O Complexo Solar Janaúba, localizado no norte de Minas Gerais, teve a expansão finalizada pela empresa de fornecimento de energia verde Elera Renováveis. O processo de conclusão se deu com a entrada em operação comercial de Irapuru, na terceira fase do empreendimento e com isso o projeto adicionou 422 MWp de capacidade instalada, atingindo um total de 1.617 MWp, suficiente para atender o consumo residencial de 1,2 milhão de pessoas, consolidando o empreendimento como o maior complexo solar do Hemisfério Sul e das Américas. Além de contribuir para a transição energética brasileira, o complexo evitará a emissão de aproximadamente 850 mil toneladas de CO₂ anualmente, reforçando o papel da energia renovável no combate às mudanças climáticas.
Para Bernardo Etges, CEO da Climb Engenharia, o negócio vai além da produção de energia. “Para o projeto sair do papel, a Elera, que é a desenvolvedora da operação do parque voltaico, contratou o consórcio de duas empresas, Gel e Cosampa, e através delas nós fomos acionados para trabalhar nesse aspecto específico de ganhos e eficiência para redução de prazos e atender os requisitos de operação dentro do escopo de montagem das unidades fotovoltaicas. Janaúba é um marco para a Companhia e contribui para a ampliação das renováveis na matriz elétrica brasileira”, afirma.

O processo de energização dos parques solares da etapa de ampliação de Janaúba foi iniciado no final de 2024, conectando o sistema fotovoltaico ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e, no dia 1º de janeiro de 2025, teve início sua operação comercial. Nos seis meses de operação, foi implementada a metodologia “Lean” (uma abordagem de gestão que visa maximizar o valor para o cliente, minimizando desperdícios), engajando as equipes, formando multiplicadores e gerando valor agregado ao produto construído, criando maior confiabilidade e visualização das atividades.
Como inovação na condução da execução, foram realizados ciclos kaizen em atividades críticas, especialmente na montagem dos trackers. A partir de observações em campo, cronoanálises detalhadas e rebalanceamento da mão de obra, o processo produtivo foi redesenhado, resultando em ganhos consistentes de produtividade e no atingimento dos indicadores planejados. A incorporação sistemática da melhoria contínua fortaleceu a cultura do projeto e gerou aprendizados replicáveis para futuros empreendimentos.
“Todo o processo de implantação do Lean vem do entendimento das etapas construtivas onde buscamos entender quais os ciclos dessas etapas e os recursos alocados para que entrem numa sequência de construção. O grande desafio de parques solares é o aspecto logístico, tanto a logística externa, onde a maior capacidade das estruturas são de importação, pois temos um grande volume de contêineres que chegam tanto das estruturas dos trackers quanto dos módulos, e isso precisa ser sequenciado, quanto a logística interna porque estamos falando de áreas de 300, 400 hectares e temos que fazer toda a distribuição. Trabalhar com essa visão da logística associada à produção e preparação de materiais é uma virada bem importante com o que diz respeito à eficiência”, explica o CEO.
A aplicação da metodologia Lean pode ser extrapolada para qualquer tipo de processo produtivo ou construção, sendo a tipologia fotovoltaica particularmente rápida para obter resultados devido ao caráter de repetição. A estabilização dos processos abre caminho para a integração de tecnologias como digitalizações e apropriações remotas de forma mais estável. A Climb Engenharia segue aplicando esse sistema em novos projetos, como o de Seriema, onde já iniciou com uma base mais avançada de controle, reforçando que o amadurecimento vem com a consistência e repetição.
Com um investimento total de R$5 bilhões, o Complexo Solar Janaúba abriga 2,9 milhões de módulos solares, distribuídos em 27 usinas fotovoltaicas que ocupam uma área de mais de 3,8 mil hectares, o equivalente a 5,2 mil campos de futebol. Durante sua construção, foram gerados 15 mil empregos diretos e indiretos, promovendo o desenvolvimento socioeconômico da região. Toda a energia gerada pela terceira fase do Complexo Solar Janaúba, bem como a das fases anteriores, já foi comercializada no ACL (Ambiente de Contratação Livre), com contratos de duração superior a 15 anos, firmados com diferentes clientes, na modalidade de autoprodução.
“A Climb trabalha há muito tempo com parques solares, temos um conhecimento de diversos parques que foram desenvolvidos e a cada ciclo conseguimos incorporar lições aprendidas e melhorias que levaram ao case que foi agraciado com o InovaInfra 2026”, finaliza o CEO.







