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16 de abril de 2021

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Anna Karla, Analista de Engenharia Viária-Obras na CCR NovaDutra

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Sou uma engenheira civil de 33 anos, graduada pela Universidade de São Paulo (USP), pós-graduada em administração pela Fundação Getúlio Vargas, com MBA em Projeto, Execução e Desempenho de Estruturas e Fundações no Instituto de Pós-Graduação IPOG e, atualmente, aluna de mestrado no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Iniciei minha carreira como estagiária em cálculo estrutural no escritório França e Associados Projetos Estruturais e, no final da graduação, fui aprovada no processo de trainee no Grupo CCR, uma das maiores empresas de concessão de infraestrutura viária do país, onde desde então atuo na gestão de contrato de obras de terraplanagem, drenagem, pavimentação, contenções e obras de arte especiais.

Apesar de ser um currículo admirável, quem o olha não consegue imaginar as batalhas enfrentadas para conquistá-lo. Sou a segunda de quatro filhos de uma costureira nordestina, muito humilde, mas extremamente forte e batalhadora.

Diante das dificuldades que enfrentávamos, eu cresci alimentando o sonho de um dia, por meio do estudo, poder conquistar uma vida melhor. Sendo assim, meu maior objetivo era de um dia me formar em uma universidade pública e poder dar a minha mãe o orgulho de ir à festa de formatura da filha e receber aquele lindo convite para o evento, que mais parecia um livro.

Apesar de ser muito dedicada aos estudos, o sonho de cursar uma universidade pública parecia muito distante, pois sempre estudei em escola pública, onde, infelizmente, o ensino é bastante defasado quando comparado às escolas particulares. Isso dificultava muito a minha aprovação em um vestibular, já que a concorrência para o curso de engenharia não era pequena. Diante desta dificuldade, minha única alternativa era ingressar em um curso preparatório pré-vestibular e, aos 17 anos, eu procurei uma instituição. Prestei prova de bolsa, mas, como o desconto obtido ainda não era o suficiente para que meus pais pudessem pagar, eu escrevi uma carta para a direção do curso explicando minha situação e solicitando um desconto ainda maior. Meu pedido foi atendido e pude então começar a me preparar para o tão aguardado e temido vestibular de uma universidade pública.

Foram dois anos de estudo até conseguir ser aprovada no curso de engenharia civil na Universidade de São Paulo. Então começava um novo desafio, já que o campus era no interior e eu teria que morar em outra cidade, arcando com os custos desta moradia. No início, foi tudo muito difícil, pois, além da distância da família e de não conhecer nada na nova cidade, me mudei sozinha levando apenas um colchão de solteiro, minha mala e um rádio. Já nos primeiros dias, me candidatei a todas as vagas de bolsas de apoio a estudantes de baixa renda que a universidade fornecia e aos poucos pude ir montando um cantinho melhor. Com o bom desempenho acadêmico, consegui manter durante os cinco anos de curso minhas bolsas de assistência social e de pesquisa, que foram imprescindíveis para eu conseguir me manter estudando.

Agora que já sabem quais foram minhas bases e o que precisei enfrentar para realizar o sonho da graduação, vamos às minhas motivações para me tornar uma engenheira civil. Meu sonho de infância era fazer medicina, pois me encantava a possibilidade de ajudar as pessoas com o meu trabalho. Mas, quando comecei o curso preparatório para o vestibular, descobri que eu não gostava muito de biologia e amava a área de exatas. Então, a engenharia se tornou a minha primeira opção, pois com ela eu poderia ajudar não somente as pessoas, mas também o desenvolvimento do meu país.  

Ao longo da faculdade, eu fui descobrindo a grandiosidade desta profissão. E foi também neste momento que decidi que gostaria de atuar na área de obras de infraestrutura, me levando a prestar o processo de trainee da CCR, uma das maiores empresas de concessão de infraestrutura viária do país.

Após ser aprovada no processo de trainee e passar alguns meses conhecendo diversas áreas da empresa, fui designada para atuar na gestão de contratos de obra na concessionária que administra a mais importante rodovia do Brasil, a CCR NovaDutra – que liga São Paulo ao Rio de Janeiro e por onde é transportado cerca de 50% do PIB brasileiro.

Aqui eu tive a oportunidade de atuar nos mais diversos tipos de obras, como ampliação da capacidade viária por meio de implantação de vias marginais, trevos e reforço e alargamento em obras de arte; implantação de passarelas, execução e reforço de contenções como cortinas atirantadas, solos grampeados, terramesh e terra armada; execução de drenagens profundas como galerias e tunnel liner.

Começar minha carreira atuando à frente de obras tão complexas, nesta rodovia que é tão importante, foi mais que um grande desafio. Era também a realização de um sonho e a recompensa por não ter desistido diante das dificuldades.

Hoje, atuando em obras em uma concessionária de rodovia, eu posso dizer que realizei o meu sonho de menina. Não me tornei médica, mas o resultado do meu trabalho está presente na vida de cada pessoa que trafega nessa pista. Sei que os desafios não terminam por aqui, pois nosso país ainda precisa muito de investimentos em infraestrutura e de profissionais capacitados para implantá-las, já dentro de uma nova forma de gestão de negócios, por meio da chamada engenharia 4.0, atendendo às necessidades de um mercado cada vez mais dinâmico e que exige mais rapidez e eficiência em todos os processos.

Entendendo que a digitalização da engenharia já é uma realidade, eu tenho buscado me aperfeiçoar. Concluí, no final de 2020, um curso de Formação Executiva em BIM pela Fundação Getúlio Vargas e, agora, trabalho em um mestrado sobre gestão do ciclo de vida de pavimentos através do Building Information Modeling.   

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