Levantamento da Abramat mostrava avaliação positiva das vendas, mas queda na confiança em relação às ações do governo e preocupação com o ritmo das obras de infraestrutura.
A indústria brasileira de materiais de construção mantinha uma perspectiva positiva para investimentos, mesmo diante do baixo crescimento econômico e das incertezas relacionadas às medidas de incentivo ao setor.
Sondagem mensal da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) apontava que 72% das empresas consultadas pretendiam investir nos 12 meses seguintes.
O levantamento referente a junho também mostrava que 56% das empresas classificavam o desempenho das vendas no curto prazo como “bom” ou “muito bom”.
Para o mês seguinte, esse percentual poderia chegar a 59%, segundo as expectativas registradas pela pesquisa.
Vendas mantinham avaliação positiva
A sondagem indicava uma percepção predominantemente favorável sobre o desempenho comercial das empresas.
Em junho, 56% das indústrias participantes consideravam as vendas no curto prazo entre boas e muito boas.
A expectativa para o mês seguinte apontava estabilidade do cenário positivo, com 59% das empresas projetando desempenho entre “bom” e “muito bom”.
Os resultados indicavam que, apesar das dificuldades observadas na economia naquele período, parte relevante da indústria de materiais ainda enxergava condições favoráveis para seus negócios.
72% das indústrias pretendiam investir
A intenção de investimento era um dos indicadores de maior destaque da pesquisa.
Segundo a Abramat, 72% das empresas de materiais de construção planejavam realizar investimentos nos 12 meses seguintes.
O então presidente da associação, Walter Cover, avaliava que a indústria mantinha uma postura positiva em relação aos investimentos de médio prazo, mesmo diante da ausência de novas medidas de incentivo e do baixo crescimento econômico.
O indicador mostrava uma diferença importante entre a percepção das empresas sobre seus próprios investimentos e as expectativas em relação às políticas governamentais para o setor.
Otimismo com ações do governo caiu de 35% para 26%
Enquanto a intenção de investimento permanecia elevada, a confiança em relação às ações governamentais apresentou deterioração.
A parcela das empresas otimistas com medidas do governo para estimular o setor nos 12 meses seguintes caiu de 35% para 26% entre maio e junho.
Isso representa uma redução de 9 pontos percentuais no indicador.
Segundo Walter Cover, dois fatores contribuíam para essa percepção: o atraso nas obras de infraestrutura e a indefinição sobre a continuidade das medidas de desoneração direcionadas ao setor.
Entre as medidas mencionadas estavam a desoneração do IPI e da folha de pagamentos.
Capacidade instalada permaneceu em 81%
Outro indicador acompanhado pela Abramat era o nível de utilização da capacidade instalada da indústria de materiais de construção.
Em junho, o índice permaneceu em 81%, mesmo patamar registrado em abril e maio.
A estabilidade mostrava que, durante três meses consecutivos, pouco mais de quatro quintos da capacidade produtiva das empresas pesquisadas permaneciam em utilização.
Infraestrutura influencia cadeia de materiais de construção
A preocupação manifestada naquele período com os atrasos em obras de infraestrutura evidencia a relação entre o ritmo dos investimentos em construção e a demanda pela produção de materiais.
Grandes projetos de infraestrutura movimentam diferentes segmentos fornecedores da cadeia da construção e, por isso, mudanças no ritmo das obras podem afetar as expectativas da indústria.
A sondagem da Abramat registrava justamente esse contraste: 72% das empresas planejavam investir, enquanto apenas 26% demonstravam otimismo com as ações governamentais para o desenvolvimento do setor.
Os números oferecem um retrato da percepção empresarial da indústria de materiais de construção naquele momento e devem ser interpretados dentro do contexto econômico em que a pesquisa foi realizada.
Fonte histórica: Padrão, com dados da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat).




