Metrô de São Paulo: expansão poderia ter 183,7 km hoje

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Por Nildo Carlos Oliveira

Há muitos anos, o Metrô de São Paulo já poderia contar com 183,7 km de extensão, caso os cronogramas anunciados ao longo das últimas décadas tivessem sido cumpridos. Em tempos de mudanças de gestão, tratar da pauta metrô segue sendo um desafio — não pela falta de informações técnicas, mas pela distância recorrente entre planejamento e execução.

Desde a instalação do primeiro piezômetro, na Avenida Prestes Maia, em 1968, a revista O Empreiteiro acompanha de perto a evolução das obras metroferroviárias paulistanas. O histórico revela uma sucessão de planos, projetos e prazos frequentemente revistos.


Planejamento, investimentos e comparação internacional

Em meados do ano passado, o governo do Estado divulgou que o metrô paulistano ultrapassaria 100 km de extensão, número que, somado aos cerca de 300 km da CPTM, resultaria em uma rede metroferroviária de aproximadamente 400 km. Para o período de 2011 a 2014, projetava-se um investimento de R$ 26,2 bilhões.

Ainda assim, mesmo se o sonho futuro de 183,7 km se concretizar, São Paulo continuará distante de redes como a da Cidade do México, que hoje conta com 465 km de metrô.


Linhas em obras: avanços e complexidades

Atualmente, há obras em curso nas Linhas 5 (Lilás), 6 (Laranja), 17 (Ouro), além das quatro estações complementares da Linha 4 (Amarela) — Higienópolis-Mackenzie, Oscar Freire, São Paulo-Morumbi e Vila Sônia. Essas estações fazem parte da segunda etapa da Linha 4 e concentram investimentos da ordem de R$ 1,8 bilhão.

O governo estadual mantém o plano de estender a Linha 4 da estação Vila Sônia até Taboão da Serra, adicionando cerca de 3 km ao sistema.


Linha 5 – Lilás: obra estratégica, mas atrasada

Projetada para ligar o Largo 13 (Santo Amaro) à Chácara Klabin, ao longo de 11,5 km, a Linha 5 conta com túneis escavados pelos métodos NATM e Shield, 11 estações, 13 poços, pátio de trens, estacionamento subterrâneo e subestação primária.

Prevista inicialmente para 2015, a conclusão foi adiada para 2016, quando deverá transportar cerca de 800 mil passageiros por dia. Apenas o trecho Capão Redondo–Chácara Klabin consumiu R$ 7,5 bilhões.

Três TBMs operaram a cerca de 30 m de profundidade, tecnologia introduzida no Brasil pela Camargo Corrêa ainda nos anos 1970. A obra envolve diversos consórcios, entre eles Camargo Corrêa–Andrade Gutierrez, Odebrecht–OAS–Queiroz Galvão e outros.


Linha 6 – Laranja: a “linha das universidades”

A Linha 6 (Laranja) é um dos principais projetos de Parceria Público-Privada (PPP) do metrô. As obras são conduzidas pelo consórcio Move São Paulo, formado por Odebrecht, Queiroz Galvão, UTC Participações e o fundo Eco Realty.

Com 15,9 km de extensão e 15 estações, a linha ligará Brasilândia à São Joaquim, atravessando bairros como Freguesia do Ó, Perdizes, Higienópolis e Bela Vista. O contrato, válido por 25 anos, soma R$ 8,9 bilhões, com financiamento do BNDES e aporte do Tesouro estadual.

A entrega está prevista para 2020, atendendo polos educacionais como PUC, Mackenzie, FAAP, Unip e FMU, com forte impacto na mobilidade urbana.


Monotrilhos: Linhas 15 e 17

A Linha 15 (Prata), monotrilho da Zona Leste, está sendo construída pelo consórcio Expresso Monotrilho Leste (Queiroz Galvão, OAS e Bombardier). Com 24,5 km e 17 estações, o primeiro trecho já está em operação. A capacidade estimada é de 40 mil passageiros/hora/sentido.

Leia também: Solaris atua na obra do monotrilho na Vila Prudente

Já a Linha 17 (Ouro), que ligará o Aeroporto de Congonhas à Linha 9 da CPTM, terá 21,5 km e 19 estações. Embora prevista para a Copa do Mundo, a entrega atrasou. Os trens operarão de forma totalmente automática, a até 80 km/h, sobre pilares de concreto a 15 m de altura.

As obras são executadas pelo consórcio TIISA/DP Barros, com investimento informado de R$ 182 milhões apenas na fase estrutural.


Linha 4 – Amarela: atraso nas estações complementares

As quatro estações complementares da Linha 4 seguem em ritmo lento. O consórcio espanhol Isolux-Corsán-Corvian atribui os atrasos à entrega de projetos executivos; o Metrô nega. Diante do impasse, o governo estadual anunciou nova licitação.

Com isso, os novos prazos indicam:

  • Higienópolis-Mackenzie e Oscar Freire: 2016
  • São Paulo-Morumbi: 2017
  • Vila Sônia: 2018

A concessionária ViaQuatro, responsável pela operação da linha, já investiu cerca de US$ 450 milhões e prevê novos aportes de até US$ 2 bilhões, condicionados à conclusão das obras civis.


Um sonho que insiste em permanecer

Apesar dos atrasos, revisões de cronograma e desafios técnicos, o metrô de São Paulo continua sendo o eixo estruturante da mobilidade urbana metropolitana. O desafio, como mostra a história, não está na engenharia — amplamente dominada — mas na capacidade de cumprir prazos e alinhar planejamento, financiamento e execução.


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