A retomada no seguimento petroquímico

Compartilhe esse conteúdo

Outra obra, já em fase adiantada de construção, é o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), que será, segundo a empresa, “a primeira unidade petroquímica básica do mundo a utilizar petróleo pesado como matéria-prima”.

Um dos principais empreendimentos da história da Petrobras, a Comperj marca, em linhas gerais, a retomada da empresa em investimentos no segmento petroquímico. “Com essa retomada vamos transformar o perfil socioeconômico da região de influência desse empreendimento”, diz a direção da Petrobras. O empreendimento representa, também, a melhor opção para o crescimento da indústria petroquímica brasileira. No início da obra o investimento total previsto era de R$ 21 bilhões.

A concepção do projeto data de 2006 e previa uma capacidade de processamento de 165 mil barris/dia de petróleo pesado, de origem nacional, para a produção de petroquímicos básicos. De 2006 para cá, no entanto, o mercado de derivados de petróleo passou por algumas transformações, registrando um aumento da demanda de diesel e querosene de aviação, o que levou a Petrobras a reavaliar o projeto, no âmbito da revisão do seu Plano de Negócios 2010 – 2014, aprovado em julho de 2010.

Com isso, ela incluiu no projeto um módulo adicional, o que dobrará a capacidade de processamento originalmente prevista, de 165 mil barris/dia, visando à produção de petroquímicos básicos e também diesel e querosene de aviação, cujo consumo vem aumentando. Com isso, o empreendimento vai produzir a mesma quantidade de petroquímico que estava planejada, além de combustíveis de alta qualidade.

A localização do Comperj é privilegiada para o atendimento do mercado de combustíveis e petroquímicos. Está posicionado em um centro geográfico que tem condição de atender o Rio de Janeiro, principalmente, mas também São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. Além do que, terá facilidades de logística para acesso às principais rodovias do Sudeste e portos da região.

Outro aspecto que torna a construção do Comperj muito importante para a empresa e para o Brasil é a valorização do petróleo pesado produzido no País que, atualmente é, em grande parte, exportado.

O diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, esclarece que de “muito significativo na nova configuração do Comperj é que a Petrobras não desistiu de produzir e nem vai reduzir a produção petroquímica. E o Comperj não está mudando em função das descobertas de petróleo leve do pré-sal. Isto porque a proposição inicial de agregar valor ao nosso petróleo pesado continua”.

O Comperj vai processar petróleo pesado. A propósito disso, a direção da empresa informa que 60 % dos 14 bilhões das reservas atuais de petróleo da Petrobras são de petróleo pesado, sem considerar uma gota do pré-sal. Assim, mesmo com o pré-sal, o petróleo pesado ainda será abundante no Brasil para esta e as próximas gerações.

Todas as grandes empresas de petróleo do mundo operam de forma integrada, o que inclui as atividades de exploração, produção, transporte, comercialização, refino e petroquímica. A implantação do Comperj reforça o processo de integração com a petroquímica, que foi interrompido na década de 90, quando a Petrobras, que tinha participação forte no segmento, foi obrigada a se desfazer de ativos e vender participações que possuía. Com o Comperj e com a reorganização do segmento petroquímico do País, ela está caminhando novamente na mesma direção das grandes companhias de petróleo do mundo, segundo a direção da empresa.

O Comperj tornará ainda mais completa a transformação industrial do petróleo ao permitir a produção, diretamente e em um único local, de combustíveis, resinas plásticas e outros produtos de uso variado e de grande utilidade. No local onde está sendo construído o complexo estarão funcionando uma unidade de refino e primeira geração para a produção de petroquímicos básicos, denominada UPB, que irá refinar petróleo pesado e produzir Eteno, Benzeno, p-Xileno e Propeno; e um conjunto de unidades de segunda geração que irá transformar estes petroquímicos básicos em produtos, tais como estireno, etileno-glicol, polietileno, polipropileno e PTA/PET.

As indústrias de terceira geração, que provavelmente irão se instalar nos municípios vizinhos e ao longo do Arco Rodoviário do Rio de Janeiro, que também se encontra em construção, deverão transformar aqueles produtos em bens de consumo.

Atualmente, a produção de produtos petroquímicos é feita através do processamento da nafta, que é um derivado de petróleo obtido nas refinarias, e gás natural. No Brasil, a nafta é utilizado em três polos: Polo Petroquímico de Camaçari, na Bahia; Polo Petroquímico de São Paulo e Polo Petroquímico do Sul, no Rio Grande do Sul.

Além disso, no Polo Gás Químico do Rio de Janeiro – Riopol – os petroquímicos são extraídos do processamento do gás natural.

O Comperj está sendo construído em uma área de 45 milhões de m² no município de fluminense de Itaboraí, perto dos portos de Itaguaí (103 km), dos terminais de Angra dos Reis (157 km), Ilhas d’Água e Redonda (30 km), e é atendido por rodovias e ferrovias.

Obras no pré e no pós-sal

O plano de negócios 2011–2015 prevê investimentos em exploração e produção de US$ 108,2 bilhões, dos quais US$ 33 bilhões no pré-sal e US$ 75,2 no pós-sal. A maior parcela de recursos para o pós-sal se deve ao grande número de campos descobertos neste horizonte e que se encontram em fase de desenvolvimento da produção, principalmente na Bacia de Campos, enquanto os campos descobertos no pré-sal estão em fase de avaliação e projetos de produção. O desenvolvimento da produção, que inclui a construção de dezenas de sistemas submarinos, compreende também a construção de novas plataformas e dutos marítimos de escoamento, nos quais deverão ser investidos US$ 78 bilhões.

Foi ainda neste ano, que a Petrobras começou uma carteira de sete plataformas de produção em construção simultânea no Brasil, com capacidade total superior a 1 milhão de barris de petróleo/dia, o que representa 50% da produção nacional hoje. Todas serão instaladas em águas profundas da Bacia de Campos, entre 2011 e 2014, em campos produtores situados no pós

-sal. Para o pré-sal já foram encomendadas oito cascos de plataformas do tipo FPSO (a sigla em inglês significa unidade flutuante de produção, processamento, armazenamento e escoamento de petróleo).

A primeira – P-57 –, já foi instalada no Campo de Jubarte, na parte capixaba da Bacia de Campos, com capacidade para 180 mil barris/dia. A segunda é a P-56 que está concluída e em fase de testes de mar e será instalada no Campo de Marlim Sul, em frente ao litoral fluminense, com capacidade para 100 mil barris/dia. Estas duas foram construídas no Estaleiro Brasfels, em Angra dos Reis (RJ). Esta é a primeira vez que duas grandes plataformas de tipos diferentes (a P-56 é uma semi-submersível e a P-57 um FPSO) estão sendo montadas simultaneamente em um mesmo estaleiro.

Também no Estaleiro Brasfels está sendo construída a P-61, com capacidade para 100 mil barris/dia e início de produção previsto para 2013, no Campo de Papa Terra, na Bacia de Campos, que tem a participação de 62,5% da Petrobras como operadora e 37,5% em parceria com a empresa americana Chevron. O contrato para esta plataforma foi assinado em fevereiro de 2010 com o consórcio Floatec (KeppelFels e J.Ray MacDemort).

A P-61 será a primeira plataforma do tipo TLWP da Petrobras. Esse tipo de unidade de produção usa tendões verticais para a sua ancoragem, ao invés das linhas de ancoragem padrão. Além disso, pelo baixo nível de movimentos que recebe do mar, as árvores de natal (controle na cabeça dos poços) são secas e instaladas no convés da TLWP, ao invés de submarinas, como nas plataformas do tipo FPSO (sigla em inglês que significa plataforma que produz, processa, armazena e escoa petróleo) e semi-submersíveis. Também para ser instalada no Campo de Papa Terra foi encomenda ao Estaleiro Rio Grande, na cidade do mesmo nome no Rio Grande do Sul, a P-63, que é do tipo FPSO. Apenas o casco será produzido na China, os demais componentes (módulos) e a montagem final (integração) serão realizados no Brasil. Sua capacidade será de 180 mil barris/dia. O início de operação das duas plataformas está previsto para 2013.

Estas duas unidades estacionárias de produção (UEPs) vão operar em conjunto, com a produção da TLWP P-61 sendo toda processada e armazenada no FPSO P-63. O projeto Papa Terra vai utilizar, pela primeira vez no Brasil, um TLWP (plataforma que produz, mas não armazena petróleo) com um navio plataforma convencional do tipo FPSO, onde será armazenado o óleo produzido nas duas unidades.

No Estaleiro Atlântico Sul (porto de Suape, em Pojuca, Pernambuco) está sendo construída a P-55, que se destina à fase 3 do campo de Roncador, na Bacia de Campos. Com capacidade para produzir 180 mil barris, é uma plataforma do tipo semi-submersível e tem previsão de início de produção em 2012. Esta será a segunda deste tipo, inteiramente construída no Brasil. A primeira foi a P-51 que entrou em operação em janeiro de 2009 e está produzindo no campo de Marlim Sul, na Bacia de Campos.

As outras duas plataformas em construção são a P-58 e a P-62, que terão os cascos convertidos em Cingapura e os diversos módulos e a montagem final realizados no Brasil. A P-58 se destina ao Parque das Baleias, na parte Capixaba da Bacia de Campos e a P-62 será instalada no campo de Roncador, na porção Fluminense da Bacia de Campos. Ambas tem previsão de início de operação em 2014. A P-58 terá capacidade para produzir 180 mil barris/dia e a P-62 para 100 mil barris/dia.

Plataformas para o pré-sal

A Petrobras firmou contrato com a Engevix Engenharia para o projeto da construção de oito cascos de plataformas a serem instaladas na área do pré-sal, na Bacia de Santos. São unidades do tipo FPSO. Elas deverão ser instaladas a partir de 2014. Fazem parte de um total de 58 unidades de produção que a empresa quer instalar nas bacias de Campos, Santos e Espírito Santo, até 2020.

Estas plataformas são denominadas “replicantes”, porque serão construídas em série, com o mesmo projeto e, por isso mesmo, com grande redução de custos. Todas terão capacidade para produzir 150 mil barris de petróleo e 5 milhões de m³ de gás/dia. Destas oito unidades, sete estão sendo construídas pelo consórcio Petrobras, BG (Inglaterra) e Petrogal (Portugal) e uma pelo consórcio Petrobras, GB e Repsol (Noruega). A primeira a ser instalada deverá ser a P- 66, cuja construção do casco já foi iniciada.

Projeto piloto na Bacia de Santos

Com previsão para inicio de produção em 2012, o consórcio Petrobras, BG e Repsol deverá instalar na área de Guará, no pré-sal da Bacia de Santos, mais um projeto piloto, com a utilização do FPSO Cidade de São Paulo, que terá capacidade para produzir 120 mil barris de petróleo e 5 mil m³ cúbicos de gás. Será afretado, mas com exigência de alto conteúdo da indústria nacional.

Para 2013 está programada a instalação do segundo projeto piloto de produção no Campo de Lula, no pré-sal da Bacia de Santos. Será o FPSO Cidade de Parati, com capacidade par 120 mil barris de petróleo e 5 mil m³ de gás/dia, do consórcio Petrobras, BG e Petrogal. A unidade será afretada, mas também com alto conteúdo nacional.

Para 2014 estão previstas, ainda, a instalação do módulo 2 da área de Guará e do Módulo 1 do campo de Cernambi, ambos no pré-sal da Bacia de Santos. A capacidade de produção destes dois sistemas será igual: 150 mil barris de petróleo e 5 mil m³ cúbicos de gás.

Para transferir o gás natural produzido no campo de Cernambi, na Bacia de Santos, está prevista a construção de um gasoduto de 383 km de extensão, ligando a plataforma ao terminal terrestre na região de Cabiúnas, no Norte do Estado do Rio de Janeiro. O duto terá 20 km com 18” diâmetro e o restante com 24”.

Sondas marítimas

Para perfuração em águas mais rasas estão em construção duas sondas marítimas do tipo auto-elevatória (Jack-up), denominadas P- 59 e P- 60. Para águas profundas, especialmente para perfurar na seção pré-sal, a Petrobras terá mais 58 sondas, das quais 30 já foram contratadas. Destas 58 sondas, 23 serão entregues entre 2009 e 2011; nove serão contratadas através de processos de licitação no mercado internacional e entregues em 2012. A contratação destas nove no exterior visa a atender as necessidades de curto prazo da Petrobras, enquanto a indústria nacional se prepara para responder as demandas adicionais (sendo que duas somente serão liberadas em 2013); 28 serão construídas no Brasil com entrega prevista no período de 2013 a 2018. As sondas serão dos tipos navios – sonda
e plataformas semi-submersíveis de perfuração. Destas 28, sete já foram contratadas e as demais estão em processo de licitação. “Esse é o nosso cenário”, finaliza a direção da Petrobras, à revista O Empreiteiro.

Programa de investimentos de 2011

Segmentos

Investimentos

%

Exploração e Produção

R$ 42,99 bi

46%

Abastecimento

R$ 37,21 bi

40%

Gás & Energia

R$ 4,67 bi

5%

Internacional

R$ 5,46 bi

6%

Distribuição

R$ 1,18 bi

1%

Biocombustível

R$ 913 mi

1%

Corporativo

R$ 1,21 bi

1%

TOTAL

R$ 93,66 bi

100%

Fonte: Estadão


Compartilhe esse conteúdo

Deixe um comentário