Não é por acaso que a extensão da Linha 2 – Verde, cuja obra terá 29 km, quando finalizada, deverá ser a maior e mais complexa do Metrô SP, e uma das maiores de infraestrutura da América Latina. Juntando as duas fases do empreendimento, elas somam, aproximadamente: 1,5 milhão de m³ de concreto, o que equivale a 750 torres residenciais de 25 andares; mais de 100 mil toneladas de aço, cuja maior parte já foi usada, e que correspondem a 14 torres Eiffel; além da previsão de escavar mais de 5,7 milhões de metros cúbicos de solo.
“É difícil até mesmo ter dimensão do que significa tudo isso. Mas daria para ‘encher’ o Estádio do Maracanã, do gramado até a cobertura e incluindo arquibancadas, até o topo, pelo menos umas 11 vezes”, detalhou Aldo José Frati, engenheiro civil e gerente de Empreendimentos do Metrô de São Paulo, que concedeu entrevista à revista O Empreiteiro.
A Linha 2-Verde se conectará com a Linha 3-Vermelha, e está sendo executada em duas fases: a primeira, que será a expansão entre Vila Prudente e Penha, prevista para 2027, com mais 8,3 km e 8 novas estações; e a Fase 2, para 2028, quando serão implantados mais 6 km e 5 estações, alcançando até o município de Guarulhos.
“A obra, por si só, é um desafio de extrema complexidade e escala. Hoje nós temos obras de estações em fase final, com execução de acabamentos, instalações elétricas e outros sistemas, como, por exemplo, em Orfanato, Santa Clara e Anália Franco. Temos também estações na fase de estruturas de concreto e até alguns túneis ainda sendo escavados com a tuneladora, isso no primeiro trecho da obra, que corresponde de Vila Prudente a Penha. A partir de Penha, as obras se encontram em uma fase mais inicial, algumas em etapa de escavação dos poços e túneis e outras que ainda estamos demolindo os imóveis para iniciar.”

O engenheiro ressaltou a atenção em cada etapa devido ao tamanho do projeto. “O estágio e andamento de cada obra são meticulosamente planejados para que as estações e poços encontrem a tuneladora no tempo certo. É importante lembrar que, embora estações e túneis feitos com tuneladoras sejam obras mais lembradas, o empreendimento possui mais de 30 frentes, que vão desde ventilações e saídas de emergência até pátios de manutenção e estacionamentos subterrâneos.”
OS DESAFIOS DA MAIOR OBRA
Frati, que atua na gestão de grandes projetos de expansão da rede metroviária, com destaque para as Linhas 2-Verde e 19-Celeste, relatou os maiores desafios da Linha 2.

“Essa escala (de atividades) nem de perto é a parte mais difícil. Sem dúvidas, nosso maior desafio é fazer tudo isso dentro da maior cidade do país, enquanto ela funciona, impactando o mínimo e com toda segurança”.
Ele lembrou que, por se tratar de uma linha de Metrô, as obras são sempre realizadas em locais com grande adensamento urbano e infraestrutura de trânsito saturada, o que exige convivência harmônica da obra com as comunidades do entorno e órgãos responsáveis. “Comumente temos que remanejar adutoras de água que abastecem milhares ou até milhões de pessoas. Temos que construir galerias de drenagem novas, redesenhar sistemas de água e esgotos, remanejar redes elétricas e de telecomunicações. São muitas atividades que precisam ser feitas antes, durante e depois das obras, que requerem autorização e entrosamento constante com dezenas de instituições e envolvem outras partes interessadas nos processos, e que as pessoas nem imaginam que têm relação com a obra do Metrô”, pontuou.

Apesar do projeto buscar o menor impacto possível, Frati explica alguns serviços que interferem na cidade, como é o caso das obras na Avenida Dr. Orêncio Vidigal, onde a obra passa por dentro da Vila Carlos de Campos – relatada por um leitor da revista O Empreiteiro, além de outras áreas que precisam ser até desapropriadas por segurança.
“Nos túneis escavados pelo Metrô, o maciço geológico é minuciosamente condicionado, onde necessário, para gerar o mínimo de impactos. Entretanto, ao escavar 5,7 milhões de m³ de solo, é normal que se observe pequenas movimentações do maciço ou que a superfície se mova um pouco. O termo técnico para isso é recalque, e em geral ele é medido em alguns poucos milímetros”, explicou Aldo, acrescentando: “O que ocorre é que, ao escavar sob ou ao lado de construções mais antigas, edificações feitas com menor requinte técnico ou construídas sobre solo muito mole, sem as devidas fundações, muitas vezes, por precaução, é necessário realizar a desocupação temporária do imóvel. Em raríssimos casos, uma desocupação definitiva”.
INVESTIMENTOS E CRONOGRAMA
De acordo com o Metrô SP, somente na fase 1, o investimento total previsto é de R$ 15 bilhões. Já a fase 2, o investimento total previsto é de R$ 9 bilhões.

Sobre o cronograma, o gerente informou que diversos sistemas que irão compor as estações já estão em fabricação e serão instalados até o final de 2026. “Começaremos a ver escadas rolantes e portas de plataforma nas estações, e também será possível ver grandes modificações em superfície tomarem forma, com restabelecimento de vias que foram ocupadas, reurbanizações, paisagismos, estruturas metálicas e vidraria em todas as estações até Penha”.
Quanto à Fase 2 – Penha a Dutra, o início de todas as unidades construtivas, com a parte da construção pesada em todos os canteiros de obra, será em 2027, em preparação para a chegada e passagem da tuneladora Hebe Camargo.

Principais atividades de cada obra da Linha 2, atualmente:
FASE 1: Estação Orfanato:
- Estruturas metálicas, acabamentos, instalações e sistemas.
- Estação Santa Clara: estruturas de concreto, acabamentos, instalações e sistemas.
- Estação Anália Franco: estruturas de concreto, acabamentos, instalações e sistemas.
- Estação Vila Formosa: estruturas de concreto, acabamentos, instalações e sistemas.
- Estação Santa Isabel: estruturas de concreto e acabamentos.
- Estação Guilherme Giorgi: estruturas de concreto e acabamentos.
- Estação Aricanduva: estruturas de concreto e acabamentos.
- Estação Penha: estruturas de concreto e acabamentos.
- Túneis de via – Vila Prudente a Complexo Rapadura: instalação de via permanente.
- Túneis de via – Penha a Complexo Rapadura: em escavação pela tuneladora Cora Coralina.
FASE 2: Túneis de Via de Penha a Dutra:
- Em realização, montagem da tuneladora Hebe Camargo, com previsão de partida para setembro/26.
- Estação Penha de França: escavação do poço central e obras do acesso.
- Estação Gabriela Mistral: serviços de arqueologia necessários antes do início das obras.
- Estação Fernão Dias: escavação do poço central.
- Pátio Paulo Freire: em execução serviços de terraplenagem e condicionamento do solo.
- Estações Ponte Grande e Dutra: em fase de desapropriações e/ou demolições.
- Principais empresas participantes: Engibrás Engenharia, Crasa Infraestrutura, Agis Construção, Mendes Júnior Engenharia, Powerchina Brasil, Cetenco Engenharia, Ghella, S.A. Paulista, Sacyr Construcción do Brasil, Acciona Infraestructuras, Heleno da Fonseca, entre outras.



