Conhecer, desenvolver e aplicar os diversos sistemas construtivos industrializados numa mesma obra passou a ser o grande objetivo do segmento. Pelo menos é o que indica a segunda edição da Modern Construction Show, realizada entre 29 de setembro e 1º de outubro, no Anhembi, em São Paulo (SP). A revista O Empreiteiro cobriu o evento.
Íria Doniak, presidente executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (ABCIC), avalia que a escassez e o maior custo de mão de obra impulsionam o segmento. Mas não é só. “Tem outras pautas, como competitividade e sustentabilidade”, diz.
Ela destaca os segmentos os quais a industrialização da construção já avançou bem por conta do rápido retorno do investimento, que são os setores de shopping centers, centros de distribuição e logística e, mais recentemente, os datacenters.
Mas há também projetos já desenvolvidos com solução construtiva industrializada em terminais de ônibus, aeroportos e em outros setores ligados à infraestrutura.
“Mas um segmento em ascensão é o de edifícios comerciais pré-fabricados de 10 a 15 andares. Mas é preciso a combinação de sistemas industrializados para potencializar as obras”, afirma.
Mateus Siegle, representante da Pré-Vale Pré-Moldados, disse que o mercado já oferece soluções industrializadas desde a fundação até a cobertura em segmentos como de galpões.
O que a empresa tem apostado hoje é em produtos mais leves, como painel de fechamento de concreto com EPS (poliestireno expandido), combinando resistência com leveza, conforto termoacústico e menor preço.
Assim como Íria Doniak, ele crê na expansão da construção industrializada na habitação. “O brasileiro tem mudado aos poucos a cultura do tijolinho por tijolinho. Não vai deixar de existir, mas o industrializado vem para agregar cada vez mais. É uma solução muito difundida no exterior”, diz.
Do projeto à construção
João Carlos Leonardi, diretor da Leonardi Construção Industrializada, avalia que é preciso difundir soluções e tecnologias disponíveis no país e como podem ser utilizadas conjuntamente.
“O cliente quer uma obra industrializada, e muitos projetos necessitam da mescla dos sistemas construtivos. Cada sistema pode agregar valores e características diferentes à obra, e é dessa combinação que vem o resultado”, comenta.
Ele, no entanto, disse que somente a parceria entre arquitetos, engenheiros, incorporadores, construtores e indústria se será capaz de mesclar diferentes sistemas construtivos no desenvolvimento de um empreendimento.
Entre os sistemas construtivos industrializados, incluem-se pré-fabricado de concreto, material metálico, como sistemas em aço e light steel frame, e madeira engenheirada.
De acordo com Luís Fernando Ciniello Bueno, sócio e head de Inovação e Tecnologia da Rocontec, que palestrou no evento, as experiências na industrialização fazem parte da empresa, que envolve desenvolvimento e concepção de projetos e construção, além de disciplinas como mecanização de canteiro e logística.
No item logística, o executivo diz que tudo muda com a industrialização da obra. “Pensamos primeiro em onde colocar os materiais e em que fase esses materiais serão utilizados, o que muitas vezes exige inverter etapas em relação às construções convencionais”, ressalta.
Para Marcos Sarge, diretor executivo do Grupo Kallas, também palestrante do evento, há critérios que devem orientar a escolha do sistema construtivo, como o conhecimento das alternativas disponíveis e o perfil do empreendimento.
“O processo decisório envolve também a localização e o entorno da obra e deve levar em conta as restrições de circulação e a área disponível para estoque e armazenamento”, afirmou.
Há um consenso entre os participantes do evento da necessidade de se trabalhar junto no mercado a aplicação dos sistemas construtivos industrializados. É que para se desenvolver um tipo de sistema, há necessidade de avançar com outros diretamente relacionados, para se proporcionar uma solução completa e mais vantajosa ao empreendedor.




