A Corredor Logística e Infraestrutura (CLI) avança com um amplo programa de modernização e expansão do terminal de açúcar e grãos no Porto de Santos (SP). O investimento totaliza R$ 565 milhões e permitirá um aumento de 2,5 milhões de toneladas na capacidade anual de movimentação, marcando uma nova fase para os terminais T16 e T19.
Atualmente, os novos shiploaders e correias transportadoras já estão em fase de montagem no porto, assim como as obras do novo edifício administrativo, com conclusão prevista até março. O projeto completo tem prazo de entrega até 2029.
Cinco frentes estruturam o projeto de expansão
A obra foi dividida em cinco grandes frentes:
- estanqueidade das correias aéreas;
- instalação de um novo shiploader, em substituição ao atual;
- implantação do centro de controle operacional;
- construção de um parque de moegas;
- e um novo armazém de alta capacidade.
Segundo Valquíria de Sousa Santos, PMO da CLI, todo o projeto deve ser concluído até 2029. “Hoje já estamos montando o shiploader no próprio cais da CLI. O Centro de Controle Operacional e Apoio, que está a cargo da Brasil ao Cubo, será entregue em março de 2026”, afirma.

Construção em área portuária impõe desafios técnicos
A execução das primeiras etapas ocorre em meio a desafios típicos de obras no maior porto da América Latina. “Os obstáculos são grandes, considerando que se trata do segundo pior solo do mundo. A fundação é o maior entrave de qualquer construção nesse local”, explica Valquíria Santos, destacando que as intervenções avançam apoiadas em um processo regulatório já superado.
Outro desafio é realizar as obras sem interromper a operação do terminal. “Não podemos gerar paradas, pois isso impactaria diretamente os clientes. Além disso, a segurança é um ponto crucial”, afirma Cristiane Lunardi, diretora de Tecnologia e Engenharia da CLI. Para isso, a empresa implantou um programa robusto de Segurança do Trabalho, envolvendo equipes próprias e terceirizadas.

de Tec. e Eng. da CLI
A convivência com áreas vizinhas e o fluxo intenso do porto exige uma governança ágil. A CLI adotou uma estrutura de trabalho mais horizontal, unificando as áreas de engenharia e tecnologia, com equipes multidisciplinares que discutem status, desafios e decisões de forma colaborativa, garantindo maior flexibilidade e redução de desvios.
Modernização amplia capacidade com menor impacto ambiental
Com capacidade de 2,5 mil toneladas por hora, o novo shiploader incorpora a tecnologia Dust Hazard Suppressor (DHS), da TMSA, que reduz significativamente a emissão de particulados. A instalação final no cais da CLI está prevista para março de 2026.
A substituição das correias transportadoras segue conforme o cronograma. De acordo com Valquíria Santos, a tecnologia empregada representa um avanço operacional e ambiental. “Cerca de 90% do projeto é voltado à redução de particulado no porto. Serão mais de dois quilômetros de correias novas, com a troca de todas as correias aéreas por sistemas semi-enclausurados”, afirma.
O gerente executivo de Projetos da CLI, Marcelo Zucon, reforça que a modernização busca maior estanqueidade do terminal. As novas correias possuem característica construtiva semi-enclausurada, eliminando a exposição das partes rodantes e do produto transportado. “Sistemas de filtros automatizados aspiram todo o pó gerado internamente, impedindo sua liberação no meio ambiente”, explica.

ex. de Projetos da CLI
A infraestrutura das novas correias está sendo instalada pela Zortea, com gerenciamento em parceria com a LPC Latina.
Novo parque de moegas e armazém ampliam estocagem
Além das correias, o projeto prevê a implantação de um parque de moegas com quatro pontos de descarga de caminhões e um novo armazém graneleiro, que ampliará a capacidade de estocagem para 100 mil toneladas. Outro armazém existente passa por reformas para correção de limitações de altura.
As obras finais do parque de moegas e do novo armazém estão previstas para 2027.
Especializada em infraestrutura e logística portuária para o agronegócio, a CLI é um dos 11 operadores de granéis sólidos vegetais do Porto de Santos e administra o maior complexo açucareiro do mundo, com 42% de participação no porto. Além do açúcar, o terminal também embarca soja e milho das regiões Centro-Oeste e Sudeste.
Com a modernização, a companhia prevê elevar a movimentação anual de 15 milhões para cerca de 18 milhões de toneladas até 2029.




