“Cada material que você recicla e retorna para o ciclo produtivo, para a fabricação de um novo produto, você deixa de extrair uma matéria-prima virgem”, disse o gerente-executivo da Green Eletron, Ademir Brescansin, durante a comemoração dos dez anos da empresa. O encontro, focado em logística reversa, educação ambiental e sustentabilidade, aconteceu na última quinta-feira, dia 22, no Senai Ipiranga, em São Paulo.
A cerimônia reuniu representantes do setor para discutir desafios da destinação de resíduos eletroeletrônicos, pilhas e baterias e o avanço da economia circular.
A Green Eletron conta com mais de 11 mil pontos de coleta em todos os estados brasileiros e acumula mais de 30 mil toneladas de eletroeletrônicos, pilhas e baterias coletadas. Os materiais recolhidos são encaminhados à reciclagem e ao reaproveitamento.
Em entrevista à revista O Empreiteiro, Brescansin destacou a educação ambiental como parte do trabalho da entidade. “Nós temos ações sobre o descarte correto de resíduos para conscientizar os jovens, que serão os futuros consumidores desses produtos. Nosso propósito é fazer com que eles entendam a importância de reciclar. Esse trabalho talvez seja um dos mais importantes para nós, porque não é simplesmente você coletar, mas conscientizar uma nova geração”, explicou o gerente, acrescentando a parceria com o Senai no projeto.
Para a Green Eletron, o principal desafio dos próximos anos é conscientizar a população de que os resíduos eletroeletrônicos, pilhas e baterias não são lixo comum. “Muita gente joga, principalmente, pequenos eletroeletrônicos, pilhas e baterias junto com o lixo comum. Quando isso acontece, a gente não consegue coletar e dar uma destinação correta. Então precisamos conscientizar a população da importância de se descartar em locais corretos”.
O evento também abordou o papel da indústria na ampliação dessas práticas. Larissa Malta, da Diretoria de Relações Institucionais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), afirmou que a entidade acompanha a aplicação das políticas públicas para o setor e participa das discussões sobre a revisão do decreto de logística reversa de eletroeletrônicos.
“Sabemos que já existe há alguns anos o decreto de logística reversa para eletroeletrônicos, assim como outros atos para pilhas e baterias. Então, toda atuação da CNI, especialmente a nossa, que coordena uma agenda de economia circular e resíduos sólidos é justamente compreender junto ao setor industrial quais pontos dessas políticas públicas a gente aperfeiçoar, levando um posicionamento consensuado no setor, perante o executivo e o legislativo”, explicou Malta, lembrando que a CNI também tem cadeira no Fórum Nacional de Economia Circular e coordena um grupo de trabalho de ambiente regulatório.
De acordo com Malta, pesquisas da Confederação indicam que seis em cada dez indústrias já adotam práticas de economia circular. No setor de equipamentos de informática e eletroeletrônicos, o índice chega a 86%. Entre as medidas estão logística reversa, manutenção, reparo e reciclagem. “A gente vai trabalhar ainda mais com isso, porque são as pesquisas que guiam a nossa atuação para desenvolver um plano de ação”.
Durante o evento, a Confederação distribuiu a cartilha “Economia circular, visão do consumidor”, com dados de hábitos de pós-consumo dos brasileiros. De acordo com o material, 72% dos consumidores raramente ou nunca retornam produtos para logística reversa. No entanto, 7 em cada 10 brasileiros veem de forma positiva marcas que investem em práticas de Economia Circular.



