Com até 2.735 m abaixo da superfície do mar, em determinado ponto, podendo chegar a 2.900 m, o gasoduto do projeto Raia – que pode se tornar o mais profundo do mundo – avançou em seu desenvolvimento no pré-sal da Bacia de Campos (RJ). O projeto, que é operado pela Equinor (35%), em parceria com a Repsol Sinopec (35%) e a Petrobras (30%), concluiu, em agosto, a instalação de 186 km do gasoduto destinado a escoamento. Além deste marco, a Equinor divulgou a chegada da balsa elevatória (jack-up barge) Saturn no litoral de Macaé, no Rio de Janeiro, para apoiar na campanha de instalação e também na entrega do seu primeiro poço de produção.

Raia compreende três descobertas diferentes no pré-sal: Pão de Açúcar, Gávea e Seat. Esses poços contém reservas recuperáveis de gás natural e óleo/condensado superiores a 1 bilhão de barris de óleo equivalente (Boe). A capacidade de exportação de gás é de 16 MSm³/d e, quando concluído, o projeto poderá representar 15% da demanda total de gás do Brasil.
Com a previsão de investir aproximadamente US$ 9 bilhões no desenvolvimento do projeto Raia, a Equinor, juntamente com as empresas parceiras, estima que o início das operações seja em 2028.
Antes do projeto Raia no Brasil, o campo de Stones, na área de Walker Ridge, no Golfo do México, Estados Unidos, era considerado o mais profundo, com aproximadamente 2.900 m de lâmina d’água. O campo pertence e é operado pela Royal Dutch Shell e iniciou produção em setembro de 2016.
No Raia, o duto alcança 2.735 m abaixo da superfície, mas pode chegar a 2.900 m. Neste projeto, o gás especificado para venda será escoado por meio de um gasoduto offshore de 200 km, partindo do FPSO (unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência). Esta FPSO é capaz de tratar o gás produzido e já especificá-lo para venda, sem a necessidade de processamento em terra, seguindo o gasoduto em direção a Cabiúnas, em Macaé (RJ). Os líquidos serão descarregados por meio de navios aliviadores (navios-tanque).
De acordo com a Equinor, esta é a primeira vez no Brasil que o gás será especificado offshore e entregue diretamente ao sistema de transporte, sem a necessidade de instalação de uma planta de processamento. Isso se deve à qualidade dos hidrocarbonetos que serão produzidos no campo do pré-sal.
Outro destaque é que o FPSO Raia poderá ser o mais eficiente do mundo em termos de autoprodução de carbono. Com a implementação de tecnologias como o ciclo combinado, a intensidade média de CO2 do campo durante sua vida útil será inferior a 6 kg/barril. A capacidade do FPSO é de aproximadamente 126.000 bpd.
TRAJETÓRIA E NOVAS ETAPAS ALCANÇADAS
As descobertas do Raia foram feitas pela Repsol Sinopec em 2010, e a Equinor tornou-se a operadora em 2016. Em julho de 2025, o Ibama emitiu a Licença de Instalação Marítima, permitindo o início das atividades de instalação do gasoduto que integra o projeto.
Em março deste ano, iniciou-se a fase de perfuração com atividades realizadas pela sonda Valaris DS-17. Também em março, o FPSO Raia, com 354 m de comprimento e 64 m de largura, que está sendo construído pela japonesa Modec, teve todos os seus 25 módulos içados e posicionados. A plataforma deve chegar ao Brasil em 2027.
Dos 25 módulos, 18 foram construídos pela Bomesc em Tianjin, no norte da China, quatro vieram de Singapura e três do Brasil, fabricados pelo estaleiro BrasFELS, em Angra dos Reis (RJ). Sobre esses três, a BrasFELS informou que foi contratada para construir a unidade de recuperação de vapor/flare knockout (VRU/FLARE KO); separação e estabilização de óleo; e circulação da linha de fluxo e sistemas de medição.
Em agosto, a norueguesa Equinor, que opera o projeto, divulgou a conclusão da instalação de 186 km do gasoduto de escoamento. Os tubos utilizados foram produzidos pela Tenaris com 99% de aço nacional. Durante as atividades de lançamento do duto, mais de 600 profissionais trabalharam diariamente a bordo da embarcação Saipem.
Outro marco relevante no último mês foi a entrega do primeiro poço produtor, o PDA-P14. Localizado a cerca de 200 km da costa, na Bacia de Campos, o poço faz parte do desenvolvimento de Raia, que reúne as descobertas do pré-sal designadas Pão de Açúcar, Gávea e Seat.
Além disso, o projeto também registrou a chegada da balsa elevatória (jack-up barge) Saturn à região de Macaé, também em agosto. A unidade apoia a campanha de instalação do gasoduto na atividade de perfuração horizontal direcionada (HDD), que conectará os trechos marítimo e terrestre do gasoduto. A chegada da Saturn marca o início de uma nova fase da campanha, incluindo as operações de furo piloto, alargamento do furo e puxada do tubo que antecedem a conclusão definitiva da infraestrutura.
Ao longo de sua vida útil, o projeto Raia deve gerar 50 mil empregos diretos e indiretos.



