Petrobras retoma fábricas e Brasil passa a produzir 20% da ureia consumida

Petrobras retoma fábricas e Brasil passa a produzir 20% da ureia consumida

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Foram retomadas pela Petrobras em janeiro duas plantas de fertilizantes que estavam paradas há cerca de dois anos. A Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) de Sergipe, localizada em Laranjeiras, tem capacidade de produzir 1.800 toneladas por dia de ureia, equivalente a 7% do mercado nacional. Na Bahia, a planta que fica em Camaçari pode produzir 1.300 toneladas por dia de ureia, o que corresponde a 5% do mercado nacional. As duas unidades, juntamente com a Araucária Nitrogenados (Ansa), outra fábrica de fertilizantes da Petrobras, instalada no Paraná, responderão por 20% de toda a demanda de ureia do Brasil.

A produção de nitrogenados das Fafens vai contribuir principalmente para recuperar a capacidade nacional de insumos estratégicos para o agronegócio, com ureia fertilizante e para alimentação de ruminantes, podendo também atender às indústrias têxtil, de tintas e de papel e celulose. As plantas nordestinas vão produzir, além de ureia, amônia e ARLA 32 (Agente Redutor Líquido Automotivo, produto essencial, segundo a Petrobras, para redução de emissões veiculares e preservação ambiental), com investimentos iniciais de R$ 38 milhões em cada fábrica. A expectativa da companhia é elevar a produção nacional de fertilizantes para 35% nos próximos anos, incluindo nessa conta uma nova planta em construção no Mato Grosso do Sul, reduzindo a dependência externa desses insumos. Até a retomada das Fafens, toda a ureia consumida no Brasil era importada.

De acordo com Wagner Felício de Oliveira, gerente executivo de Processamento de Gás Natural da Petrobras, essas unidades têm importância estratégica para o País. “A retomada das Fafens da Bahia e de Sergipe, além de diversificar a produção de forma rentável, amplia as alternativas de alocação do gás natural da Petrobras, reduz a exposição às oscilações do mercado internacional e reforça a segurança alimentar do Brasil a partir do momento em que garante o suprimento de insumos críticos à agricultura”, afirma. “Para o Nordeste, além do seu papel estratégico à industrialização, representa geração de valor, emprego e renda.” Segundo dados da empresa, a Fafens nordestinas estão gerando 1.350 empregos diretos e 4.050 indiretos. 

Wagner Felício de Oliveira, gerente executivo de Processamento de Gás Natural da Petrobras

A retomada das Fafens impulsiona a atração, qualificação e retenção de mão de obra industrial especializada nos estados da Bahia e Sergipe, acrescenta Oliveira. “No caso da Fafen-BA, onde já existe ampla disponibilidade de mão de obra qualificada devido à inserção da planta no Polo Petroquímico de Camaçari, a reativação da fábrica cria oportunidades para profissionais da própria região.” A operação dessa unidade contempla também os Terminais Marítimos de Amônia e Ureia no Porto de Aratu, na cidade de Candeias. “Já para a Fafen-SE, o retorno das operações estimula o desenvolvimento e a qualificação da mão de obra local, além de atrair especialistas de áreas próximas”, completa.

Desafios para retomada das plantas

Alguns desafios técnicos e operacionais foram necessários para reativar as unidades que ficaram paradas por um bom tempo. “São plantas de alta complexidade, que operam em condições severas de pressão e temperatura, exigindo um comissionamento rigoroso, controlado e com foco em segurança”, explica Oliveira. “É importante ressaltar que essas plantas estavam hibernadas há aproximadamente dois anos, e o sucesso da retomada comprova a robustez dos ativos e a competência das equipes envolvidas.” 

Participaram das obras de retomada as empresas Engeman e C3. Nesse primeiro momento o foco foi a manutenção dos ativos e o restabelecimento das condições de projeto. Segundo o gerente executivo, na Fafen-SE foi determinante para a retomada da produção de amônia e ureia o engajamento integrado de todas as áreas envolvidas da Petrobras, “atuando de forma coordenada ao longo de todo o processo, juntamente com as empresas parceiras”. 

Em fase de comissionamento, a Fafen-BA já entrou em operação produzindo amônia, com expectativa de iniciar a produção de ureia até o fim de janeiro. “Faz parte do comissionamento regularizar todos os sistemas até o estabelecimento pleno de uma condição estável de processo e produção contínua de amônia e ureia”, explica Oliveira. A Fafen-SE pode produzir até 1.250 toneladas por dia de amônia e 1.800 toneladas diárias de ureia, enquanto a unidade baiana tem capacidade para 1.300 toneladas/dia de amônia e 1.300 t/d de ureia, além de 178 t/d de ARLA 32.

As duas fábricas do Nordeste utilizam gás natural como matéria-prima para a produção de amônia e ureia em diferentes padrões, como fertilizante perolada ou granulada, ureia industrial, pecuária e premium, além de ARLA 32. De acordo com Oliveira, a área comercial de fertilizantes da Petrobras já atua de forma ativa junto a clientes e fornecedores. “Em Sergipe, os carregamentos de amônia e ureia já foram iniciados em 19 de janeiro, com destino a Goiás, São Paulo e Bahia.” Segundo ele, estão previstos investimentos em manutenção programada ainda neste ano nas duas unidades. “Elas são fundamentais para que a operação ocorra de modo seguro, além de garantir fornecimento confiável para nossos clientes”, finaliza.

Perfil do gerente

Wagner Felicio de Oliveira é engenheiro químico graduado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, com MBA Executive pela Fundação Dom Cabral e MBA em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas. Ingressou na Petrobras em 2004 como engenheiro de processamento e desde 2023 ocupa o cargo de gerente executivo de Processamento de Gás Natural, tendo ainda ocupado os cargos de gerente geral da Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), gerente geral da Refinaria Gabriel Passos (REGAP) e gerente geral da Refinaria do Nordeste (RNEST), além de diversos cargos gerenciais na Refinaria Henrique Lage (REVAP), nas áreas de produção, manutenção, empreendimentos e engenharia.


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