Petrobras projeta zerar a importação de diesel no Brasil em cinco anos – atualmente o País importa cerca de 30% do consumo. Para isso, a estatal revisa sua estratégia de negócios e estuda ampliar produção para tornar o Brasil autossuficiente no combustível. Segundo a presidente da companhia, Magda Chambriard, a Petrobras avalia expandir sua capacidade para atender integralmente à demanda nacional. A estratégia foca ampliar o refino nas unidades em operação e na retomada da expansão da Rnest.
O plano de negócios vigente da estatal previa elevar a participação no mercado de diesel para cerca de 80% até 2030, mas agora considera a possibilidade de alcançar a autossuficiência. A nova diretriz foi impulsionada pelos efeitos da guerra no Irã, que elevou fortemente os preços do combustível – do início da guerra, em 28 de fevereiro, até 22 de março (dado mais recente), o preço do óleo diesel S10 subiu cerca de 23% no País. “Estamos revendo o plano de negócios para alcançar 100% do mercado de diesel em cinco anos. Atualmente, a Petrobras tem 70% do mercado e no plano atual, até 2030, projetamos chegar aos 80%”, disse Chambriard em entrevista à CNN.
Para alcançar o novo objetivo, a estratégia passa principalmente pela ampliação da capacidade de refino nas refinarias existentes, com destaque para a Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, e a Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro. A retomada das obras de ampliação da Abreu e Lima, suspensas desde 2015, integra esse esforço e deve adicionar cerca de 150 mil barris diários à capacidade nacional até o fim da década.
A Rnest, que teve as obras interrompidas em 2015, foi projetada para produzir 230 mil barris de diesel por dia, mas com ampliações e renovações chegará a 300 mil barris diários. O projeto de duplicar a capacidade da refinaria foi retomado em dezembro e envolve investimentos de R$ 12 bilhões, com previsão de conclusão em 2029. Já a Reduc, associada ao Complexo de Energias Boaventura (antigo Comperj), terá a capacidade aumentada dos atuais 240 mil barris por dia para cerca de 350 mil.
Além dessas unidades, a Petrobras também promove ajustes em outras refinarias, incluindo plantas em São Paulo, onde estão sendo feitas adaptações para reduzir a produção de derivados menos estratégicos, como o óleo combustível (usado em fornos, caldeiras e motores de turbinas de termelétricas) e priorizar a entrega de diesel.
A expectativa da empresa é que, ao aumentar a oferta de diesel, haja também crescimento na produção de gasolina, uma vez que ambos são obtidos a partir do refino do petróleo. “Diesel é o combustível mote do desenvolvimento nacional. A gente aumentando a produção de diesel, a gasolina vem junto, os dois principais produtos Petrobras”, afirmou Chambriard.
Paralelamente, a companhia busca ampliar a produção de gás natural – que já cresceu de cerca de 29 milhões para 50 milhões de metros cúbicos diários – como forma de aumentar a oferta e contribuir para a redução de preços no mercado interno. No plano de negócios atual, estão previstos cerca de US$ 20 bilhões em investimentos em refino, transporte e comercialização.







