O início da operação do navio-plataforma P-78 (Búzios 6) ocorre num momento em que a indústria global de petróleo vive forte volatilidade de preços e incertezas por conta do conflito no Oriente Médio. Ao acelerar a expansão do campo de Búzios, na Bacia de Santos, a Petrobras aposta na competitividade do pré-sal como proteção estrutural contra crises como a atual. A nova plataforma tem capacidade de produzir 180 mil barris de óleo e 7,2 milhões de m³ de gás diários.
Ao comentar o início das operações da P-78, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou a importância estratégica da unidade para o crescimento da companhia. “Com o primeiro óleo da P-78, iniciamos o ano já avançando na principal meta que temos para 2026, que é o aumento da produção de petróleo e gás”, afirmou a executiva. “Projetamos produzir 2,5 milhões de barris de petróleo por dia ao longo deste ano e grande parte virá de Búzios. Além disso, estamos também ampliando a oferta de gás natural ao mercado brasileiro, outra meta expressa em nosso plano de negócios”, completou.
O início da produção ocorre em um momento de forte desempenho operacional da Petrobras. Em 2025, a companhia registrou produção total de 2,99 milhões de barris de óleo equivalente (boe) por dia, alta de 11% em relação ao ano anterior, com o pré-sal respondendo por cerca de 82% do volume total produzido. O desempenho contribuiu para que a empresa alcançasse lucro líquido de R$ 110,1 bilhões (US$ 19,6 bilhões), um aumento de 300% em relação a 2024 (R$ 36,6 bilhões). Nesse contexto, a expansão do campo de Búzios tornou-se um dos principais motores de crescimento da companhia.
Cadeia global e conteúdo local marcam a construção da P-78
A trajetória da P-78 até iniciar suas operações foi marcada por uma complexa cadeia industrial e logística internacional. O casco foi construído em estaleiros localizados nas cidades chinesas de Yantai e Hayang e também em Ulsan, na Coreia do Sul, onde ocorreu a integração dos blocos estruturais. Posteriormente, a plataforma foi levada para um estaleiro em Singapura para a integração dos módulos de processamento, conhecidos como topsides. Parte desses equipamentos foi fabricada no Brasil, no estaleiro Brasfels, em Angra dos Reis, além de unidades produzidas na Ásia. Ao todo, o projeto contou com 23 módulos de topside, dos quais dez foram construídos no País, contribuindo para o cumprimento de metas de conteúdo local e para a mobilização da indústria naval e de equipamentos brasileira.
Já o deslocamento da unidade até o campo também trouxe uma inovação operacional relevante. A plataforma foi rebocada até a locação final com a tripulação a bordo, estratégia que permitiu manter diversos sistemas em funcionamento durante a viagem e dar continuidade ao processo de comissionamento ainda durante o translado. A presença da equipe operacional a bordo também permitiu o treinamento antecipado dos profissionais e o aumento da confiabilidade dos sistemas antes mesmo da chegada ao campo. Depois de chegar ao Brasil, em outubro de 2025, a unidade passou pelas etapas finais de instalação offshore, incluindo ancoragem, interligação com os poços e testes finais de sistemas.
Do ponto de vista tecnológico, a plataforma inaugura uma nova família de projetos de unidades próprias da Petrobras. A P-78 é um navio-plataforma do tipo FPSO (unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de petróleo). Ela foi desenvolvida com base no chamado Projeto Básico de Referência (PBRef), que consolida centenas de lições aprendidas nas primeiras gerações de FPSOs do pré-sal. Essa abordagem busca aumentar a padronização dos projetos, reduzir custos e elevar a confiabilidade operacional das plataformas. A unidade foi estruturada dentro do Programa Fortalece (Profort), iniciativa que estabeleceu o modelo contratual e os requisitos técnicos de qualidade e eficiência para os estaleiros que a construíram, indo além do conteúdo local estabelecido para o campo. O contrato da plataforma prevê o compromisso mínimo de 25% de conteúdo local.
Com 345 metros de comprimento e 180 metros de altura (até o topo do flare), a P-78 opera com 13 poços, sendo seis produtores (dois deles conversíveis para injetores), seis de injeção do tipo WAG (injeção alternada de água e gás) e um injetor dedicado de gás, equipados com sistemas de completação inteligente, que potencializam o gerenciamento da produção. Essas interligações são feitas por meio de dutos rígidos para produção, injeção e exportação de gás, além de linhas flexíveis de serviço e de gás lift, formando um complexo sistema subsea capaz de sustentar altas vazões de produção. A plataforma incorpora também tecnologias voltadas para maior eficiência energética e redução de emissões. Entre elas, estão sistemas de recuperação de gases de queima, integração energética entre correntes térmicas do processo de óleo e gás e o uso de controle de rotação em bombas e compressores para otimizar o consumo de energia.
Búzios, um dos maiores campos do mundo
Com o início das operações da plataforma, ocorrido oficialmente em 31 de dezembro de 2025, o campo de Búzios passou a contar com sete plataformas em funcionamento: P-78, P-74, P-75, P-76, P-77, Almirante Barroso e Almirante Tamandaré. Segundo a Petrobras, a P-78 reforça, assim, o protagonismo de Búzios no pré-sal. A companhia tem destacado que o pré-sal é prioridade porque combina alta produtividade, menor emissão por barril e competitividade global. Isso lhe permite manter margens mesmo quando o preço do barril cai, ajudando a amortecer impactos de crises internacionais.
Descoberto em 2010 em águas ultra profundas (em lâmina d’água superior a dois mil metros) e localizado a cerca de 180 quilômetros da costa do Rio de Janeiro, Búzios se consolidou nos últimos anos como o principal ativo produtor da companhia e um dos maiores campos offshore em desenvolvimento no mundo. Em outubro de 2025, superou a marca de 1 milhão de barris por dia.
O novo FPSO aumentará a capacidade instalada de produção do campo de Búzios para aproximadamente 1,15 milhão de barris de petróleo diários. Além disso, é um projeto que permitirá exportar gás para o continente, via interligação com o gasoduto Rota 3, que conecta o pré-sal ao litoral do Rio de Janeiro, com a expansão da oferta de gás no Brasil em até 3 milhões de m³ por dia, contribuindo para a diversificação da matriz energética e para o abastecimento de indústrias e usinas termelétricas.
A entrada em operação da P-78 também reforça a estratégia de longo prazo para o desenvolvimento de Búzios. Novas unidades estão previstas para entrar em funcionamento ao longo dos próximos anos, incluindo a plataforma P-79, que deve iniciar produção em 2026, e outras unidades planejadas para o fim da década. Esse conjunto de projetos pode levar o campo a níveis de produção ainda mais elevados, consolidando-o como um dos maiores complexos petrolíferos em águas profundas do planeta.
Petrobras registra melhor resultado em uma década
Dentre os fatores que contribuíram para o aumento da produção da Petrobras em 2025, destacam-se o início da operação e o aumento da capacidade dos FPSOs Almirante Tamandaré e Marechal Duque de Caxias, a manutenção do topo de produção do FPSO Sepetiba, o ramp-up dos FPSOs Maria Quitéria, Anita Garibaldi, Anna Nery e Alexandre de Gusmão, além da maior eficiência operacional na UN-BS e em Búzios. As exportações de petróleo registraram recorde anual de 765 mil barris por dia (mbpd).
No balanço do ano passado, a Petrobras registrou o melhor resultado dos últimos dez anos ao incorporar 1,7 bilhão de barris de óleo equivalente em reservas, atingindo um índice de reposição de reservas de 175%, mesmo diante de uma produção recorde. A relação entre as reservas provadas e a produção atingiu 12,5 anos, refletindo a sustentabilidade do portfólio, segundo a empresa.
O desempenho do pré-sal também tem impacto direto na economia brasileira. O aumento da produção eleva a arrecadação de royalties, participações especiais e tributos pagos à União, estados e municípios. Apenas em 2025, a Petrobras recolheu cerca de R$ 277 bilhões em tributos e participações governamentais, além de distribuir R$ 45,2 bilhões em proventos aos acionistas, sendo R$ 17,6 bilhões para o grupo de controle. Esses números refletem o peso crescente da indústria offshore na geração de receitas públicas, investimentos e empregos. A companhia totalizou R$ 112,9 bilhões em investimentos ao longo de 2025, aumento de cerca de 10% em relação ao ano anterior.
De acordo com a Petrobras, esse patamar de Capex reflete antecipações de entregas em projetos, com a aceleração do avanço físico de FPSOs próprios destinados à operação nos campos de Búzios, Atapu e Sépia, além da evolução nas campanhas de perfuração de poços e recordes de interligações. Os aportes no segmento de E&P representaram cerca de 84% do total de investimentos em 2025, contribuindo para o relevante crescimento da produção observado no ano. A companhia afirma ainda ter destinado cerca de R$ 2 bilhões em investimentos socioambientais voluntários e obrigatórios, patrocínios e doações no último ano.







