Concebido pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava, o Museu do Amanhã é um marco da engenharia moderna no Brasil. Erguido sobre o Píer Mauá, o edifício desafiou os limites do concreto armado e da estrutura metálica, utilizando soluções inovadoras para dar vida às suas curvas orgânicas inspiradas na flora brasileira.
Estrutura e desafios construtivos
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A execução, a cargo do consórcio Porto Rio (Odebrecht, OAS e Carioca Engenharia), enfrentou obstáculos únicos devido à geometria não linear do projeto:
- Concreto Fluido e Formas Únicas: Foram utilizados 15 mil m³ de concreto. A complexidade das curvas exigiu que cada fôrma de madeira fosse fabricada individualmente, sem repetição de seções lineares.
- Superestrutura Metálica: A cobertura e fachada somam 4,3 mil toneladas de aço. A montagem exigiu um pipe shop no canteiro e pórticos de 450 toneladas, retirados posteriormente por balsas via Baía de Guanabara.
- Fundações Independentes: Para não sobrecarregar o píer antigo, foram cravadas 2.500 estacas metálicas (tipo raiz e secantes), criando uma base autônoma para a edificação.
Inovação em sustentabilidade e certificação LEED
O projeto foi desenhado para ser um organismo vivo, integrando recursos naturais ao seu funcionamento, visando a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design):
- Energia Solar Dinâmica: A cobertura possui “asas” metálicas móveis com 6 mil placas fotovoltaicas. Elas se movimentam ao longo do dia para otimizar a captação solar, gerando até 200 KW.
- Climatização via Baía de Guanabara: A água da baía é captada para resfriar o sistema de ar-condicionado e alimentar os espelhos d’água, sendo devolvida filtrada ao mar.
- Gestão de Recursos Hídricos: Reservatórios no subsolo gerenciam água de chuva e reúso para irrigação e sanitários.
Detalhamento e dachada de vidro
A estética do museu é selada por uma fachada altamente técnica:
- Vitrais Irregulares: Composta por 908 peças de vidro únicas, com tratamento especial para controle térmico e de luminosidade.
- Testes de Estanqueidade: Devido à exposição direta à maresia e ventos da baía, os vidros (alguns pesando 400 kg) passaram por rigorosos testes de arrancamento.
Ficha técnica resumida
- Arquitetura: Santiago Calatrava (Concepção) / Ruy Rezende Arquitetura.
- Cálculo Estrutural: Flavio D’Alemberg (Projeto Alpha).
- Estrutura Metálica: Martifer.
- Área Construída: 15,3 mil m².
- Investimento: > R$ 200 milhões.




