Mais do que telemetria nas máquinas, é preciso ter interatividade

Na 2ª Edição do Innovation Day da CNH Industrial, realizado no último dia 26, em Curitiba (PR), Vilmar Fistarol, presidente da CNH Industrial para a América do Sul, destacou que o grupo investiu cerca de US$ 100 milhões em pesquisa, desenvolvimento, atualizações em produtos e serviços e patentes no continente, sendo boa parte no Brasil. No mundo, esse investimento chegou a US$ 1,1 bilhão em 2018. 

O executivo ainda informou que só no ano passado, a CNH Industrial depositou 63 novos pedidos de patentes no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), um aumento de 30% em relação a 2017. 

Neste evento de inovação da CNH Industrial realizado na capital paranaense, foram apresentadas diversas experiências, projetos e ações já em prática em empresas do grupo, inclusive no Brasil, onde inventivas ideias têm sido elemento fundamental de mudança. 

Na área de equipamentos, máquinas e caminhões, caminha a largos passos a digitalização, automação, eletrificação e biocombustíveis, mas identifica-se uma necessidade crescente da chamada servitização, que é a disponibilização da tecnologia com oferta de valor agregado em serviços pós-venda. 

“A inovação no segmento de construção está vinculada à conectividade dos equipamentos”, explica Humberto Lopes, diretor de desenvolvimento de produto e engenharia para equipamentos de construção na América Latina. Mas o executivo ressalta a importância de se entregar ao cliente mais do que a tecnologia em si. 

“Quando se fala de tecnologia embarcada, seja no Japão, Estados Unidos e Brasil, ela é a mesma. O produto já é aplicável, está disponível e pode ser usado”, diz. Ele acrescenta, no entanto, que os mercados é que determinam o uso da tecnologia, explicando que nos países desenvolvidos há uso grande de máquinas com motor eletrônico, o que já facilita, por exemplo, ter um controle tecnológico muito maior do equipamento. 

Telemetria 

Há um outro aspecto apontando por Humberto Lopes sobre a telemetria, que chegou forte no mercado de construção há cerca de quatro anos prometendo uma revolução na medição e na comunicação de dados da máquina com o seu proprietário.

“Quando se fala de telemetria, significa enviar dados. Agora o cliente não quer saber se se estes dados vão chegar via nuvem, satélite, smartphone, rede wi fi. A verdade, é que se descobriu que o cliente quer ver é algum valor nisso”, expõe.

“Transmitir dados sem entregar valor não serve para nada. Temos que separar os dados que servem para ele gerenciar diretamente o seu negócio e os outros os quais a gente fará a interação com ele. Só falar de telemetria sem interatividade com o cliente, sem criar network, a gente nunca vai conseguir gerar valor”.

Nessa linha, o diretor diz que a CNH tem agido fortemente. “O conceito antigo de telemetria não trouxe valor agregado. O foco inicial foi apenas transmitir dados”, ressalta.

Agora não: “Mantem-se os dados e trabalha-se pró-ativo com eles. Pode-se, por exemplo, avisar a hora que o cliente precisa fazer manutenção, trocar peça, e o custo disso. Já se diz até o preço para ele”.

Segundo Humberto, não se trata de uma relação fábrica-cliente de dizer apenas aquilo que pode ser de interesse da marca, mas ir além dos dados de produtividade que o cliente já está gerenciando de seus equipamentos, como, por exemplo, consumo de combustível e desempenho, e proporcionar-lhe mais eficiência operacional, com informações agregadoras ao seu dia-a-dia.

Esse modelo, de acordo com ele, é o caminho para usar a tecnologia a serviço do usuário. (Augusto Diniz – Curitiba-PR)

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