O governo federal deu um passo importante rumo à modernização da gestão de obras públicas ao criar um grupo de trabalho para a implementação do BIM (Building Information Modeling). A iniciativa segue exemplos internacionais, como o da Inglaterra, onde o uso do BIM permitiu uma economia de até 30% nos custos de obras públicas, além de ganhos expressivos em eficiência, transparência e controle.
A adoção do BIM representa uma mudança estrutural na forma como o poder público projeta, executa e fiscaliza empreendimentos de infraestrutura — mas ainda há um longo caminho a percorrer.
BIM nas obras públicas: atraso histórico e oportunidade de economia
O BIM permite a criação de modelos digitais integrados, reunindo informações de projeto, cronograma, custos, manutenção e operação. Apesar de seu uso consolidado na iniciativa privada, sua adoção pelo setor público brasileiro sempre foi lenta.
A criação do grupo de trabalho federal sinaliza o reconhecimento de que:
- O modelo tradicional de projetos fragmentados gera desperdícios
- Falhas de compatibilização aumentam aditivos contratuais
- A falta de informação integrada compromete prazos e qualidade
Ao adotar o BIM, o governo passa a tratar a tecnologia não como custo, mas como investimento estratégico para reduzir gastos recorrentes ao longo do ciclo de vida das obras.
Iluminação pública inteligente e segurança urbana
Outro exemplo de modernização está na Prefeitura de São Paulo, que retomou o projeto de parceria público-privada (PPP) para modernizar a iluminação pública com tecnologia LED.
Além da eficiência energética, o projeto prevê a instalação de câmeras de segurança, integrando iluminação e monitoramento urbano em áreas com maior incidência de criminalidade. Trata-se de uma abordagem que combina:
- Redução de custos operacionais
- Melhoria da segurança pública
- Uso inteligente da infraestrutura urbana
Esse tipo de solução evidencia como a tecnologia pode atender múltiplos objetivos com o mesmo investimento.
Contradições na gestão pública da tecnologia
É curioso observar que muitas empresas estatais e órgãos públicos utilizam tecnologia de ponta para:
- Monitorar contas e pagamentos de usuários
- Coletar dados de medidores em tempo real
- Processar grandes volumes de informação financeira
No entanto, essas mesmas instituições não aplicam tecnologias equivalentes na gestão e fiscalização de suas próprias obras.
Se não fosse incongruente, seria folclórico.
Drones como ferramenta de fiscalização de obras
Entre as tecnologias disponíveis, os drones surgem como uma solução prática e eficiente para um problema recorrente: a falta de efetivo para fiscalização em campo.
Assim como imagens de satélite permitem monitorar o desmatamento na Amazônia em escala macro, drones podem:
- Acompanhar o andamento físico das obras
- Registrar imagens periódicas e georreferenciadas
- Reduzir deslocamentos e custos de fiscalização
- Aumentar a transparência dos contratos públicos
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Vale destacar que o poder público não precisa adquirir nem operar os drones. Já existem empresas especializadas que prestam esse serviço com sucesso nos setores de agronegócio e mineração, podendo facilmente atender também a administração pública.
Tecnologia da informação e eficiência no atendimento ao cidadão
A aplicação de tecnologia para gestão de processos também já mostrou resultados positivos em outras áreas. O Ministério da Previdência, por exemplo, passou a monitorar o tempo de espera dos cidadãos por meio de softwares de gestão.
Esse tipo de solução demonstra que problemas históricos, como filas em hospitais e repartições públicas, não dependem apenas da contratação de mais servidores, mas de:
- Processos mais eficientes
- Uso inteligente de dados
- Vontade política e investimento direcionado
Menos discurso antigo, mais inovação
Os gestores públicos precisam abandonar o discurso ultrapassado de que a solução para todos os problemas é contratar mais funcionários. As finanças públicas já não suportam a expansão contínua da folha de pagamento.
A tecnologia da informação é um investimento feito uma vez, que:
- Aumenta a eficiência
- Reduz custos operacionais
- Permite atender mais pessoas com menos recursos
O futuro aponta para:
- Menos pessoas nos balcões de atendimento
- Mais serviços digitais via aplicativos
- Menos fiscais presenciais e mais monitoramento remoto
- Mais transparência, inclusive com dados abertos à sociedade
Tecnologia não substitui pessoas — torna o trabalho melhor
A tecnologia não elimina a necessidade do ser humano, mas transforma a forma como ele trabalha. Profissionais continuam essenciais para análise, decisão e gestão, enquanto sistemas digitais assumem tarefas repetitivas, de controle e monitoramento.
No setor público, essa mudança é urgente para garantir eficiência, transparência e sustentabilidade fiscal — especialmente na gestão de obras e serviços à população.
A adoção de ferramentas como BIM, drones e softwares de gestão não é mais uma opção, mas uma necessidade para modernizar a administração pública brasileira. O desafio não está na falta de tecnologia disponível, mas na decisão política de utilizá-la de forma estratégica e consistente.


