corpo o terceiro polo. Fica na região Norte da região metropolitana e vem sendo impulsionado pela indústria automobilística, mais especificamente pela nova unidade da Fiat, ao lado da indústria farmoquímica, que está se transferindo para lá. A construção da unidade da Fiat já atraiu para a região mais de 60 outras fábricas afins, além de instalações de fornecedores de componentes diversos.

O governo, ao analisar a localização desses polos econômicos no mapa do estado, constatou ali uma imensa lacuna a ser preenchida: a região oeste, exatamente onde se situa o município de São Lourenço da Mata e, agora, o estádio Arena-PE. É uma região que está a pouco mais de 20 km do marco zero do Recife, do Aeroporto Internacional Gilberto Freyre (Guararapes) e do centro hoteleiro da cidade. Por ali se estende uma ampla área, propriedade estadual, favorecida por um sistema viário razoável, que poderá ser melhorado, em especial por causa das obras em andamento para a Copa do Mundo de 2014.

Ao examinar, com a sua equipe, o vazio econômico da região referida, o governador Eduardo Campos, neto do ex-governador Miguel Arraes, disse aos seus assessores: “Essa é a hora. Chegou a hora de puxarmos o crescimento pernambucano para o oeste”. Não houve quem discordasse.

A Cidade da Copa

O plano diretor da Cidade da Copa prevê a construção de 4.500 residências, unidades comerciais e empresariais, centro de convenções, hotéis, campus universitário e um complexo de entretenimento com cinemas, teatros, bares e restaurantes. Ela será dotada de um sistema de circulação pelo qual qualquer um de seus polos de atividades se tornará acessível, a pé, em menos de cinco minutos. Terminais integrados de ônibus e metrô permitirão que se chegue à cidade com facilidade.

O grupo privado, formado pelas empresas Odebrecht Participações e Investimentos e Odebrecht Infraestrutura, acredita que cerca de 100 mil pessoas circularão por ali diariamente. Marcos Lessa, diretor-presidente da Arena-PE, diz que aquele contingente populacional vai dispor de internet wi-fi em qualquer local. A cidade, segundo ele, será 100% cabeada com fibra ótica. Semáforos serão ajustados automaticamente conforme o fluxo de veículos, que também terão controle de posicionamento em tempo real.

Ricardo Leitão analisou o master plan que lhe foi apresentado pelo grupo privado. Ele acha que a Cidade da Copa não terá o caráter de uma cidade-dormitório. Ao contrário, ali seus habitantes poderão morar, trabalhar, estudar e praticar atividades de lazer. “Somente a Universidade de Pernambuco (UPE)”, explica, “deverá levar para lá um contingente de 15 mil a 18 mil pessoas, todos os dias. Assim, o campus dessa universidade, hoje disperso, estará juntando nossa população universitária em um só local”.

Em março, as obras da Arena-PE tinham chegado a 94% de realização. Estádio receberá três jogos da Copa das Confederações, em junho

“É uma saída”, salienta o secretário, examinando dados fornecidos pelo engenheiro José Ayres de Campos, diretor de investimentos da Arena-PE. Ambos concordam com o fato de que a população atual do Recife, de 1,7 milhão de habitantes, não tem para onde se expandir. Apesar disso, continua a aumentar, estimulada pela situação econômica do estado, que apresenta índices de crescimento superiores às taxas do crescimento nacional.

A Agência Estadual de Planejamento e Pesquisa de Pernambuco (Condepe/Fidem) informa que a construção civil alavancou, sozinha, a atividade econômica estadual, com um crescimento de 10,2% nos primeiros seis meses do ano passado. Na contramão desse desempenho, a agropecuária sentiu os efeitos da seca e registrou queda de 12,8% no semestre. Mas, além de contar com uma construção civil fortalecida pelo trabalho nas obras públicas, em especial aquelas da área da infraestrutura, o desempenho industrial também foi confortável: registrou crescimento de 6% nos primeiros seis meses do ano. Enquanto isso, o País, como um todo, amargava a retração de 1,2% na atividade industrial.

Esses dados, no entendimento do secretário Ricardo Leitão, justificam a iniciativa de se puxar o crescimento do estado para a região oeste, onde, por causa da Copa, o governo estará investindo, até abril próximo, R$ 710 milhões.

Em função dos eventos esportivos que estão no calendário, incluindo a Copa das Confederações, o estado corre para duplicar, por delegação do governo federal, a BR-408; constrói nova estação do metrô a 2 km da Arena-PE; está executando dois terminais integrados de passageiros para ligar a operação de ônibus estaduais com ônibus metropolitanos e municipais; e constrói um ramal que atravessará área da futura Cidade da Copa, a fim de conectar-se com aquela estação do metrô. O plano de obras viárias inclui os corredores de transporte para a ligação da região metropolitana com as regiões norte-sul e leste-oeste, de modo a atender, também, os usuários nas áreas próximas ao aeroporto.

Ricardo Leitão afirma que, hoje, “não há nenhuma obra, vinculada aos eventos esportivos internacionais, que não esteja em fase avançada de execução” e que a Cidade da Copa, tendo ao lado a Arena-PE, vai eliminar a lacuna que o governo pernambucano identificou no mapa do estado.

Fonte: Revista O Empreiteiro

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Construção da Adutora do Agreste pode começar em janeiro

Em licitação, primeira fase do projeto temcusto estimado de R$ 1,2 bilhão

População total: 8,8 milhões de habitantes (185 municípios)
Participação do estado no PIB nacional (2009): 2,4%
67% da população com água tratada
16% da população com coleta de esgoto
27,7% do total do esgoto coletado é tratado

Fonte: IBGE e SNIS 2010.

A primeira fase do projeto da Adutora do Agreste, em Pernambuco, entrou em licitação em setembro e as obras podem ter início em janeiro do ano que vem. A Adutora do Agreste estabelece a construção de uma rede com 1,3 mil km de tubulações, para a difusão prevista de 4 mil l/s de água tratada. Com custo total orçado em R$ 2,3 bilhões, objetiva atender, quando totalmente concluída, 68 municípios, sendo 67 do agreste e um do sertão pernambucano. Estima-se que 2 milhões de pessoas serão beneficiadas.

O investimento da etapa inicial do projeto é de R$ 1,2 bilhão, com a construção de cerca de 400 km de adutoras de água, estação de tratamento, estações elevatórias e reservatórios. A primeira fase foi dividida em quatro lotes de obras e abrange 17 municípios: Pesqueira, Sanharó, Belo Jardim, Tacaimbó, São Caetano e Caruaru (primeiro lote, 111 km de adutoras de água tratada); Arcoverde, Alagoinha, Venturosa, Pedra e Buíque (segundo lote, 118 km); Tupanatinga, Itaíba, Águas Belas e Iati (terceiro lote, 99 km); e quarto lote (Toritama e Santa Cruz do Capibaribe, 62,9 km).

O projeto de um quinto lote de obras está ainda em fase de redação e incluirá os municípios de Bezerros, Gravatá, Brejo da Madre de Deus, São Bento do Una, Lajedo e Cachoeirinha, com 96,5 km de adutoras de água tratada. Os municípios restantes serão contemplados nas fases seguintes da obra.

Segundo o projeto da Adutora do Agreste, a água que a alimenta tem origem no Ramal do Agreste, que é uma derivação do Eixo Leste do Projeto de Transposição do Rio São Francisco. As obras de transposição, contudo, estão em andamento lento, e sujeitas a interrupções e falhas na execução. Portanto, a Adutora do Agreste só pode cumprir sua função se a transposição for efetivada. Sem ela, não tem nenhuma serventia.

*Em Petrolina (PE), investimento deve quintuplicar capacidade de reservação de esgoto

Arriscado? Roberto Tavares, presidente da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), uma das financiadoras do projeto, ao lado dos governos federal e estadual, minimiza os riscos. “Vamos fazer essa obra de forma sincronizada. Não podemos esperar a transposição do São Francisco ficar pronta para começar. Temos que confiar.” A busca da sincronia significa acelerar (ou reduzir) a velocidade dos trabalhos da adutora conforme o ritmo das obras da transposição.

A primeira etapa da Adutora do Agreste tem dois anos para ficar pronta, mas o projeto total pode levar de 10 a 15 anos.

Esgotamento sanitário

Na área de esgotamento sanitário, um projeto bilionário, ora em licitação, visará o aumento da capacidade da rede coletora de esgotos da região metropolitana do Recife dos atuais 30% para 90%, em 12 anos. O investimento previsto é de R$ 4 bilhões, num total de 15 municípios e 3,7 milhões de pessoas, através do sistema de parceria público-privada (PPP). Segundo Roberto Tavares, presidente da Compesa, a empresa que vencer a concorrência será responsável pela operação, manutenção, recuperação e ampliação da rede. A expectativa é de que a obra tenha início no segundo semestre do ano que vem. Para o Instituto Trata Brasil, que analisa a estrutura do saneamento básico do País, o estabelecimento de PPPs favorece a resolução dos problemas da Grande Recife. “A entrada do setor privado tende a resolver a questão mais rápido”, elogia Édison Carlos, presidente do Trata Brasil.

Em Petrolina, município que ocupa a 67ª posição do Ranking do Saneamento do Trata Brasil, com as 100 maiores cidades do País, projeto já em andamento deve quintuplicar a capacidade de reservação, em sua nova estação de tratamento de esgoto. Também se trabalha no município na troca ou implantação de novas redes, numa extensão de 100 km. O investimento nos serviços é de R$ 655 milhões.

Pernambuco é, hoje, o quarto estado do Brasil que mais investe em saneamento. Segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento 2010 (SNIS), do Ministério das Cidades, foram R$ 582,8 milhões investidos no setor naquele ano. Porém, o alcance de índices mais satisfatórios dependerá de um esforço ainda maior. Segundo o SNIS, dos 185 municípios pernambucanos, há rede de esgotos em apenas 32, ou disponível só a 16,1% do total da população.

Fonte: Padrão

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A educação é o maior desafio

Valmar Corrêa de Andrade*

OBrasil sempre foi visto como uma nação exótica de terceiro mundo e muito distante das atividades da elite dos países desenvolvidos. Seus principais produtos de exportação se concentravam em café, açúcar, carne bovina e imagens de Carnaval, natureza nativa e pobreza (do Sertão Nordestino às favelas do Rio de Janeiro). E essa exportação sempre foi mais baseada na quantidade, baixos preços, que na qualidade. A fraqueza era também refletida por instituições democráticas ainda não consolidadas, o que em parte explica, aos olhos do mundo desenvolvido, termos mergulhado vinte anos sob o comando dos militares para nos livrarmos de movimentos da esquerda, mundialmente ligados ao comunismo.
Após esse período, vários presidentes escolhidos democraticamente tentaram, com planos miraculosos, nos livrar das dificuldades econômicas que ainda tínhamos até pouco mais de uma década: superinflação, dívida externa alta, alta concentração de renda, entre outros. Durante as últimas duas décadas as gestões dos governos federais investiram nos ajustes que o país precisa para sair da condição de "País do futuro" (dito por Stefan Zweig, 1941) para o "País do presente" (dito por Barack Obama, 2011)!
A visão internacional sobre o Brasil muda depois das mais novas gestões federais, especialmente com fatos sem precedentes em nossa história depois do último governo: as empresas brasileiras saem da condição de meras fabricantes periféricas para empresas internacionais e passam a comprar empresas noutros países, incluindo os desenvolvidos; pagamos a parte da dívida externa mais importante e famosa, com o Grupo de Paris, aquela que "jamais pagaríamos"; tornamo-nos autossuficientes na produção de petróleo, pelo menos em quantidade; aumentamos enormemente o nosso volume e pauta de exportação; fomos protagonistas diretos, porque que não um dos líderes, da nova ordem econômica mundial, com a criação, por exemplo, do G-20; recebemos reconhecimentos, além de selos técnicos como o investment grade, pela confiança de que o País está pronto para sediar os principais eventos esportivos do mundo, a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e a Olimpíada de 2016, mesmo disputando com potências mundiais como os Estados Unidos da América. Mas o mais importante dessas conquistas, que segue uma lista um pouco maior que a citada, foi a de tirar milhões de brasileiros da pobreza e até da miséria extrema. Avançamos também em Educação com, por exemplo, a expansão sem precedentes do Ensino Superior para o interior do Brasil.
E Pernambuco? Como está nesse cenário? Simplesmente figura entre os mais prósperos estados do Brasil em termos de crescimento econômico. Não por acaso, Pernambuco tem uma história marcada por lutas desenvolvimentistas, muitas vezes reprimidas por forças mais conservadoras, seja do Império ou da República. O estado, que já dividiu o posto de mais desenvolvido do Brasil com o Rio de Janeiro, na época a capital do País, teve o sentido de desenvolvimento adormecido por quase um século, mas como uma semente dormente que ainda guarda o gene do progresso e germina ao menor sinal consistente de crescimento, abraçou as novas oportunidades genuinamente promissoras.
Desde os estudos e discussões com técnicos nacionais e internacionais, em iniciativas como a da Embrapa, de produzir vinho e frutas tipo exportação no alto sertão nordestino, no Vale do São Francisco, tendo Petrolina como principal referência, passando pela mão-de-obra que produz confecções para todo o Brasil no agreste central, até os novos desenvolvimentos próximos ao litoral. Ali, Pernambuco já tinha conquistado belezas naturais como Fernando de Noronha e promovido um importante "porto" turístico, o Porto de Galinhas. A natureza deu ao estado outro porto, ainda mais importante, quando colocou no litoral pernambucano uma raridade, o Porto de Suape. A capacidade de receber os maiores navios que chegam ao Brasil só é comparada a do Porto de Santos. Sendo Pernambuco muito mais próximo de portos da Europa e Estados Unidos, além da África, o seu apelo econômico para receber a grande parcela de navios do mercado internacional para o Brasil só não é maior porque o mercado consumidor e exportador mais intenso do país está na região sudeste, onde fica o Porto de Santos.
No entanto, a descoberta real, por parte de empresas nacionais e internacionais, dessas condições do Porto de Suape, já renderam a atração de várias empresas de grande porte e mais de cem empresas de porte médio apenas para esse local. É importante enfatizar que entre as empresas de grande porte temos algumas que atraem outras de sua cadeia de produção, mais empresas e até novos polos, como a refinaria de petróleo Abreu e Lima, o moinho da Bunge e o estaleiro Atlântico Sul. Que podem resultar em desdobramentos extensos como um polo petroquímico na região.
No rastro do desenvolvimento do interior, como o polo de confecções já mencionado e um aumento do poder econômico da população que vive lá, temos empreendimentos particulares importantes na Zona da Mata central, como as fábricas da Sadia e da Kraft Foods, em Vitória de Santo Antão. Vale ressaltar também a instalação da Perdigão em Bom Conselho. O que deve alavancar ainda mais atividades envolvendo agronegócios no interior. Falamos, até agora nas conquistas que já estão em funcionamento, ou quase instaladas, no estado.
No entanto, maior progresso ainda deve vir dos novos projetos que foram destinados ao estado numa parceria entre os governos estadual e federal. Um desses é o polo de hemoderivados a ser implantado na Zona da Mata norte, antes região só de cana-de-açúcar, que receberá fábricas como a estatal Hemobras e internacionais como a poderosa Novartis. Mas o epicentro da bola da vez no estado deve se concentrar nas proximidades da cidade de Salgueiro, devido a mais uma vantagem natural ainda não explorada. Salgueiro foi calculada como o centro geologístico do nordeste do Brasil, equidistante de aproximadamente 560 km dos maiores centros produtores e consumidores da região. Por ali passarão dois importantes empreendimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC): a ferrovia Transnordestina e o Canal da Transposição do Rio São Francisco.
As mudanças nessa região já começaram a ser sentidas com o início das obras, apesar do crescimento do número de hotéis e restaurantes não se encontra facilmente vagas: de Custódia a Parnamirim. Quando prontas e em funcionamento, essas obras vão fazer do porto seco de Sagueiro polarizado com o Porto de Suape, o eixo de circulação de mercadorias mais importantes do Nordeste. Os canais de transposição do São Francisco permitirão uma maior perenidade e controle de águas no sertão, podendo potencializar o desenvolvimento de uma nova agricultura para a região, tão forte e maior que foi sentido por Petrolina, num futuro mediano de mais vinte anos. A Embrapa junto com outras instituições regionais já estuda o desenvolvimento de culturas não nativas de alto valor agregado para os agronegócios no sertão. Até o segmento industrial está aportando em Pernambuco: a indústria automobilística, com a instalação de uma fábrica da Fiat em Suape.
Apesar de todas essas oportunidades, temos grandes desafios a enfrentar para não deixarmos nenhuma possibilidade de retorno ao subdesenvolvimento. Um deles é a Educação: como qualificar milhões de jovens, e até mesmo de adultos, com as condições que tínhamos? Pelo longo período sem estrutura e sem cultura educacional adequadas, especialmente no interior do Nordeste, e os saltos que a economia do estado está dando, precisamos qualificar milhões de jovens com qualidade e em pouco tempo! Se for para poucos terá o efeito de alguns pingos de chuva caindo na terra seca e quente do sertão: bate e evapora, não resolve.
E as universidades, como estão diante desses desafios? Estão empenhadas em resolvê-los. Antes, todas as universidades do estado estavam concentradas no Recife: duas federais, uma estadual e uma particular/confessional. Hoje, temos universidades do leste ao oeste do estado. E no meio do estado? Essa demanda foi atendida pelas duas universidades federais mais antigas de Pernambuco: a UFRPE e a UFPE, parte já era fornecida pela UPE. Ao menor sinal de necessidade no interior a UFRPE instalou duas novas unidades acadêmicas: uma em Garanhuns e outra em Serra Talhada. A UFPE seguiu os mesmos passos instalando centros acadêmicos em Caruaru e Vitória de Santo Antão. Os Institutos Federais de Educação, liderados por um em Recife e outro em Petrolina, também procuraram atender a demanda com reforço e novas instalações no interior.
Como está a Ufrpe neste cenário? A Universidade Federal Rural de Pernambuco é a mais antiga universidade no estado, tem sua origem completando 100 anos em 2012. Atua no Ensino Médio e Técnico através do Colégio Agrícola Dom Agostinho Ikas (Codae), no Ensino Superior e na Pós-graduação com a sede, no Campus Dois Irmãos em Recife, e as duas unidades acadêmicas já mencionadas, a de Garanhuns e a de Serra Talhada. Outra unidade, a mais nova da Ufrpe, também atuando em graduação e pós-graduação, é a Unidade Acadêmica de Educação a Distância e Tecnologia. Todo esse conjunto responde por mais de 20 mil estudantes em formação.
Em apenas uma década, aproximadamente, a Ufrpe aumentou o número de estudantes de aproximadamente sete mil para o patamar atual. A maior concentração de alunos está na capital pernambucana, mas uma parcela considerável já está sendo formada no interior, com uma distribuição geral que vai do Recife a Afrânio (extremo oeste do estado), parte em unidades e parte em polos de Educação a Distância. Os dois fatos novos que mais ajudaram nessa ampliação do número de vagas foram: o Reuni (Programa do Governo Federal de apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das universidades federais) e a Educação a Distância (com 28 polos no interior do estado e do País).
Os cursos de graduação vão da área de agrárias, a vocação original da Universidade, até áreas tecnológicas, passando por várias outras de humanas, sociais aplicadas, biológicas e exatas. Procurando atender também a sociedade pela necessidade de novos profissionais. A alta qualificação do quadro da UFRPE oferece um corpo de professores com 97% de mestre e doutores!Além dos avanços que a Ufrpe já realizou para resolver as questões de formação, pesquisa e extensão na sociedade pernambucana, continua a estudar e realizar planos de vencer os desafios atuais e os que estão por vir na região, contribuindo efetivamente para o desenvolvimento da sociedade, educação, cultura e inovação tecnologia em Pernambuco e noutros estados do Brasil.

*Valmar Corrêa de Andrade é engenheiro, reitor da Universidade Federal Rural de Pernambuco.

Fonte: Estadão

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PORTO E COPA, as duas âncoras do crescimento

De um lado, Suape, que se consolida como centro logístico e industrial. Do outro, as obras da Copa, que poderão modernizar Recife. A sociedade local reivindica, no entanto, um crescimento contínuo, que independa de datas e eventos esporádicos

Nildo Carlos Oliveira

Ciclo de palestras regional, organizado pela revista O Empreiteiro e pela TOTVS, dia 2 deste mês (agosto), no JCPM Trade Center, Recife, expôs um conjunto de ideias, projetos e polêmica, que derivou para a via de mão única do interesse maior de Pernambuco: a necessidade de um crescimento organizado e contínuo, ancorado, atualmente, na terra e no mar: no porto de Suape e nas obras da Copa do Mundo 2014, que sinalizam com melhorias viárias, ferroviárias, rodoviárias, aeroportuárias e de transporte de massa.

Um palestrante deixou no ar uma reflexão: nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Sem um crescimento organizado, que estabeleça uma conexão de infraestrutura entre as duas âncoras, o porto corre o risco de se tornar um enclave – uma área rica, mas divorciada do resto do Estado.

A abertura do ciclo de palestras coube ao diretor editorial da revista, Joseph Young, que se manifestou sobre a oportunidade do encontro, a partir do qual O Empreiteiro vai costurando tendências e informações, tendo em conta o evento maior: o 2º Fórum Brasileiro da Construção, que OE/TOTVS articulam para o dia 27 de setembro próximo, no Espaço Apas, em São Paulo (SP). Ele foi seguido por Marcos Vinicius de Brito e Castro, que apresentou um perfil da TOTVS e a expectativa da empresa, na economia do País.

O empresário Gustavo Miranda, presidente do Sindicato da Indústria da Construção em Pernambuco (Sinduscon-PE), mostrou alguns aspectos da economia local, enfatizando a importância do porto, das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 1 e PAC 2) e do programa Minha Casa, Minha Vida, considerando que elas “refletem um cenário de mudança de um patamar histórico.”

Contou que o mercado imobiliário, como consequência do crescimento geral, vive momento de euforia: “A quantidade de opções de crédito, com os bancos voltando a financiar empreendimentos e as empresas maiores podendo ir à Bolsa para se capitalizarem, tem favorecido o mercado…”

O engenheiro Abel de Oliveira Filho, presidente regional do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco), concorda com Gustavo Miranda: “O segmento de consultoria de projetos nunca passou, nos últimos 25 anos, por momento de tanta demanda. É compreensível, nessa nova realidade, que até estejamos perdendo quadros para o segmento da construção e para o segmento do setor público, com a abertura de concursos. Os nossos quadros são muito qualificados, disciplinados, preparados e têm sido buscados em nossas empresas, que adotam diversas formas de atratividade para conservá-los.”

Primeira âncora

Frederico Amâncio, vice-presidente do Complexo Industrial e Portuário Suape, lembrou a história do porto, concebido há 33 anos, e cuja construção se deve à ação de vários governos. Criado segundo a concepção de um porto-indústria, veio recebendo ajustes ao longo do tempo e atualmente é uma estrutura integrada, com a proposta de não ser apenas uma porta de entrada para o desenvolvimento do Estado, mas um polo concentrador de grandes cargas para o País.

O Plano diretor 2030 elaborado para Suape estabelece metas de construção e ampliação para os próximos 20 anos. Distribui-se espacialmente por 13.500 ha, mas mantém uma área permanente de proteção ecológica. Sua dimensão corresponde ao tamanho de pelo menos sete dos municípios da Região Metropolitana do Recife. Ali trabalham 40 mil operários, 23 mil dos quais na Refinaria Abreu e Lima. No conjunto, incluindo os habitantes do complexo, a população é da ordem de 90 mil pessoas.

O plano prevê a construção de três novos terminais: o segundo terminal de contêineres (cais 6 e 7), que terá investimentos de US$ 181,68 milhões; o terminal para granéis sólidos na ilha de Cocais, cujas obras deverão custar US$ 262,45 milhões, e o terminal de grãos (8 e 9), com investimentos de US$ 166,67 milhões.

O píer de granéis líquidos-1 terá 330 m de extensão, dois berços para navios de 190 m de comprimento e 14 m de profundidade para atracação de navios de 45 mil t. O píer de granéis líquidos-2 contará com 386 m de extensão, dois berços para navios de 270 m e 14,5 m de profundidade para atracação de navios de 90 mil toneladas. Já o píer de granéis líquidos-3 se destinará à atracação de navios petroleiros com até 170 mil t, com calado operacional de 17 m. Para permitir a atracagem desses navios a profundidade do canal, hoje da ordem de 15 m, ela será aumentada para até 18 m. Além das obras de dragagem para esse fim, haverá reforço do molhe, sinalização do canal de acesso e outras melhorias do ponto de vista de logística para atendimento da Refinaria Abreu e Lima, ora em obras.

O complexo, segundo Frederico Amâncio, está consolidando Pernambuco como polo provedor de bens e serviços para as indústrias de petróleo, gás, offshore e naval. Ao longo de 30 anos de funcionamento atraiu mais de 100 empresas nos segmentos da siderurgia, refinaria e petroquímica.

Contraponto

O economista Alexandre Rands, presidente da Datamétrica Consultoria, interveio para destacar que Pernambuco, sejam quais forem as circunstâncias, não é uma ilha, incólume ao que acontece em outras regiões do País. Tanto assim que, quanto o Brasil sofre abalos econômicos, ele também sofre. E, diferentemente do que pensavam alguns economistas em épocas passadas, segundo os quais, quando ocorria alguma crise, os investimentos então previstos poderiam ser retomados com o mesmo fôlego e direção mais tarde, as coisas não são bem assim. Quando sobrevém uma mudança econômica, os projetos se perdem, são redirecionados ou deixam de ser implementados.

Foi que aconteceu com o projeto de um parque turístico concebido para ser implantado no litoral sul do Estado, de responsabilidade de uma empresa espanhola. Veio a crise, os ventos mudaram de direção e as empresas contratadas para construir o parque acabaram desmobilizadas.

Alexandre Rands acha que o Brasil continuará crescendo ao longo dos próximos dez anos, mas seu otimismo não vai ao ponto de considerar que tudo continuará no melhor dos mundos. Pondera que o Brasil é um país vulnerável, registra déficit nas contas correntes e que esse problema só não é maior porque “cresceram nossas exportações e os preços, nesse item, aumentaram.” Resumindo: se o País tiver uma crise de preços nas exportações de commodities, a situação se tornará desconfortável.

Em sua avaliação, Pernambuco, nesse cenário, continuará crescendo. Ele citou o fato de que os investimentos de Suape são da ordem de US$ 22 bilhões. E, como os investimentos dos grandes projetos no Brasil somam R$ 46 bilhões, esse fato pode levar ao raciocínio de que Pernambuco vai se tornar a grande potência do Nordeste. “Não é bem assim”, reflete o economista, salientando que Pernambuco sequer chegará perto da Bahia, que vai continuar sendo o maior Estado da região, embora tenham renda per capita similar.

Gustavo Miranda, presidente do Sinduscon-PE, também interveio na discussão. Entende que o governo pernambucano tem adotado uma política de descentralização de empreendimentos no Estado e que o grande mérito dessas medidas é não “focar apenas a dimensão de Suape”. Contudo, compartilha da visão de Alexandre Rands de que é importante que “não nos deixamos tomar por um excesso de otimismo”, pois “de Itamaracá à Paraíba, também há vida.”

Abel de Oliveira, presidente do Sinaenco, afirmou que a participação das empresas de consultoria de projetos em Suape ocorre de duas formas: “As grandes plantas, quando vêm para o complexo, já chegam com os seus projetos praticamente prontos. Contudo, quando os investimentos são realizados ali pelo poder público, a coisa muda de figura e as empresas locais conseguem participar.”

Copa, a segunda âncora

Amir Schvartz, secretário de Planejamento da Prefeitura do Recife e responsável pela Secretaria Extraordinária da Copa, falou do conjunto de obras de mobilidade urbana incluídas no projeto da construção da Cidade da Copa, que se situa no município de São Lourenço da Mata. Ela será um complexo, que não se limitará apenas à construção da arena, cuja construção é da responsabilidade da Construtora Norberto Odebrecht, que para esse fim firmou um contrato, na modalidade PPP, com o governo do Estado. É uma cidade, que deverá privar de todos os equipamentos urbanos e, futuramente, até de uma universidade. Contudo, a arena, dada a distância em que está situada – a cerca de 22 km do centro do Recife – tem sido duramente questionada pela população. Afinal, a cidade já dispõe de três estádios (usados pelos times locais Sport, Náutico e Santa Cruz), bem localizados, e poderia dispensar uma quarta arena, que vai depender de um conjunto amplo de infraestrutura para facilitar o acesso popular e custará R$ 532 milhões.

O secretário de Planejamento disse que a prefeitura ficou com a responsabilidade de executar diversas obras viárias, incluindo a via Mangue, iniciada em abril último, enquanto o governo do Estado passa a responder por diversas outras, incluindo o terminal integrado Cosme e Damião, em construção no município de São Lourenço da Mata, e a implantação de 52 km de corredores exclusivos do Transporte Rápido de Ônibus (TRO), nos eixos Norte-Sul, Leste-Oeste, além do Ramal Cidade da Copa, um investimento de R$ 476 milhões.

O Corredor Leste-Oeste vai da Praça do Derby ao terminal integrado de Camaragibe, atravessando a avenida Caxanguá, onde as paradas serão substituídas por estações. Com 12,5 km de extensão, esse corredor vai passar por 22 estações e atender aos terminais integradas da 3ª Perimetral, que será construída no cruzamento da avenida Caxangá com a General San Maertin.

O Corredor Norte-Sul vai do terminal integrado de Igarassu até a estação central do metrô, centro do Recife, passando pela PE-15, pelo Complexo de Salgadinho e pela avenida Cruz Cabugá, num percurso de 33,2 km.

Além dessas obras dos corredores, quatro viadutos vão cruzar a avenida Agamenon Magalhães, entre a ilha do Leite e o Parque Amorim. A previsão é de que até novembro próximo já estejam concluídos o estudo técnico e o projeto básico e executivo para a licitação dos quatro viadutos.

A vez de atualizar o metrô

O engenheiro Bartolomeu Carvalho, gerente regional de manutenção do metrô do Recife, disse que as obras atualmente em curso estão relacionadas com a Copa de 2014, embora as expectativas de ampliação da malha metroviária tenham em conta um horizonte mais amplo.

A configuração atual da malha da linha Centro define uma linha tronco que, partindo da Estação Coqueiral, onde se divide em dois ramais, atende Jaboatão e o ramal de Camaragibe. Com 20 estações e 29,3 km de extensão, o metrô transporta atualmente cerca de 190 mil passageiros/dia. Opera em via dupla e exclusiva com bitola de 1,60 m, com telecomando para controle de tráfego e de potência.

A linha Centro foi inaugurada na década de 1980 e atendia originalmente o trecho Recife-Jaboatão, com um ramal que a conectava com a Rodoviária. Em 2002 houve a ampliação do trecho Rodoviária-Timbi (Camaragibe). Durante a construção desse trecho, e por conta da pressão popular, cogitou-se do projeto de uma futura estação – exatamente onde hoje está em construção a estação Cosme e Damião, que se localiza a 1,5 km da arena da Copa. Deverá ser concluída em dezembro próximo.

O metrô dispõe também da linha Diesel, chamada de linha Verde, que funciona com oito estações entre Cajueiro Seco e Cabo, no município do mesmo nome. É operada com trens não eletrificados, que deverão ser substituídos, até a Copa, por trens modernos.

Abel de Oliveira interveio na palestra de Bartolomeu Carvalho e lembrou que, na década de 1960, o Brasil fez opção pelo sistema rodoviário. Por causa disso, desprezou a infraestrutura ferroviária então disponível. Salientou que embora o modal ferroviário exija investimento maior, no horizonte e na análise custo/benefício, ele se torna competitivo. Há uma malha ferroviária ampla no Recife e esse potencial deveria ser canalizado para resolver os problemas de mobilidade urbana local, “e não só para a Copa, que afinal poderá ser apenas um detalhe”.

Fonte: Estadão

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Crescimento precisa reduzir hiato social

A economia pernambucana cresceu, está mais moderna e diversificada, mas, nas próximas décadas precisará reduzir a desigualdade social

Marisa Marega

O Estado de Pernambuco, que está com altas taxas de investimento, de crescimento econômico e de emprego formal, reduziu o nível de pobreza absoluta. No entanto, os analistas acreditam que o desnível em relação à parte desenvolvida do País precisa diminuir.
A professora da Universidade Federal de Pernambuco, ex-secretária do Planejamento do Estado e do município do Recife, Tânia Bacelar, espera tempos melhores: "O Nordeste, nos últimos 50 anos, não foi bem. Não recebeu investimentos na maior parte do período e ficou para trás. Embora represente 27% da população do País, participa com apenas 13% do PIB nacional. Qualquer indicador social mostra uma grande diferença em relação ao Sul e Sudeste do Brasil.
Sobre os próximos 50 anos, ela diz: " O nosso maior desafio é que o Estado consiga se posicionar melhor no cenário econômico e, com isso, reduza seu hiato social. No começo deste século, os anos iniciais foram favoráveis. A política e economia nacionais ajudaram na mudança do perfil da elite política também. O discurso das elites mudou. Prevalece agora uma mensagem mais verdadeira. A região é portadora de grande potencial. O que falta é apostar nele. Nossa infraestrutura de acessibilidade ainda é muito falha. É preciso cuidar das estradas, ferrovias. Estamos engatinhando porque as grandes obras demoraram a chegar. As ferrovias são estratégicas no Nordeste. Elas precisam fazer toda a ligação com o potencial graneleiro da região central do Brasil".
Especialista com 20 anos de experiência vividos na extinta Sudene, Tânia direciona o raciocínio para um foco. "Espero que o Brasil veja o Nordeste de forma diferente. Não queremos ser uma região problema, visão construída pela antiga elite que usava a imagem do "problema" para se beneficiar. É importante na próxima década que haja uma revisitação do Nordeste. Não somos região problema, temos grandes potencialidades. Fará bem ao País essa releitura das potencialidades da região".
A primeira aposta em mudar a imagem veio do poder público. Nos últimos quatro anos, os investimentos do Estado cresceram 2,5 vezes. Entre 2003 e 2006, o governo local investiu, em média, R$ 680 milhões em obras de infraestrutura. No período de 2007 a 2010, ele conseguiu elevar esses aportes à média de R$ 1,7 bilhão de investimentos ao ano. Só no ano passado, foram autorizados gastos de R$ 2,7 bilhões.
A economia pernambucana recebeu uma injeção de R$ 46 bilhões em investimentos públicos e privados a serem aplicados até 2014. O Produto Interno Bruto (PIB) do Estado cresceu 16% em 2010, quase o dobro da média de outros estados. Hoje, a receita total de Pernambuco é de R$ 14 bilhões, impulsionada pela arrecadação de ICMS que cresceu 18,2% ano passado.

Déficit em infraestrutura
Tânia Bacelar, especialista em desenvolvimento econômico, analisa: "Do ponto de vista da indústria, o Nordeste vem ganhando espaço, principalmente, no litoral de Bahia, Sergipe, e aqui em Pernambuco, que é onde se concentram as novas indústrias. Há uma melhoria lenta, mas consistente na base industrial, inclusive por conta da boa localização estratégica face aos mercados da América do Norte e Europa, o que tem impulsionado a melhoria da infraestrutura portuária de Itaqui, Pecém, Suape, Aratu, etc ".
No entanto, ela alerta para as dificuldades que o Nordeste terá pela frente. " Estamos investindo nos déficits de infraestrutura. Antes, por muitas décadas, a convergência em infraestrutura era voltada para o Sudeste que concentrava o crescimento econômico. Por essa razão, a infraestrutura, como a de transporte, ainda é frágil em regiões que têm grande potencial. São porções do Nordeste pouco ocupadas demográfica e economicamente, como o cerrado do Oeste do Maranhão, o Sul do Piauí e Oeste da Bahia.
Outro problema é a água. No Nordeste oriental há um déficit hídrico que será parcialmente coberto com as obras em andamento. Essa desvantagem então, será amenizada. A transposição do São Francisco vai perenizar rios que eram intermitentes. A partir daí, com o solo fértil, poderá surgir uma nova fase produtiva na região. Petrolina, no Vale do São Francisco, é um exemplo de como o solo irrigado produz mais até que outras regiões do País. No Piauí, o sul tem uma das maiores ofertas de água do Brasil. A área tem grande potencial, terra boa, mas, falta ainda o investimento principalmente em infraestrutura".

Incentivo à produção do saber
Tânia Bacelar destaca que: O século 21 será o século do conhecimento, quando a produção de saber fará parte da economia criativa. Ela lembra que o segmento cultural nordestino tem uma riqueza diversificada que ainda não foi valorizada. " Precisamos de infraestrutura aí também. Apoio aos produtores culturais de bens imateriais. Na área de turismo, por exemplo, o modelo só valoriza as praias, e ao longo do tempo desprezou a produção cultural, o patrimônio do saber popular. Se o modelo não muda, haverá apenas valorização da natureza em detrimento do vasto patrimônio cultural que a sociedade produziu. Então, é preciso mudar ".

Mobilidade urbana e meio ambiente
Outras áreas levantam outras questões ligadas ao crescimento acelerado no Estado. " A mobilidade urbana é o aspecto mais visível dos problemas ligados à infraestrutura de Pernambuco diante da ocorrência de enormes engarrafamentos nas maiores cidades do Estado. Já estão sendo empregados investimentos para resolver o transtorno", aponta o professor Luís Henrique Campos, coordenador de estudos econômicos da Fundação Joaquim Nabuco.
Ele destaca a falta de discussão sobre o descompasso entre a localização da população sem emprego e a dos novos polos produtivos, o que gera pressão por fluxos migratórios definitivos ou pendulares. Essa realidade acaba por asfixiar a infraestrutura de áreas como saúde, educação e saneamento que não podem ser enfrentados apenas pelo poder local.
"No tocante à educação", afirma ele, " o poder público está fazendo grande esforço para aumentar a oferta de educação técnica e superior no interior do estado, bem como na qualificação profissional. Nesse ponto, os desafios estão em fazer com que os conteúdos dos cursos foquem necessidades locais, mas, mais ainda, em fixar o corpo docente e gerar pesquisa aplicada que possa ser rapidamente transferida ao setor privado".
Um segundo ponto que o professor Luís Campos aborda é a questão ambiental que, segundo ele, não está sendo levada em conta como deveria. "Foram reduzidas áreas de preservação e realizados investimentos que estão longe de ter consenso entre os cientistas. Com isso, estamos repetindo os erros cometidos no passado, de buscar o crescimento a qualquer custo. Os bons números da economia devem gerar otimismo, mas não desviar a atenção das contradições inerentes ao crescimento. Somente debatendo e criando saídas para essas contradições é que se conseguirá o desenvolvimento, ou, quem sabe, com grandes mudanças nas políticas públicas, um desenvolvimento sustentável."

Fonte: Estadão

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O futuro nos próximos 50 anos

Luis Henrique Campos*

Em 1955 o Padre Lebret em seu estudo sobre ações para a industrialização de Pernambuco já destacava a importância estratégica da localidade para a construção do porto e complexo industrial. Passados tantos anos, Suape ganhou uma importância para a economia estadual tal que sua dinâmica é determinante para o desempenho econômico.
O início do século XXI foi marcado por forte política de atração de grandes empreendimentos, tais como a M&G, a Bunge, os estaleiros, a refinaria e a petroquímica. Em estudos realizados pela equipe da Coordenação Geral de Estudos Econômicos e Populacionais (CGEP) da Fundaj, estimou-se que somente o estímulo da construção destas indústrias faria a economia Pernambucana crescer em torno de 2 pontos percentuais acima do crescimento nacional.
Contudo, estes estudos não capturam o principal efeito destes empreendimentos para a economia regional, isto porque não tratam da profunda transformação na oferta que se seguirá à operação das empresas.. Conseguiu-se atrair empresas que são capazes de arrastar um grande conjunto de fornecedores (os chamados efeitos à montante) e, com isto, a RMR terá uma estrutura econômica muito mais completa e complexa até o final da década corrente.
Uma economia com a complexidade que se desenha é capaz de romper com o ciclo vicioso de que somente se atraem investimentos com pesados incentivos. Em outros termos espera-se que a partir da próxima década a dinâmica econômica do estado possa ser mais vigorosa e menos dependente de ações do governo.
Os desafios então já são outros. Aprofundar a qualificação profissional e elevar a inovação tecnológica ampliando a integração universidades empresas são ações que já estão em curso, mas que precisam ser ampliadas. Ao mesmo tempo é preciso descentralizar os investimentos privados para evitar estrangulamentos ainda maiores na infra-estrutura e movimentos migratórios indesejáveis. Isto também vem sendo tratado, apesar de muito timidamente.
Finalmente, o desafio que menos se tem tratado é a necessidade de que estabeleçam ligações de suprimento das empresas entrantes com as já existentes no estado. No passado foram atraídas empresas que se tornaram enclaves na economia estadual, o que reduz drasticamente os efeitos positivos esperados de uma nova empresa.
Com alterações tão grandes na estrutura produtiva é difícil fazer prognósticos confiáveis de crescimento do PIB. Os dados mostram que se pode esperar os seguintes indicadores: i) o estado aumenta a participação no PIB nordestino e brasileiro, principalmente entre 2015 a 2025; ii) a formalização do emprego aumenta a padrões similares ao do sudeste; e iii) o setor de serviços torna-se mais baseado em atividades de alto valor agregado.

*Luis Henrique Campos é coordenador-geral de estudos econômicos e populacionais da Fundação Joaquim Nabuco.

Fonte: Estadão

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