Resiliência sísmica: Como San Francisco protege seu sistema de água (WSIP)

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Na Califórnia, a discussão sobre o próximo megaterremoto (o “Big One”) é constante. Para mitigar riscos, a San Francisco Public Utilities Commission (SFPUC) investe US$ 4,6 bilhões no WSIP (Water System Improvement Program). O objetivo é reforçar a infraestrutura hídrica que cruza as três principais falhas geológicas da região: San Andreas, Calaveras e Hayward.

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O Desafio Geológico e a Vulnerabilidade do Sistema

Segundo a US Geological Survey (USGS), há 63% de chance de um sismo significativo nos próximos 30 anos. Um abalo na falha de Hayward (estimado em 7,0 na escala Richter) poderia cortar 85% do suprimento de água da baía por até dois meses. O programa WSIP visa evitar esse colapso através de:

  • Reforço de 450 km de tubulações.
  • Construção de três novos túneis, incluindo um sob a Baía de San Francisco.
  • Modernização de Estações de Tratamento de Água (ETAs).

Gestão e Planejamento: O Diferencial do Projeto

O sucesso do WSIP reside no planejamento meticuloso que precedeu o início das obras. A comissão reestruturou editais para atrair grandes empresas de engenharia, como Parsons Corp. e Aecom Technology Corp..

  • Gestão Ágil: Processos definidos antes da pressão do canteiro de obras.
  • Parceria Ambiental: Investimento de US$ 250 milhões em mitigação para evitar litígios judiciais.
  • Backup do Sistema: Planejamento de 150 paradas programadas para garantir o abastecimento durante as intervenções.

Obras de Engenharia de Grande Porte

  1. Planta UV de Tesla: Destinada a ser uma das maiores da América, com capacidade de 1,3 bilhão de litros/dia.
  2. Túnel Bay Division: A primeira travessia sob a baía (8 km de extensão), escavada por uma TBM (Tunnel Boring Machine) da Hitachi a profundidades de até 30 metros sob o solo marinho.
  3. Barragem de Calaveras: Nova estrutura de terra e enrocamento com 75 metros de altura para substituir a antiga barragem vulnerável a abalos.

Nota da Redação: O case do WSIP serve de inspiração para gestores brasileiros, demonstrando que o planejamento rigoroso é a única forma de garantir o cumprimento de prazos e orçamentos em megaprojetos.


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