Enquanto países como o Brasil e nações árabes ainda tratam o Trem de Alta Velocidade (TAV) como uma promessa, a China já consolidou uma rede de 10 mil quilômetros. A expansão mais recente é uma obra de engenharia monumental: uma linha de 1.776 km que liga Lanzhou a Urumqi, subindo o platô tibetano e atravessando o deserto de Gobi.
Leia também: Ferrovia de alta velocidade Beijing-Shanghai começa a ser construída na China
Engenharia Extrema: Desafios nas Montanhas Qilian
A construção da linha em direção ao Tibete e Xinjiang enfrentou desafios topográficos sem precedentes:
- Altitudes Elevadas: Obras realizadas a mais de 3.600 metros de altitude.
- Geologia Instável: Túneis e pontes construídos em áreas sujeitas a tremores de terra frequentes.
- Clima Adverso: No deserto de Gobi, a força dos ventos obrigou a construção de túneis falsos de concreto para proteger os trens.
Estratégia, Política e Desenvolvimento Regional
Diferente das linhas que conectam megacidades como Beijing e Shenzhen, a rota para o oeste tem um forte componente estratégico:
- Integração Territorial: Reforça o domínio chinês sobre as regiões autônomas de Xinjiang e o Tibete.
- Desenvolvimento Imobiliário: Novas estações monumentais em Qinghai e Urumqi estão impulsionando o surgimento de complexos empresariais e residenciais.
- Logística de Cargas: Com o transporte de passageiros migrando para o TAV, a ferrovia antiga será liberada exclusivamente para o escoamento de carvão e minérios.
Comparativo: China vs. Mundo
A velocidade da implementação chinesa superou pioneiros como Japão, França e Alemanha. Em apenas cinco anos, a rede de alta velocidade chinesa tornou-se maior que a europeia, transportando hoje cerca de 2 milhões de passageiros diariamente.


