A Ambipar, líder global em soluções ambientais, investiu R$ 100 milhões para expandir sua unidade de mineração urbana em São José dos Campos (SP). Com a ampliação, a planta saltou de uma capacidade de 30 mil para 80 mil toneladas de eletroeletrônicos por ano, consolidando-se como a maior operação de manufatura reversa da América Latina.
A unidade agora está equipada para processar desde eletrônicos de pequeno porte até a linha branca (fogões, máquinas de lavar e micro-ondas) e produtos das linhas marrom, azul e verde.
Economia Circular e Segurança de Dados
O processo de reciclagem da Ambipar foca na economia circular, transformando resíduos em matérias-primas valiosas. O sistema separa automaticamente sete tipos de materiais:
- Plástico (com separação por infravermelho: ABS, PP, PET);
- Ferro e Inox (separação por Raio-X);
- Alumínio, Cobre e Latão;
- Placas eletrônicas.
Para dispositivos com dados sigilosos, como smartphones e computadores, a planta garante a eliminação total de dados através de trituração ultrafina (1 a 8 mm), com todo o processo auditado e filmado.
“Nosso objetivo é reduzir a emissão de gases de efeito estufa e a contaminação do solo, preservando recursos naturais ao evitar a extração de novas matérias-primas”, explica Marcelo Oliveira, Head de Mineração Urbana da Ambipar Environment.
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Entrevista: O Futuro da Reciclagem de Eletrônicos no Brasil
Em entrevista à revista O Empreiteiro, Marcelo Oliveira detalhou o funcionamento técnico e estratégico da unidade.
OE – Qual a origem do material processado hoje na planta? Marcelo Oliveira: Temos duas frentes principais. O B2B (pós-venda) representa 90% do volume: são produtos que apresentaram defeito na garantia e retornam do fabricante para a Ambipar. A segunda frente são as cooperativas e Pontos de Entrega Voluntária (PEV) espalhados pelo país.
OE – Como funcionam as parcerias municipais e com comunidades? Marcelo Oliveira: Em São José dos Campos, temos uma parceria sólida com a prefeitura. Através dos PEVs, coletamos mais de 150 toneladas de eletrônicos apenas este ano. Isso garante à comunidade um descarte gratuito com segurança ambiental total.
OE – Quais tecnologias foram implementadas nesta expansão? Marcelo Oliveira: Automatizamos a separação em larga escala. Utilizamos sensores de infravermelho para segregar plásticos por tipo e tecnologia de Raio-X para metais não ferrosos (inox, alumínio, cobre). É um processo contínuo: o equipamento entra inteiro e sai do outro lado como matéria-prima pura para a indústria.
OE – A operação é sustentável em termos energéticos? Marcelo Oliveira: Sim. A planta opera em um condomínio empresarial onde 100% da energia é de fontes renováveis, garantida por certificados i-REC.




