Por Victor Gomes, CEO da Expertise Construtora
O mercado imobiliário e a construção civil são dois segmentos que conseguiram demonstrar resiliência e continuar em alta, mesmo durante as fases mais críticas da pandemia da Covid-19. Para se ter uma ideia, dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) revelam que as vendas de unidades residenciais novas cresceram 9,8% no Brasil em 2020.
As previsões recentes apontaram para um crescimento contínuo do setor (entre 5% e 10%), impulsionado pela alta do PIB. Entretanto, é fundamental termos um olhar analítico: será que o mercado continuará nesse ritmo acelerado de expansão nos próximos anos?
O impacto do crédito no mercado imobiliário residencial
Sob a ótica dos especialistas, um dos maiores motores desse crescimento, inclusive durante a pandemia, foi a viabilidade de crédito. O incentivo governamental, atrelado a taxas atrativas junto aos bancos, aqueceu o setor.
Porém, sabemos que o mercado não terá crédito abundante para sempre. É provável que, no médio prazo, com a redução dos incentivos de taxas por parte dos bancos e do Governo, haja uma desaceleração no mercado imobiliário residencial. Com menos oferta de crédito, há menos dinheiro circulando para o financiamento de imóveis.
Construção Civil na Indústria e no Varejo: Adaptação contínua
Quando expandimos a visão para a construção civil focada nas áreas industrial e de varejo, o cenário muda. Essas áreas nunca param; elas se adaptam.
Mesmo em cenários onde indústrias e lojas não projetam expansão física, elas buscam manter ou renovar suas estruturas atuais, sempre com o objetivo de otimizar pontos de venda e viabilizar o crescimento dos lucros.
Durante a pandemia, vimos dois movimentos distintos:
- Construtoras focadas no mercado imobiliário (via financiamento bancário): Continuaram operando em alta, independentemente da crise.
- Construtoras que trabalham sob demanda (corporativo/industrial): Sofreram inicialmente com o corte de investimentos das empresas, que não sabiam para onde o mercado estava indo.
Agora, com a adaptação do setor, o mercado corporativo voltará a girar. Talvez não com picos de crescimento, mas de forma constante e sem interrupções.
O olhar do mercado para o futuro e a demanda represada
Apesar das retrações iniciais, as projeções da CBIC (no estudo de Desempenho Econômico da Indústria da Construção) já mostraram revisões de crescimento positivas para o setor. No entanto, é preciso estar atento a uma faca de dois gumes: a demanda represada.
Muitos investidores seguraram seus aportes durante a pandemia e, com a retomada da segurança econômica, a vontade de investir em novas obras está alta. Esse é o aspecto positivo. O aspecto negativo, no entanto, esbarra em dois grandes desafios estruturais do setor:
1. Escassez de Materiais
A cadeia de produtos, insumos e equipamentos para a construção civil sofreu — e ainda sofre — com a falta de materiais. Se a demanda represada for liberada de uma vez, a escassez de insumos será uma consequência direta, atrasando a recuperação total da cadeia produtiva.
2. Mão de Obra Qualificada
Um dos maiores gargalos atuais é a qualidade da mão de obra na construção civil. Com o aumento do volume de obras, torna-se cada vez mais difícil encontrar profissionais preparados e qualificados para garantir a qualidade e o cumprimento dos prazos de entrega.
O papel das construtoras e a busca por excelência
Com a previsão de novos investimentos, a meta das construtoras é crescer em sintonia com o mercado. Para o futuro, o principal objetivo é se posicionar perante os grandes players como a melhor alternativa para novas construções e adaptações de ambientes.
Para que isso aconteça, é fundamental:
- Trabalhar procedimentos internos rigorosos;
- Fornecer estrutura e segurança jurídica e operacional para grandes empresas;
- Entregar um alto padrão de qualidade em gestão, gerenciamento e execução de obras.
A visão organizacional interna de uma construtora é o que demonstra ao mercado corporativo que é possível realizar obras com os melhores procedimentos e com segurança máxima.
Sobre o autor: Victor Gomes é CEO da Expertise Construtora, empresa focada em entregar excelência, gestão e segurança para grandes projetos da construção civil.



