Mulher

A primeira mulher presidente do Brasil ou a primeira mulher no mundo a dirigir uma empresa do porte da Petrobras. E daí?  Teve ou tem mérito, deve ser natural e legítimo  que a mulher ocupe uma posição consentânea com a capacidade que tem revelado ao longo de uma trajetória profissional ou política. Exaltar o gênero à frente do mérito é desmerecer o mérito ou o esforço que proporcionou, à profissional, as condições para a conquista da capacidade que a função lhe exige.

Faço esse comentário lembrando as loas evocadas a propósito da escolha da engenheira Maria das Graças Foster para a presidência da Petrobras.  As loas foram tantas, que por algum momento o currículo da engenheira ficou em último plano ou então no esquecimento.  E, no entanto, é um currículo invejável. Ela trabalhou para essa conquista e dignificou as funções que exerceu ao longo de sua carreira, toda ela dedicada aos trabalhos na Petrobras, onde ingressou, como estagiária, ainda aos 24 anos e onde continua, passados mais de 30 anos de atividades exercidas ali dentro.

Formada em Engenharia química pela Universidade Federal Fluminense e mestre em engenharia de fluidos e pós-graduada em engenharia nuclear pela UFRJ, ela foi aluna exemplar, complementando o conjunto de seus conhecimentos cursando Economia   na FGV e jamais deixando de aplicar-se e de aprofundar-se em todos as matérias a que se dedicou.

Seria da maior imbecilidade, nos dias atuais, marginalizar-se uma profissional que alcançou esse nível, unicamente por causa do gênero. E, se como diretora executiva do setor de Gás e Energia da Petrobras, ela notabilizou-se em toda a America Latina pela qualidade do trabalho realizado, nada mais natural e elogiável que haja sido  escolhida para a presidência da mesma empresa, onde vai gerir um orçamento de  perto de US$ 224,7 bilhões até 2015.

O mérito não é uma consequência do gênero. Mas, muitos dos responsáveis pela máquina política, costumam inverter essa linha de pensamento na tentativa de que, agindo assim, seja mais fácil colocar em prática o seu poder de manipuação. Ou de bajulação.

Fonte: Nildo Carlos Oliveira

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