A MRV, empresa do grupo MRV&CO, está ampliando seu projeto de contratação de mão de obra prisional, iniciativa que promove oportunidades de trabalho e contribui para a ressocialização de pessoas privadas de liberdade. Segundo a Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Brasil possui atualmente 941.752 pessoas em cumprimento de pena. Desse total, 705.872 estão em celas físicas e 235.880 cumprem pena em regime domiciliar, com ou sem monitoramento eletrônico.
Nesse contexto, iniciativas que ampliam o acesso ao trabalho e à qualificação profissional são ferramentas importantes para reduzir a reincidência e apoiar processos de reinserção social. O projeto da construtora foi iniciado como um piloto em 2024, e o modelo está sendo expandido para diferentes regionais da companhia, que deverá abrir novas vagas ao longo do primeiro semestre de 2026.
Entre as novas frentes previstas está o município de Guarulhos (SP), onde serão disponibilizadas 30 vagas para atuação em duas obras da empresa. Ainda, outras localidades também devem iniciar o programa no mesmo período, como Sete Lagoas (MG), Joinville (SC), Blumenau (SC) e Belo Horizonte (MG).
Atualmente, o projeto já está em operação em Lagoa Santa (MG) e em Manaus (AM), onde o projeto começou com 15 participantes e atualmente já conta com 25 reeducandos, com estudos em andamento para ampliar o número para até 100 trabalhadores. A companhia também avalia a possibilidade de contratação formal, via CLT, após o cumprimento da pena, ampliando as oportunidades de reinserção profissional.
A iniciativa se soma a outras experiências da empresa no tema: em Ribeirão Preto (SP), por exemplo, a MRV mantém, há quase dois, anos uma fábrica instalada dentro de uma unidade prisional para produção de kits elétricos utilizados nas obras.
Processos
A seleção dos reeducandos é realizada pelos órgãos responsáveis pelo sistema prisional de cada estado seguindo critérios rigorosos de elegibilidade. Apenas pessoas condenadas por crimes de menor periculosidade podem participar, e normalmente são selecionadas quando falta cerca de um ano para o cumprimento total da pena.
Antes de iniciarem as atividades, os participantes passam por um processo de adaptação e capacitação para se familiarizar com as rotinas e práticas de segurança do trabalho. Durante a participação no programa, os reeducandos trabalham de segunda a sexta-feira e recebem uma bolsa-auxílio equivalente a 75% do salário-mínimo. A MRV também custeia transporte e alimentação.
Do valor da bolsa, 25% fica reservado para o próprio reeducando — liberado apenas após a liberdade —, 25% é destinado à família e outros 25% ao Estado. Durante o período em que o participante ainda está no sistema prisional, não há vínculo empregatício formal. Além disso, a legislação prevê que, a cada três dias trabalhados, um dia seja reduzido da pena, mecanismo conhecido como remissão.
Para Raphael Lafetá, diretor executivo de Relações Institucionais e Sustentabilidade da MRV&CO, iniciativas desse tipo reforçam o compromisso da companhia com impacto social positivo. “Nosso objetivo é contribuir para a ressocialização por meio do trabalho, oferecendo oportunidades reais de aprendizado e geração de renda. Ao mesmo tempo, buscamos ampliar o impacto positivo das nossas operações, alinhando nossas iniciativas aos compromissos de sustentabilidade e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU”, afirma.







