A saga do petróleo

O petróleo é a riqueza natural, finita e não renovável, que modelou a base do mundo atual. Em decorrência, grandes estratégias são postas em prática de modo a permitir o controle de seus mananciais, na maioria das vezes até através da guerra, como é o caso recente do Iraque.

Ocorreram algumas fases de grande choque do petróleo, como em 1973, onde o barril subiu de 3 para 12 dólares; em 1979, quando atingiu 32 dólares, e mais recentemente quando chegou alcançar quase 150 dólares por barril.

Em 1994, as reservas provadas mundiais do petróleo era de 1 trilhão de barris contra 1 trilhão e 200 atualmente. Por outro lado, o consumo de óleo no âmbito mundial está na faixa de 85 milhões de barris por dia, ou 30 bilhões de barris por ano conforme dados da Agência Nacional de Energia.

As reservas provadas atuais recuperáveis com tecnologia de hoje garantem ainda 40 anos de abastecimento, o que significa dizer que pelo menos uma geração ainda vai viver sob o domínio desta fonte energética.

Nos Estados Unidos, país responsável por 30% da demanda de energia do mundo, empresas de diversos ramos opinam no sentido de que no futuro o petróleo continuará sendo o energético mais eficaz e seguro do século XXI.

Quando comparamos a matriz energética do mundo desenvolvido com relação ao Brasil, observamos que o petróleo tem participação similar, em torno de 40%. Entretanto, a vantagem relativa de nosso país está na biomassa e no extraordinário potencial hidroelétrico.

No Brasil, em 2006, a Petrobras descobriu petróleo leve em águas ultraprofundas de mais de 6 mil metros, a partir do fundo do mar. Com isso, nossas reservas provadas atingiram 14 bilhões de barris e uma autonomia ou auto-suficiência para os próximos 20 anos.

Cresce no mundo a consciência de que o planeta necessita, com urgência, conter a expansão dos gases de combustão, promotores de efeito estufa e suas conseqüências devastadoras a longo prazo sobre o planeta. Assim sendo, a exemplo do esforço fiscal da nova presidência dos Estados Unidos, planeja-se o desenvolvimento de novas tecnologias que viabilizam fontes mais puras de energia ou fontes alternativas oriundas da biomassa e de força direta da natureza como: os ventos, os mares, as radiações solares e o hidrogênio.

As iniciativas em estudo no mundo quanto ao emprego de biomassa como fonte alternativa seguem três vertentes, onde o Brasil é pioneiro: a primeira, da produção e uso em escala comercial do etanol em alternativa à gasolina; a segunda, o da adição do álcool etílico anidro combustível à gasolina; e por último, a produção de biodiesel.

A demanda interna por álcool combustível é crescente. A frota de carro tipo flex representa quase 90% dos novos licenciamentos. Por outro lado, no mercado de açúcar o ciclo de excesso de oferta terminou. A Índia, ex-exportadora, agora tem déficit e precisa adquirir, para o seu consumo, no mercado mundial. Assim, a cotação dessa commodity subiu 80% nos últimos meses.

Nosso país, na opinião de diversos especialistas, necessita fazer dois movimentos no que diz respeito a produção de energia. O primeiro é garantir o crescimento de sua capacidade produtiva de modo a sustentar altas taxas de crescimento da economia. Em paralelo, torna-se fundamental manter a auto-suficiência da sua produção petrolífera, sustentar a parcela de fonte hidráulica e aumentar a participação do gás natural e biomassa.

Fonte: Estadão

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