Nos últimos três anos, o setor de engenharia e construção enfrentou a maior recessão de sua história no Brasil. A combinação entre crise econômica e instabilidade política impactou diretamente a quantidade de projetos que, de fato, saíram do papel nesse período.
Mesmo com a drástica redução das oportunidades, os custos operacionais das empresas se mantiveram elevados, enquanto a necessidade de capital de giro para iniciar novos projetos aumentou significativamente. Diante da criticidade do cenário, inclusive empresas tradicionais do mercado acabaram deixando de atuar, o que alterou profundamente a dinâmica do setor.
À frente da Reta Engenharia, observo que atualmente existe uma quantidade relevante de projetos em estágio avançado de maturidade, aptos a iniciar a fase de implantação em curto prazo. No entanto, ainda falta um fator determinante para destravar esses investimentos: o restabelecimento de um ambiente de negócios favorável, que ofereça aos investidores segurança jurídica e estabilidade econômica.
Apesar disso, é possível perceber que estamos migrando — ainda que de forma gradual — de um cenário de recessão profunda para um contexto que já apresenta sinais de retomada. Nesse processo, acredito que ocorrerá um reposicionamento natural das empresas do setor.
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As organizações que conseguirem atravessar esse período turbulento com:
- saúde financeira,
- manutenção de seu quadro técnico qualificado,
- fortalecimento da governança corporativa,
- e compromisso com ética, transparência e conformidade,
tendem a ser aquelas que encontrarão as melhores oportunidades de crescimento no novo ciclo.
Nesse sentido, entendo que, em um horizonte de três a cinco anos, será consolidada uma nova configuração do mercado brasileiro de engenharia e construção. Empresas com essas características ocuparão o espaço deixado por organizações que não conseguiram se adaptar às exigências desse novo contexto.
Outro movimento relevante será o surgimento de novas associações, parcerias estratégicas, fusões e aquisições, envolvendo empresas brasileiras e estrangeiras que disponham de capital de giro para financiamento de projetos. Essas alianças deverão combinar competência técnica, equipes qualificadas e sólidos princípios de governança.
Novas relações contratuais: foco no projeto, não apenas nas partes
Um ponto essencial para essa nova fase é a evolução do relacionamento entre empresas contratantes e contratadas. A tendência — e a necessidade — é a construção de relações contratuais mais equilibradas, com foco crescente no sucesso do projeto, e não apenas nos interesses individuais de cada parte.
Isso exige uma mudança de mentalidade: a valorização do empreendimento como um ativo comum, cuja responsabilidade passa a ser compartilhada a partir da assinatura do contrato. Quando todos os envolvidos assumem o projeto como seu, unindo esforços para conduzir a obra da melhor forma possível, os benefícios são claros — maior eficiência, menor risco e maior taxa de sucesso na implantação.
Esse modelo está diretamente relacionado ao nível de maturidade das empresas envolvidas e à capacidade de colaboração em ambientes complexos.
Tudo indica que o setor de engenharia e construção caminha para um novo momento. As empresas que utilizarem esse período de transição para:
- reestruturar processos,
- fortalecer práticas de governança,
- valorizar a ética e a transparência,
- e promover relações contratuais mais equilibradas,
estarão mais bem posicionadas para crescer de forma sustentável nos próximos anos.
O mercado não será o mesmo — e justamente por isso, as oportunidades também não serão.


