Joint venture austro-brasileira oferece serviços e equipamentos de diagnóstico de rede

A Baur do Brasil, filial da austríaca Baur, uniu-se à empresa de engenharia RDS Brasil e criou uma joint venture para operar sob a marca Baur do Brasil. A nova empresa oferece dispositivos de medição e softwares para testes e diagnóstico de cabos isolados (condutor revestido de camada isolante) de média tensão.

A Baur tem 74 anos de existência e atuava no Brasil desde 2006. A RDS foi fundada em 2012. “O objetivo da nova empresa é oferecer soluções completas de diagnósticos em redes elétricas (equipamento e serviço) e aumentar participação em novos segmentos, notadamente, o mercado de energias renováveis (eólica e solar)”, explica Daniel Bento, diretor executivo da Baur do Brasil. Ele ressalta também o foco em plantas industriais de diversos segmentos, que transformam altas tensões em médias ou utilizam extensivamente cabos isolados, como mineradoras.

O executivo aproveita para criticar o alto índice no Brasil de rede elétrica aérea. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), apenas 2% da rede é subterrânea com cabos isolados, mas especialistas acreditam que seja até menos. De acordo com Daniel, a rede aérea impacta diretamente na produtividade pelos riscos existentes.

A RDS Brasil da qual Daniel Bento dirigia já trabalhava com equipamentos da Baur do Brasil. O CEO da Baur global, Markus Baur, acredita que a parceria nasce em um momento em que o País diversifica sua matriz energética.

“O mercado de energia está em transição por conta principalmente da necessidade de diminuir os gases do efeito estufa. Com isso, energias renováveis vêm crescendo”, destaca o CEO, acrescentando que a rede de média tensão é a espinha dorsal dessa mudança.

Os serviços e equipamentos da Baur do Brasil incluem monitorar e medir para ter conhecimento da rede existente. A medição inclui diagnóstico de cabos, como dissipação e precisão, geração de dados relevantes, e produção de conhecimento para oferecer bases de dados.

A característica do mercado de desconhecer o serviço de diagnóstico de cabo e cultura inexistente de manutenção preventiva/preditiva dificultam a penetração dos serviços de monitoramento de rede. Porém, a Baur alerta para o fato de boa parte do parque de cabos isolados no País ter atingido a maturidade.

A Baur possui faturamento global de 30 milhões de euros.

Case

Recentemente, a Baur do Brasil foi contratada para atuar na unidade industrial de Limeira da Ajinomoto, empresa do setor alimentício.

“Nesta planta, foram identificados 207 cabos de média tensão com idades de operação variadas. Os cabos mais antigos possuíam em torno de 30 anos de vida. Tendo em vista todo este tempo de operação, havia o entendimento de que eles já estavam no fim da sua vida útil e deveriam, portanto, ser substituídos”, explica o diretor executivo Daniel Bento.

O trabalho de análise e diagnóstico da empresa tinha, então, o propósito de avaliar individualmente a condição em que cada cabo em operação se encontrava. Tendo em vista a relevância do trabalho, o diagnóstico não se limitou apenas aos cabos com maior tempo de instalação, mas sim a todos os 207 cabos existentes na fábrica.

O resultado foi que, entre os 165 cabos na lista dos mais antigos, apenas 57 cabos estavam de fato em um estágio avançado de degradação, sendo efetivamente recomendada a sua substituição naquele momento.

“Esta ação, além de gerar uma redução de custo para a empresa, também proporcionou redução na emissão de gases causadores do efeito estufa e evitou geração de resíduos com o descarte dos cabos antigos preservados”, avalia o executivo.

 

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