A construção do complexo de Paulo Afonso, no Rio São Francisco, marca o momento em que a engenharia nacional provou sua capacidade de liderar megaprojetos. Sob a liderança do engenheiro Otávio Marcondes Ferraz, o projeto da Chesf superou desafios geológicos e hidráulicos inéditos no Brasil.
A Inovação da Casa de Força Subterrânea
O maior desafio técnico de Paulo Afonso I foi a variação do nível da água no cânion. Instalar a usina no alto reduziria a geração; instalá-la no baixo exigiria escudos complexos. A solução brasileira foi audaciosa: construir a casa de força subterrânea.
Escavada diretamente na rocha, a caverna possuía 60m de comprimento, 16m de largura e 30m de altura. Essa técnica permitiu aproveitar ao máximo o potencial hidráulico do “Velho Chico” sem vulnerabilidade a enchentes.
Soluções Genuinamente Brasileiras
A engenharia da época precisou inovar em diversos pontos:
- Desvio do Rio: Devido à força das águas, foi construído um “navio” (caixão flutuante de 350 toneladas) na França, afundado estrategicamente para criar águas calmas.
- Mecânica de Rochas: Ernesto Picheler e Milton Vargas realizaram ensaios pioneiros no mundo para determinar a natureza da rocha local.
- Atirantamento Profundo: Em Paulo Afonso IV, a substituição do concreto por tirantes de aço nas vigas das pontes rolantes foi tão eficiente que o Banco Mundial solicitou o projeto para replicá-lo globalmente.
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A Evolução do Complexo (I a IV)
O planejamento em etapas permitiu o crescimento orgânico da potência instalada:
- Paulo Afonso I (1955): 180 MW, inaugurada pelo presidente Café Filho.
- Paulo Afonso II (1961-1968): Ampliação com mais seis unidades geradoras.
- Paulo Afonso III (1971): Uso de soluções diferenciadas para demolição de barragens provisórias.
- Paulo Afonso IV (1979-1983): Com 2.460 MW, foi a maior usina da Chesf até a chegada de Xingó em 1997.



