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2ª O TREM FANTASMA DOS “ACIDENTES” em OBRAS DE INFRAESTRUTURA

Todos já andamos num trem fantasma em parques de diversões. Nessa maluca viagem, a cada curva um susto. Nas obras de infraestruturas, a situação é muito semelhante e o adágio popular se encaixa perfeitamente, pois, escrevo esta coluna sob os reflexos de diversos acidentes principalmente nas obras de instalações subterrâneas.

Uma instalação de adutora na Marginal do Tiete, em S.Paulo,  na altura da ponte da Via Anhanguera no sentido do “Cebolão”, mostra há meses o significado desse “trem fantasma”. Sem o mínimo de requisitos e diretrizes técnicas, um empreendedor imobiliária contrata a construção  de um adutora para abastecer um complexo residencial na Av. Raimundo Pereira de Magalhães, cumprindo uma exigência legal.

A adutora aprovada pela concessionária tem parte do trajeto na Marginal Tiête; o empreendedor contratou porém  uma empresa sem experiência comprovada de ter executado obra com tal complexidade. Pior, sem preparar um projeto detalhado prévio da obra– um verdadeiro “voo cego sem instrumentos”. E se repete a estória do trem fantasma .

Sem sondagens, sem o plano de furo adequado, sem projeto de fluído de perfuração, a obra é iniciada e o avanço da tubulação de PEAD (Polietileno de Alta Densidade) de grande diâmetro e comprimento é travado após  pouco mais de 200 m—numa extensão total de quase 600 m. Aí se perdem semanas, meses, muito dinheiro, antes que outras soluções permitissem concluir a travessia.

Na mesma região, na Av. Raimundo Pereira de Magalhães, outra instalação subterrânea por MND atingiu recentemente uma adutora existente– outro susto do trem fantasma.

A isso se soma o insucesso do Governo do Ceará na instalação de um poço horizontal para coletar água num aquífero a aproximadamente 30 m de profundidade. Tal instalação teria como objetivo segundo entrevista do Governador nas redes de televisão, resolver o problema de água de abastecimento do porto de PECÉM.  Na matéria, o Governador senta-se na Perfuratriz Direcional para as fotos de praxe, enquanto  a obra entrava em colapso.

Neste primeiro semestre,  já são de nosso conhecimento 18 (dezoito) obras com problemas de toda ordem—refletindo as falhas de gestão de obras. O que teria permitido ao Rei Ezequias– (vide Antigo Testamento; entre as reportagens recomendo a da Globo, Jornal Hoje, Sandra Annenberg, que fez visita à obra), há 2700 anos atrás, construir uma adutora por processo equivalente ao MND, de 533 m de comprimento, com declividade de 0,6%, onde ainda hoje corre água?  Naquela época longínqua, só pode ter sido a GESTÃO EFICIENTE da obra a razão do seu sucesso; afinal, o Rei Ezequias não contava com o arsenal de engenharia e científico de hoje!!

Amigos leitores, retomemos a Engenharia perdida no tempo, o DNA do nosso país, jovens estudantes, engenheiros de cabelos brancos, proprietários de obras, projetistas, construtoras, gerenciadoras e gestores– agora sob a legislação da 13303;   se o REI EZEQUIAS FEZ, não é possível que continuamos gerando sustos sem fim no trem fantasma das obras de infraestrutura!!

 

 

Sérgio Palazzo

 

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