O início de 2009 tem sido surpreendente para quem investe na bolsa brasileira. Até o momento, o Ibovespa acumula uma alta superior a 12%, contrastando fortemente com o desempenho negativo das bolsas de Nova York, como o Dow Jones e o S&P 500.
Mas a pergunta que ecoa no mercado financeiro é: essa tendência de alta do Ibovespa é sustentável? Especialistas consultados mapearam os pilares que podem manter as ações brasileiras no azul — e os riscos que podem travar essa recuperação.
5 Fatores que Podem Consolidar a Alta da Bolsa
Para que o mercado acionário brasileiro engate uma valorização prolongada, analistas apontam que o cenário global precisa de definições claras em frentes distintas:
1. Aprovação e Eficácia dos Pacotes Americanos
A recuperação da economia global depende da solvência dos bancos nos EUA. Sem a resolução do sistema financeiro, a recessão pode se prolongar por anos. A aprovação de medidas de estímulo e infraestrutura pelo governo Obama é vista como o ponto de partida necessário para estabilizar os mercados emergentes.
2. Retomada do Consumo nos Estados Unidos
Os EUA continuam sendo o principal destino de exportações brasileiras. Somente em 2008, os americanos compraram mais de 25 bilhões de dólares em produtos do Brasil. A volta do consumo das famílias americanas é vital para impulsionar as empresas exportadoras da nossa bolsa.
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3. Recuperação da Economia Chinesa
A China é um dos maiores consumidores de commodities do mundo. Como a Vale possui um peso gigantesco no índice Ibovespa e depende diretamente da demanda chinesa por minério de ferro, o ritmo de crescimento de Pequim dita, em grande parte, o humor do pregão paulista.
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4. Confiança no Sistema Financeiro e Crédito
O “empoçamento” de liquidez nos bancos impede que o crédito chegue às empresas e consumidores. A regularização das linhas de crédito é o “ponto de virada” esperado para que os bilhões injetados pelos governos realmente surtam efeito na economia real.
5. Queda da Taxa Selic e Juros Reais
Com a inflação sob controle, uma política mais agressiva de corte de juros pelo Banco Central brasileiro pode migrar investidores da renda fixa para a variável. Ações “baratas” (as chamadas pechinchas) tornam-se atraentes quando o custo de oportunidade dos juros cai.
Os Riscos: Protecionismo e Volatilidade
Apesar do otimismo, o cenário ainda é de incerteza. O protecionismo econômico e a lentidão na recuperação dos bancos estrangeiros podem afastar o investidor estrangeiro, que historicamente sustenta as grandes altas da Bovespa.
| Índice | Desempenho no Início de 2009 |
| Ibovespa (Brasil) | +12,10% |
| Dow Jones (EUA) | -5,80% |
| Nasdaq (EUA) | +0,90% |
| S&P 500 (EUA) | -3,70% |
Conclusão: Ainda é Cedo para Comemorar?
Para analistas do Banco Fator e Barclays, a volatilidade deve continuar. O pensamento de que “as notícias ruins já estão no preço” pode ser irrealista, dado que a plenitude dos efeitos da crise global ainda está sendo descoberta.


