YII2019: “Gêmeo digital” da obra real prolonga vida útil e previne paradas não programadas

Essa é a mensagem central do evento YII Year in Infrastructure 2019, realizado pela Bentley Systems, em outubro, em Singapura, reunindo 1.900 profissionais, incluindo projetistas, construtoras, consultores e empresas operadoras de ativos de infraestrutura e instalações industriais de quatro continentes. 

O trabalho de engenharia investido num modelo “gêmeo digital” em 4D, assim chamado porque inclui o fator tempo, do empreendimento real traz retorno expressivo ao estender a vida útil, através de programas de manutenção, e evitando as paradas não programadas e disruptivas. Mais de uma centena de projetos de 35 países foram enviados para avaliação de júris independentes, formados pela coordenação da conferência YII 2019, em 18 categorias, cujos autores apresentaram seus trabalhos ao público presente.

O prêmio de reconhecimento pelos resultados no uso do “gêmeo digital” foi concedido a projetos de diferentes tipos, como, por exemplo, à projetista Italferr pelo novo viaduto Polcevera, que está sendo construído com estrutura metálica pré-fabricada em estaleiro local, substituindo a antiga estrutura que ruiu em Genova, Itália.

E ainda a Heilongjiang Construction High-Tech, no projeto do Parque de Demonstração de tecnologias de industrialização para construção, em Harbin, China; e o consórcio projetista Mott MacDonald/Systra, pela gestão digital do fluxo de trabalho nas obras civis junto ao consórcio Bafour Beatty/Vinci, na obra ferroviária TAV 2 (trechos N1 e N2), em Birmingham, Inglaterra.

E segue com a CCCC Water Transportation Consultants (WTC), no projeto do pátio automatizado de contêineres da SAPT, com núcleo residencial, em Karachi, Paquistão; e o Departamento de Engenharia Civil da Região Administrativa de Hong Kong e AECOM, pelos projetos digitais de planejamento urbano para a “nova” região Kwu Tung North da ilha.

Foram ainda laureados a Shenzhen Expressway Engineering Consultants, que desenvolveu o “gêmeo digital” da intersecção rodoviária de alta complexidade em Yangang East, Shenzhen, China; e Águas do Porto, pela plataforma tecnológica H2PORTO, que faz a gestão integrada do ciclo de água urbana em Porto, Portugal.

A predominância de empresas chinesas e de outros países asiáticos chamou a atenção dos participantes da YII 2019. Na categoria Pontes, venceu a Pt Wijaya Karya (Persero), pelo projeto e construção da Harbour Road 2, em Jacarta, Indonésia.

Em Edificações, venceu a Voyants Solutions, pelo projeto e gestão nas obras de 12 parques de TI em Bangladesh.

Na categoria Indústria, ganhou a Hatch pelo projeto digital de uma planta de ácido sulfúrico na República Democrática do Congo, cujo comissionamento levou apenas alguns meses.

Em Modelagem de Realidade, venceu a MMC Gamuda KVMRT, pelo uso de drones no mapeamento digital tipo BIM e GIS, para projeto de metrô em Kuala Lumpur, Malásia.

No segmento Desempenho de Ativo Rodoviário, foi vencedora a Lebuhraya Borneo Utara, pela gestão e operação da rodovia Pan Borneo, em Sarawak, Malásia.

Em Rodovias, ganhou a Foth Infrastructure, pelo projeto de revitalização do corredor rodoviário Cedar Falls, Iowa, Estados Unidos.

Em Engenharia Estrutural, saiu na frente a WSP, de Londres, pelo projeto estrutural de um complexo no subsolo da histórica construção Admiralty Arch, na capital britânica.

Nessa categoria, concorreu como finalista a FG Consultoria do Brasil, liderada pelo engenheiro Gustavo Vasconcellos, com o projeto estrutural desenvolvido 100% em BIM da nova sede da Patrimonium, em Lagoa da Prata (MG), que incorpora um balanço inclinado inusitado (ver projeto em Construção Imobiliária desse site).

Em Desempenho de Ativos Industriais e de Utilidades Públicas, foi vencedora a EPCOR Utilities, de Edmonton, Canadá, pela gestão da rede de distribuição de energia baseada em avaliação de riscos potenciais.

Em ETE e ETA, as eleitas pelo júri foram Jacob Engineering e a Agência Nacional de Água de Singapura-PUB, pela planta de reciclagem d’água de Tuas. Também foi finalista aqui o consorcio AECOM/Keppel, pela planta de dessalinização Keppel Marina East, em Singapura.

Esses dois últimos projetos mostram que a cidade-estado continua investindo em recursos hídricos, via reciclagem de efluentes e agora dessalinização. A água consumida aqui é importada da Malásia, e água reciclada potável é engarrafada numa garrafa etiquetada como New Water.

Nesse balanço da conferência global YII 2019, é inevitável a sensação de que o Brasil está ficando para trás em novos projetos de infraestrutura — se não descomplicar seus marcos regulatórios para atrair recursos privados. O governo nas três esferas também tem a obrigação de recuperar suas finanças no médio prazo — porque é impensável para um país continental não ter investimentos substanciais públicos em infraestrutura —  especialmente a nível local, a exemplo de vias expressas, redes de drenagem, água e esgotos, obras contra enchentes – que afeta de perto a população.

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