Com investimento de aproximadamente R$ 12 bilhões, 12,4 km de extensão e 200 m de profundidade, a Ponte Salvador-Ilha de Itaparica está avançando nas obras da sua implantação sobre a Baía de Todos-os-Santos (BA).
Administrada pela Concessionária 2 de Julho, a ponte teve uma ampliação do vão central, que passou de 482 m para 682 m de extensão. Com essa mudança, anunciada em agosto, a Ponte Salvador-Itaparica passará a figurar entre as 25 maiores pontes estaiadas do mundo.
O acesso contará ainda com uma superestrutura mista de aço e concreto e duas torres estaiadas de 248 m de altura, em configuração de diamante, que serão construídas em 34 segmentos sucessivos com o uso de formas trepantes hidráulicas.
Com fluxo inicial estimado em 28 mil veículos por dia, a Ponte Salvador-Itaparica conectará Salvador à Ilha de Itaparica, perfazendo um sistema viário de 46,8 km. A obra vai proporcionar uma ligação mais curta e rápida entre a capital e as rodovias BR-101, BR-116 e BR-242, além de reduzir distâncias e o tempo de deslocamento, o que promete impulsionar o turismo e o desenvolvimento econômico do Recôncavo e do Baixo Sul da Bahia.
Além da ponte, conforme análises apresentadas pela concessionária, serão construídos novos acessos viários em Salvador e Vera Cruz. O empreendimento é fruto de uma Parceria Público-Privada (PPP) entre o Governo da Bahia e um consórcio chinês.
ENGENHARIA DA PONTE
O empreendimento já subcontratou 112 empresas, das quais 71 são baianas. Entre os diferenciais da obra, está a instalação de uma central de concreto entre os pilares P5 e P6, sendo produzido e fornecido diretamente na área de trabalho.
As fundações serão executadas com estacas metálicas de grande porte, utilizando tubos de aço cravados com o apoio de bate-estacas flutuantes, seguidos de escavação interna, instalação de armaduras pré-montadas e concretagem submersa. O gerenciamento integral da obra está sendo realizado por meio da metodologia BIM (Building Information Modeling).
Outra inovação é que uma plataforma de trabalho com tecnologia chinesa foi utilizada pela primeira vez na América Latina, funcionando como uma base operacional sobre o mar. A plataforma permite o deslocamento de equipes, equipamentos e materiais ao longo das frentes de serviço, acompanhando toda a extensão da ponte durante a construção e será desmontada ao final dos trabalhos. Esse método reduzirá em aproximadamente 70% a necessidade de embarcações de apoio.

A tecnologia já vem sendo utilizada em grandes empreendimentos na China, como a Ponte da Baía de Hangzhou, marcada por ventos fortes, ondas elevadas e correntes intensas. Nesse projeto, a plataforma possui 29,2 km de extensão, mais que o dobro da utilizada na Ponte Salvador–Ilha de Itaparica.
Outro exemplo é a Ponte de Liuheng, com 18,8 km de extensão, cuja plataforma opera há mais de dois anos sem registro de incidentes relacionados à segurança, ao meio ambiente ou a colisões com embarcações.
ESTRUTURA OPERACIONAL
A construção desse novo sistema de mobilidade conta com três grandes canteiros operacionais distribuídos entre São Roque do Paraguaçu, situado no município de Maragogipe, no Recôcavo Baiano; Jequitaia, em Salvador, e Vera Cruz, situado na Ilha de Itaparica.
Instalado em uma área de aproximadamente 400 mil m2, na estrutura de um antigo estaleiro, em São Roque do Paraguaçu, funciona o canteiro que abriga linhas de produção de componentes metálicos, além de etapas de pré-fabricação de estruturas da ponte, como aduelas e lajes.
Já o canteiro de Vera Cruz tem perfil operacional voltado às atividades executadas na Ilha de Itaparica. A estrutura é predominantemente modular, utilizando contêineres adaptados e sistema steel frame, permitindo futura desmobilização com menor impacto ambiental e operacional.
Em Salvador, o canteiro de Jequitaia, será principal base administrativa do projeto e centro de produção de materiais primários. Com cerca de 57 mil m2 de área operacional e píer próprio, o espaço contará com usina de concreto e central de armações de aço.
SOLDAGEM DE TUBOS DE AÇO E FABRICAÇÃO DE COMPONENTES
No canteiro de São Roque do Paraguaçu, no município de Maragogipe, avançam simultaneamente a soldagem dos tubos de aço, a fabricação das estruturas metálicas e a preparação dos componentes que serão transportados por via marítima até as frentes de trabalho na Baía de Todos-os-Santos.
Além das estacas metálicas, o canteiro produz diversos componentes que integrarão as plataformas de trabalho trabalho, como vigas de apoio, painéis metálicos, sistemas de contraventamento, pontos de ancoragem e outras peças fundamentais para as próximas etapas da construção.
Os tubos de aço, com diâmetros que chegam a 1.400 milímetros, são unidos por processos de soldagem. Após a fabricação, as juntas soldadas são submetidas a ensaios por ultrassom, capazes de verificar a integridade interna da solda, enquanto reforços e olhais de içamento recebem testes por líquido penetrante para identificar eventuais imperfeições superficiais. Caso qualquer desconformidade seja identificada, a solda é reparada e novamente inspecionada. Somente os componentes aprovados em todas as etapas do controle de qualidade são liberados para embarque.
BENEFÍCIOS E ACESSIBILIDADE
Além da própria ponte, serão construídos novos acessos viários em Salvador e Vera Cruz. Na capital, serão 4 km de uma nova estrutura entre a região da Calçada e Água de Meninos composta por um conjunto de viadutos e dois novos túneis que ficarão paralelos aos da Via Expressa. Já em Vera Cruz, o fluxo de veículos oriundos da ponte será direcionado para uma nova via expressa com 22 km que será construída na região de Mar Grande e segue até as proximidades de Cacha Pregos. Por fim, será duplicado um trecho de 8 km da BA-001 desde Cacha Pregos até o início da Ponte do Funil, onde finaliza a área de atuação da Concessionária.
Quando pronta, o novo acesso irá beneficiar 250 municípios, com destaque para aqueles do Recôncavo Sul, Baixo Sul e Região Metropolitana de Salvador. A previsão de conclusão da ponte é para 2031.




