A descarbonização de matrizes térmicas é hoje para as indústrias um dos maiores desafios da transição energética, e a Agropalma, empresa brasileira reconhecida mundialmente como referência na produção sustentável de soluções com óleo de palma, acaba de ser premiada exatamente por mostrar o caminho prático para essa mudança. Ao completar dois anos de operação de sua caldeira de biomassa em Limeira (SP), a companhia recebeu o título de “Protagonista da Transição Energética”, consolidando-se como referência em eficiência e sustentabilidade no mercado brasileiro.
A homenagem foi concedida pela Ecogen, parceira estratégica da Agropalma responsável por realizar o projeto sob um modelo que vai do desenvolvimento e implementação até a dedicação de uma equipe própria exclusiva à operação e manutenção da caldeira dentro da unidade de Limeira, de forma a garantir alta performance e segurança no fornecimento de vapor. O prêmio celebrou a sinergia entre as empresas na busca por eficiência energética e conformidade ambiental, destacando o projeto como um exemplo bem-sucedido de transição energética que une mitigação de emissões à viabilidade econômica.
“Há dois anos, quando trabalhamos no projeto e instalação da caldeira de biomassa na Agropalma, miramos em construir uma planta capaz de sustentar o suprimento de vapor e que impulsionasse a transição energética. Nela, aplicamos toda a evolução do que havíamos aprendido até então e, com isso, concretizamos esse objetivo. Esse é o projeto-modelo utilizado como exemplo para tantos outros”, diz Julio Yassuhira, Co-CEO Executivo da Ecogen.

Impacto nas emissões
Enquanto grande parte do mercado foca na transição da matriz elétrica, a Agropalma atacou o desafio da matriz térmica. Ao substituir o gás natural pela biomassa de madeira de reflorestamento, a empresa utiliza uma fonte de energia renovável que faz parte de um ciclo de carbono fechado.
Diferentemente do gás natural, que apenas emite carbono de origem fóssil, a biomassa de eucalipto absorve CO₂ durante o seu crescimento, neutralizando as emissões no momento da queima. Na comparação com outras fontes intermitentes, como a solar ou a eólica, a biomassa assegura o fornecimento contínuo de vapor necessário para os processos de refino com alta densidade energética e estabilidade operacional.
A maturidade de dois anos do projeto revela resultados expressivos: diminuição de 13 mil toneladas de CO₂ por ano – 26 mil toneladas acumuladas –, o equivalente ao plantio de 182 mil árvores no período.
“Esse reconhecimento reforça que estamos no caminho certo para atingir nossa meta de reduzir em 50% as emissões operacionais até 2030”, afirma André Gasparini, diretor Comercial, de Marketing e P&D da Agropalma. “No mercado atual, a transição energética não é mais um diferencial, mas um requisito de competitividade. Ao optarmos pela biomassa, não só protegemos o meio ambiente, como criamos uma operação blindada contra a volatilidade dos preços dos combustíveis fósseis, propiciando uma cadeia produtiva mais resiliente e alinhada aos mais recentes avanços da transição energética.”
Ativo estratégico
Para além do ganho ambiental, a substituição do gás natural pela biomassa de madeira de reflorestamento traz uma robustez econômica estratégica para a companhia. Com uma economia anual estimada entre R$ 8 milhões e R$ 10 milhões, a iniciativa protege a operação das variações de preços dos combustíveis fósseis e do câmbio. Adicionalmente, o sistema atende a padrões de última geração e rigorosas normas de proteção ambiental.
“Nossa caldeira de biomassa é um ativo de alta tecnologia que foi projetado com um filtro na chaminé para limitar as emissões de particulados, de modo a cumprir as normas do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Tudo isso, além de ser positivo no quesito sustentável, nos habilita a suportar aumentos na produção da nossa fábrica, elevando a qualidade do nosso refino e a segurança da nossa equipe”, explica Edison Delboni, diretor Industrial da Agropalma.
“Estamos bastante satisfeitos com os resultados obtidos até aqui e felizes pelo reconhecimento da nossa planta industrial, que já serve como modelo para tantas outras empresas”, acrescenta Delboni.
Expansão da matriz renovável e logística verde
A estratégia de descarbonização da Agropalma estende-se para além das caldeiras, abrangendo a retomada da produção de biodiesel e a modernização logística. Recentemente, a companhia inaugurou em Belém (PA) uma usina de biocombustíveis com tecnologia 100% enzimática – a primeira do estado – voltada a transformar resíduos e subprodutos da palma em energia limpa. A iniciativa tem o potencial de evitar a emissão de 39 mil toneladas de CO₂ por ano, reforçando o compromisso da companhia com a economia circular ao dar um destino a óleos de lagoa e ácidos graxos.
No campo logístico, a Agropalma tem reduzido a dependência do diesel fóssil por meio da adoção de caminhões movidos a gás natural veicular (GNV) que proporcionam uma redução de 21% nas emissões de dióxido de carbono por veículo. Somado a isso, a empresa incentiva a renovação da frota de transportadoras parceiras para o padrão Euro 6, visando uma economia de combustível de 8% e a diminuição drástica de poluentes. Juntas, essas frentes de atuação consolidam a visão integrada da companhia, que estuda ainda a implementação de veículos elétricos e biometano para alcançar um futuro de emissões operacionais cada vez menores.







