Em fases diferentes de engenharia, fornecimento e alguns já em pré-comissionamento, a Axia Energia está com 288 empreendimentos com obras em andamento. A companhia anunciou que investiu R$ 3,117 bilhões, entre abril e junho de 2026, 53% a mais que o mesmo período em 2025, dedicados à expansão e modernização dos ativos de transmissão. Juntos, segundo a Axia, esses projetos têm potencial para adicionar cerca de R$ 2 bilhões em Receita Anual Permitida (RAP) entre 2026 e 2030.

Em entrevista à revista O Empreiteiro, o diretor de Implantação de Engenharia na Axia Energia, Marcelo Brasil Calvet, que é responsável pela execução dos projetos de reforço e melhorias, e estratégicos de transmissão e geração, além da modernização de UHE’s, detalhou o conjunto de obras em cada segmento. A companhia possui 81 usinas, sendo 47 hídricas, 33 eólicas e uma solar.
De acordo com ele, na modernização de usinas hidrelétricas, existem atualmente seis em andamento: Sobradinho (BA), Paulo Afonso IV (BA), Porto Colômbia (MG), Tucuruí (PA), Itumbiara (MG) e Luiz Gonzaga (PE). Todos os projetos estão em execução e devem gerar 2.500 empregos diretos e 1.200 empregos indiretos ao longo das diferentes etapas de implantação.
“Em termos de ampliação de capacidade instalada, os projetos de modernização atualmente não contemplam aumento de potência das usinas. Seu principal objetivo é elevar a confiabilidade operacional dos ativos, reduzindo a ocorrência de falhas, os tempos de indisponibilidade e os custos de operação e manutenção, além de aumentar a vida útil dos equipamentos e o tempo médio entre falhas”, explicou Calvet.
Desse programa de modernização, o engenheiro destacou o projeto de ampliação da UHE Luiz Gonzaga, que possui natureza distinta e é uma das iniciativas mais relevantes do portfólio da companhia. “O empreendimento decorre da vitória da no Leilão de Reserva de Capacidade realizado em março de 2026, e prevê a instalação de uma nova unidade geradora de 246 MW em um bloco já existente da casa de força da usina. Além da expressiva ampliação da capacidade instalada, o projeto apresenta uma elevada complexidade técnica por envolver a integração de uma nova unidade geradora a uma usina em operação, exigindo assim adaptações eletromecânicas, civis e dos sistemas de proteção, controle e supervisão – sem interrupção das atividades regulares da usina”.
UHEs em modernização e suas fases:
- UHE Sobradinho: duas das seis unidades geradoras (UGs) já tiveram sua modernização concluída. A terceira unidade teve início das atividades no final de agosto.
- UHE Paulo Afonso IV: a modernização da quarta das seis unidades geradoras foi concluída em junho. Atualmente, a quinta unidade encontra-se em modernização, com previsão de conclusão até o final deste ano. Na sequência, será iniciada a modernização da sexta e última unidade, cuja conclusão está prevista para 12 meses após o início dos trabalhos, programado para janeiro de 2027.
- UHE Porto Colômbia: a modernização da primeira das quatro unidades geradoras foi concluída em junho. A segunda unidade encontra-se atualmente em modernização, com previsão de retorno à operação no início de junho de 2027.
- UHE Tucuruí: no amplo portfólio de modernização, destaca-se a atualização de 5 dos 12 geradores da primeira etapa da usina, em operação desde 1984 e que apresenta maior desgaste operacional devido ao atendimento dos serviços auxiliares. O programa contempla ainda a digitalização e atualização dos sistemas de supervisão e controle da primeira e segunda casa de força, bem como a modernização de 4 módulos GIS SF6 (Subestações Isoladas a Gás SF6) da casa de força da primeira etapa.
- UHE Itumbiara: projeto em fase de engenharia e fornecimento, contemplando a modernização dos sistemas de supervisão e controle e a substituição de 18 transformadores elevadores.
- UHE Luiz Gonzaga: projeto de modernização integral da usina, atualmente em fase de engenharia e fornecimento. O início da modernização da primeira unidade geradora está previsto para meados de 2027.

PRINCIPAIS EMPRESAS CONTRATADAS PARA ENGENHARIA, FORNECIMENTO E MONTAGEM ELETROMECÂNICA:
- GE Vernova, Voith Hydro e Hitachi Energy, atuando em diferentes frentes do portfólio de modernização da UHE Tucuruí;
- Voith Hydro, responsável pelos principais contratos de modernização das UHEs Paulo Afonso IV, Porto Colômbia e Luiz Gonzaga;
- Andritz Hydro, responsável pelas modernizações das UHEs Sobradinho e Itumbiara;
- CEE e Sete Brasil, que participam do projeto da UHE Itumbiara, incluindo o fornecimento e a substituição dos transformadores e elevadores.
OUTROS PROJETOS EM HIDRELÉTRICAS
Além dos projetos atualmente em execução, Calvet contou que a companhia possui uma carteira de modernizações em fase de estudo, estruturação e desenvolvimento para os próximos anos.
“Entre as iniciativas de maior relevância, destacam-se os retrofits completos das oito unidades geradoras da UHE Marimbondo (MG), das quatro unidades geradoras da UHE Apolônio Sales (AL) e de três unidades geradoras da UHE Funil (RJ). Adicionalmente, está prevista a modernização parcial da UHE Mascarenhas de Moraes (MG), contemplando a renovação total ou parcial de 8 das 10 unidades geradoras da usina, além da substituição de transformadores elevadores”.
PARQUES EÓLICOS
Das 33 usinas eólicas da companhia, Calvet destacou o Complexo Coxilha Negra, formado pelos parques Coxilha Negra 02, 03 e 04, e que é atualmente o maior empreendimento eólico da Axia Energia.
Localizado no Rio Grande do Sul, o complexo é composto por 72 aerogeradores de 4,2 MW cada, totalizando 302,4 MW de capacidade instalada. As obras foram concluídas em abril de 2025 e o empreendimento encontra-se em operação comercial desde então.
Já sobre a implantação do Complexo Eólico Casa Nova (BA), o diretor informou que foi concluída a etapa de montagem dos equipamentos eletromecânicos e que o projeto encontra-se em fase de pré-comissionamento. A conclusão dessas atividades está prevista para o final de 2026.
“Após a finalização dessa etapa, a entrada em operação do empreendimento dependerá da conclusão das obras de transmissão do leilão 001/2022, em implantação por outros agentes de transmissão, que viabilizarão a conexão do parque ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Com a disponibilidade dessas instalações, serão realizados os testes finais de integração e o comissionamento dinâmico do empreendimento, etapa necessária para a obtenção da autorização de operação comercial”, explicou.
CRESCIMENTO EM TRANSMISSÃO
Segundo a Axia Energia, os investimentos em 2026 foram direcionados principalmente aos ativos de transmissão, frente de maior crescimento da companhia. A previsão é que este sistema gere 17.754 empregos diretos até 2030, a partir das obras de implantação de 2.320 km de linhas de transmissão arrematadas em certames da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Segundo a companhia, os investimentos previstos somam R$ 8,7 bilhões nos 12 projetos.
De acordo com Calvet, atualmente, desses 12 lotes do portfólio de transmissão greenfield, 11 estão em execução e 1 concluído.
CONFIRA OS LOTES, CARACTERÍSTICAS E FASES DE EXECUÇÃO:

- Nova Era Janapu (MG) – Lote 4 – Leilão 01/2023: Cerca de 303 km de extensão 500 kV Janaúba 6 – Presidente Juscelino, C1, CS. Está na final de execução das fundações, montagem das estruturas em andamento, lançamento dos cabos iniciado.
- Nova Era Teresina (PI) – Lote 1 – Leilão 01/2024: Cerca de 530 km de linhas de transmissão em 500 kV ligando Quixadá (CE), Crateús (CE) e Teresina (PI).
- Nova Era Ceará (CE) – Lote 3 – Leilão 01/2024: Aproximadamente 337 a 340 km de linhas em 500 kV e 230 kV, incluindo trechos como Morada Nova–Pacatuba (500 kV) e Banabuiú–Morada Nova / Alex–Morada Nova (230 kV).
- Nova Era Integração (AL, BA, CE, PB, PE, PI e RN) – Lote 5 – Leilão 01/2024: “Megacinturão” de 1.116 km de linhas de transmissão que vai atravessar Ceará, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Bahia e trechos do Piauí, em 500 Kv. É o maior lote da companhia, dividido em 3 Blocos, fornecimento em cerca de 70% concluído. Sobre os blocos:
- Bloco 1 – Obra Civil em andamento;
- Bloco 2 – Obra Civil e Montagem Eletromecânica em andamento;
- Bloco 3 – Em fase de licenciamento ambiental.
- Nova Era Catarina (SC) – Lote 9 – Leilão 01/2024 – Subestação 230/138 kV Chapecoense (com 300 MVA de potência) e trechos de linha de transmissão associados (3 a 4 km). Projeto Energizado, em fase de encerramento.
- Nova Ponte (MG) – Lote 6A – Leilão 04/2025: Subestação 500 kV Nova Ponte 3 com duas unidades de compensação síncrona (2 x -200/+300 Mvar). Em fase de desenvolvimento do projeto e fabricação de equipamentos, mobilização prevista ainda este ano.
- Paracatu (MG) – Lote 6B – Leilão 04/2025: Subestação Paracatu 4 de 500 kV. Em fase de desenvolvimento do projeto e fabricação de equipamentos, mobilização prevista ainda este ano.
- Carnaúba (RN) – Lote 7A – Leilão 04/2025: Implantação da Subestação 500 kV Açu III e duas unidades de Compensação Síncrona 500 kV. Em fase de desenvolvimento do projeto e fabricação de equipamentos, mobilização prevista ainda este ano.
- Seridó (RN) – Lote 7B – Leilão 04/2025: Subestação 500 kV João Câmara III e uma unidade de Compensação Síncrona 500 Kv. Em fase de desenvolvimento do projeto e fabricação de equipamentos, mobilização prevista ainda este ano.
- Naviraí (MS) – Lote 8 – Leilão 01/2026: Implantação da Subestação Iguatemi 2 (230/138 kV) e conexão à linha Guaíra-Dourados C1. Cerca de 3,1 km a 6,2 km de linhas aéreas em 230 Kv. Em fase de assinatura de contratos.
- Vale do Paraíba (SP) – Lote 9 – Leilão 01/2026: 19 km que interliga a nova Subestação (SE) Dom Pedro I à linha existente LT 230 kV São José dos Campos – Mogi das Cruzes. Em fase de assinatura de contratos.
- Jauru (MT) – Lote 10 – Leilão 01/2026: Linha de transmissão em 500 kV com 0,5 km (2 x 0,5 km) fazendo o entroncamento com a linha Jauru–Cuiabá C2, além da implantação da Subestação Cuiabá Norte (500/138 kV). Em fase de assinatura de contratos.

NOVAS TECNOLOGIAS EM SUBESTAÇÕES
Outro sistema que vem sendo modernizado pela Axia Energia são as subestações com o Projeto EletroBim, que prevê a digitalização de aproximadamente 300 subestações da empresa até 2029. O GeoBIM, projeto premiado no InovaInfra 2026 da revista O Empreiteiro, é uma iniciativa de engenharia digital baseada em BIM, GeoBIM e Digital Twin para criação de modelos digitais de subestações, usinas e linhas de transmissão.
Lançado em 2024, o programa prevê investimentos de R$ 78 milhões até 2029, com expansão de 51 para 269 ativos digitalizados. A tecnologia permite integrar dados técnicos, operacionais e geográficos em um único ambiente.




