Petrobras e Vale: Parceria na bacia do Espírito Santo e o impasse sobre o Pré-Sal

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Em um movimento estratégico para o setor de energia brasileiro, os então presidentes da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, e da Vale, Roger Agnelli, anunciaram uma parceria histórica para a exploração de petróleo e gás natural na Bacia do Espírito Santo.

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Apesar da união no bloco BM-ES-22, o encontro revelou uma divergência clara de visões sobre o futuro da camada pré-sal.

O Conflito de Interesses no Pré-Sal

Enquanto a Vale demonstrou forte apetite para ingressar nos investimentos da camada pré-sal, a Petrobras manteve uma postura cautelosa e restritiva.

  • Agnelli (Vale): “Nós vamos querer estar nisso também. Se a Petrobras for, eu quero estar de mãos dadas.”
  • Gabrielli (Petrobras): “Não há essa possibilidade.”

O principal entrave citado pela Petrobras na época foi a indefinição do marco regulatório. Com as novas regras de exploração ainda em estudo pelo governo, a estatal preferiu congelar qualquer nova parceria em áreas de pré-sal que não tivessem sócios já estabelecidos.


Estratégia da Vale: Gás Natural para Suprimento Próprio

Diferente da Petrobras, cujo foco é a comercialização global, o interesse da Vale no setor de hidrocarbonetos é predominantemente estratégico e operacional. A mineradora busca garantir o suprimento de suas próprias atividades:

  1. Pelotizadoras: A Vale é uma das maiores consumidoras mundiais de gás para o processamento de minério.
  2. Logística e Energia: Substituição de óleo combustível e diesel em usinas térmicas e locomotivas.
  3. Capacidade de Consumo: A empresa possui um potencial de uso de 6,5 milhões de metros cúbicos diários, mas na época operava com apenas 2 milhões.

Detalhes do Acordo: Bloco BM-ES-22

A parceria foca no bloco BM-ES-22, localizado ao norte da Bacia do Espírito Santo. Este bloco, originalmente operado 100% pela Petrobras, passou a ter a seguinte composição:

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  • Participação da Vale: Aquisição de 25% do bloco.
  • Investimento Previsto: A Vale anunciou investimentos de US$ 260 milhões em exploração de gás natural para o ano vigente (um salto significativo frente aos US$ 60 milhões de 2008).

Esta negociação marcou a primeira vez que as duas gigantes brasileiras realizaram uma transação direta de ativos exploratórios entre si, consolidando a Vale como um player relevante, ainda que “curioso”, no setor de petróleo.


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