Pela primeira vez, em 60 anos, a ponte São João está sendo reformada para aumentar a capacidade do sistema de transporte ferroviário de passageiros na região de Salvador (BA)
Joás Ferreira
As obras de revitalização da tradicional ponte ferroviária São João, de Salvador (BA), foram iniciadas em setembro de 2011 e têm previsão para serem encerradas este mês. A reforma, que está sendo realizada pela empresa Triunfo Iesa Infraestrutura S.A. (TIISA), em parceria com a Belov Engenharia Ltda., fica no trecho Calçada-Paripe, que liga os subúrbios de Lobato e Plataforma, sobre a Baía de Todos os Santos.
A ponte, um ícone brasileiro da construção ferroviária e que foi erguida em 1860, possui 450 m de extensão e é formada por 15 vãos de 30 m cada, em via dupla. O projeto, desenvolvido com o objetivo de preservar as características arquitetônicas e paisagísticas originais, abrange a construção de infra e superestrutura, via permanente e rede aérea.
O destaque fica por conta da aplicação do aço patinável na estrutura metálica da ponte. Quando em contato com o ar, esse material tem a propriedade de criar uma camada protetora contra a corrosão. Trata-se de um produto diferenciado que foi desenvolvido pela Gerdau, a pedido da TIISA, especialmente para atender à obra.
Em razão das dificuldades de acesso ao local, a TIISA precisou desenvolver um processo construtivo por meio marítimo, através do qual foram executadas as seguintes operações:
– Retirada da antiga estrutura da ponte com balsas e rebocadores utilizando-se a variação das marés para elevá-la de seu local de assentamento.
– Transporte da nova superestrutura da ponte por meio de balsas e rebocadores e instalação feita com o uso de guindastes – sendo um de 100 t no estaleiro de embarque, e dois de 45 t no local de aplicação, na ponte.
– Implantação de tubulões com aplicação de fôrmas metálicas, visando garantir a recuperação de todo o material proveniente das escavações, impedindo a poluição da baía.
– Montagem de tubulações para receber o preenchimento de concreto através de injeção submersa do material.
– Transporte de vigas pré-moldadas para posterior preenchimento com ferragens e concreto.
Materiais utilizados na obra:
– 950 t de perfis metálicos de aço patinável
– 250 t de chapas de aço patinável
– 25 t de parafusos
– 25 t de solda
A ponte São João original foi erguida em 1860, com materiais importados da Inglaterra. Reconstruída em 1952, nunca mais passou por uma grande reforma. Nesse período, acabou sofrendo desgaste provocado pela ação do tempo e pelo impacto das pescas predatórias (com explosivos), realizadas na região.
Segundo a Companhia de Transporte de Salvador (CTS), vinculada à Secretaria Municipal de Transportes Urbanos e Infraestrutura e atual administradora da ponte, antes da interdição da ponte para a execução da reforma, os trens circulavam no local utilizando apenas uma linha e com velocidade de 10 km/h. Com a revitalização, os dois vãos serão liberados e os trens poderão alcançar a velocidade de 60 km/h. Esse ganho, somado ao aumento do número de trens em circulação, diminuirá significativamente o tempo da viagem e trará benefícios para os usuários.
O sistema ferroviário de Salvador possui 13,5 km de extensão, de Calçada até Paripe. Atualmente, os quatro trens em operação fazem o transporte diário de seis mil passageiros entre as dez estações existentes.
Fonte: Padrão