O Brasil consolidou, nas últimas décadas, uma das cadeias produtivas mais completas do mundo voltada ao setor de energia. Se o parque hidrelétrico foi o berço dessa expertise, a ascensão das fontes renováveis — com destaque para a energia eólica — impõe novos desafios técnicos e de gestão. Nesse cenário, o serviço de Engenharia do Proprietário emerge como o “olho do dono” essencial para garantir a viabilidade de novos empreendimentos.
O Legado das Hidrelétricas e a Gestão Terceirizada
A construção de grandes usinas hidrelétricas no País não apenas gerou energia, mas desenvolveu um ecossistema que vai da fabricação de turbinas pesadas ao licenciamento ambiental complexo.
Um dos pilares desse sucesso foi a Engenharia do Proprietário. Ao terceirizar o gerenciamento do projeto, investidores e empreendedores sem expertise técnica direta puderam entrar no setor com segurança. Essa modalidade garante que o projeto seja executado dentro dos padrões de qualidade, custo e prazo, sem que o dono do ativo precise criar departamentos internos de engenharia do zero.
O Boom da Energia Eólica no Brasil
A fonte eólica é protagonista de uma das maiores transformações da matriz elétrica brasileira. O crescimento acelerado, fomentado inicialmente por programas como o Proinfa, elevou a capacidade instalada de modestos 29 MW para patamares de Gigawatts em tempo recorde.
Fatores que impulsionaram o setor:
- Incentivos Governamentais: Contratação de parques com custos atraentes.
- Nacionalização da Cadeia: Fomento à produção brasileira de aerogeradores e componentes.
- Cenário Global: A desaceleração em mercados tradicionais (EUA e Europa) atraiu fabricantes internacionais para o mercado brasileiro.
Desafios Técnicos: Nem toda Obra é Simples
Apesar de serem menores em escala quando comparadas às grandes hidrelétricas, as usinas eólicas e solares possuem particularidades técnicas que têm surpreendido novos investidores.
Atrasos em projetos, dificuldades na obtenção de licenças ambientais e complexidades na conexão à rede mostram que a atividade exige rigor técnico. A percepção de que renováveis são “simples” deu lugar à realidade de um mercado que pune a falta de planejamento.
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“O ‘olho do dono’ terceirizado, que garantiu tranquilidade nas obras de inúmeras hidrelétricas, é agora indispensável para as novas renováveis.”
Conclusão: A Experiência como Garantia de Abastecimento
A aplicação da Engenharia do Proprietário em projetos de menor escala, mas de importância estratégica, é o caminho para evitar o desperdício de capital e garantir o abastecimento energético do País. A consultoria especializada atua como um braço de confiança para investidores que buscam diversificar ativos no setor elétrico, mas não abrem mão da excelência operacional.
Sobre o autor: João Carlos Mello é presidente da consultoria Andrade & Canellas.
