Unidade de Hidrodessulfurização da Refap reduz enxofre e enfrenta desafios climáticos

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A implantação da Unidade de Hidrodessulfurização de Nafta Craqueada (UHDS) na Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), em Canoas (RS), representa um avanço relevante no atendimento às exigências ambientais nacionais e internacionais para a redução das emissões de enxofre. O empreendimento está sendo executado para a Petrobras pelo Consórcio HDS Skanska Promon, no modelo EPC (Engineering, Procurement and Construction).

Iniciado em junho de 2009, o contrato tem previsão de conclusão em novembro de 2010, embora o cronograma venha sendo fortemente impactado pelo elevado índice de chuvas registrado na região.


Escopo do contrato EPC da UHDS

O contrato contempla um conjunto amplo de serviços, incluindo:

  • Elaboração do projeto executivo
  • Fornecimento de materiais e parte dos equipamentos
  • Construção civil
  • Montagem eletromecânica
  • Preservação, condicionamento e comissionamento
  • Testes, pré-operação, partida e operação assistida
  • Assistência técnica e treinamentos

Além da UHDS (U-0311), fazem parte do escopo:

  • Unidade de Dietanolamina V (UDEA V – U-0316)
  • Unidade de Águas Residuais V (UAR V – U-0317)
  • Subestação SE-8039
  • Interligações com a subestação e a Casa de Controle Local (CCL-1175)

Atualmente, o consórcio encontra-se em fase de captação e tabulação de propostas para diversos fornecimentos, com destaque para:

  • Andaimes
  • Isolamento térmico e refratários
  • Fire proofing
  • Calibração de instrumentos e relés
  • Ensaios de ultrassom
  • Limpeza química
  • Testes de válvulas
  • Soldagem em PEAD (Polietileno de Alta Densidade)

Complexidade construtiva e montagem vertical

Diversos fatores tornam a obra altamente complexa, entre eles:

  • Execução da construção civil em período de chuvas intensas
  • Serviços subterrâneos, como drenagens, envelopes, redes de incêndio, bases e fundações
  • Montagem eletromecânica vertical, com grande movimentação e elevação de cargas
  • Logística entre múltiplas equipes disciplinares e o Pipe Shop, localizado fora do site
  • Volatilidade do projeto executivo, em função de ajustes solicitados pelo cliente
  • Escassez de profissionais qualificados no mercado e necessidade de capacitação da mão de obra local

Para reduzir riscos aos trabalhadores e aumentar a produtividade, o consórcio adotou soluções construtivas industrializadas, como o uso de peças pré-moldadas na construção civil.


Pré-montagem reduz riscos e custos operacionais

Na montagem eletromecânica, as torres serão totalmente pré-montadas no piso, incluindo:

  • Equipamentos
  • Plataformas
  • Isolamento térmico ou pintura
  • Sistemas elétricos e de instrumentação
  • Tubulações

Somente após essa etapa, os conjuntos serão içados e instalados em suas bases definitivas. Estratégia semelhante foi adotada para a estrutura metálica e os cable trays do Pipe Rack, montados no solo antes da elevação a cerca de 15 metros de altura, reduzindo o uso de andaimes e a exposição ao risco.

Leia também: Pipe rack do Comperj, uma estrutura de 39 mil t projetada e montada em 30 meses

Essas medidas resultaram em:

  • Redução de cerca de 15% na demanda de recursos humanos
  • Diminuição aproximada de 10% nos custos operacionais

Chuvas afetam produtividade e prazos

Um dos principais entraves ao avanço físico da obra tem sido o regime de chuvas. Entre julho, agosto e setembro, dos 75 dias possíveis de trabalho, 45 dias foram perdidos em função das chuvas e de seus efeitos, permitindo o aproveitamento de apenas 30 dias úteis.

A fase de montagem eletromecânica, prevista para iniciar em novembro, é considerada crítica, tanto pelo impacto das condições climáticas quanto pelos riscos inerentes à execução vertical.

Atualmente, o canteiro conta com cerca de 940 trabalhadores, entre mão de obra direta, indireta e subcontratada, com previsão de contratação adicional de 140 profissionais para a construção civil.


Gestão ambiental e reaproveitamento de solo

A implantação da nova unidade exigiu a remoção de aproximadamente 30 mil m³ de solo. Inicialmente, o material seria destinado a um aterro industrial homologado pela Fepam, mas após análises técnicas com apoio da Cetesb e da própria Fepam, o solo foi classificado como inerte.

Com isso, passou a ser utilizado na recuperação de áreas degradadas, reduzindo impactos ambientais e custos logísticos.


Sistemas de gerenciamento integrados ao projeto

O acompanhamento do empreendimento é realizado por meio de diferentes sistemas de gestão, acessados diariamente pela Petrobras:

  • Gitec – Gerenciamento da integração, tempo, escopo e custo (convênio Petrobras–Abemi)
  • SPM – Skanska Project Management – Avaliação de produtividade, quantitativos e custos
  • SGC – Sistema de Gerenciamento do Condicionamento, da Petrobras
  • Controltub – Controle da fabricação e montagem de tubulações

Essas ferramentas garantem maior transparência, rastreabilidade e controle das etapas do projeto EPC.

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Projetos de responsabilidade social

O consórcio também desenvolve ações de responsabilidade social, já em implantação no canteiro, entre elas:

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  • Clique Sabendo – Programa de inclusão digital
  • Centro Ecumênico – Espaço para encontros e eventos religiosos
  • Costura Solidária – Confecção de uniformes por esposas de trabalhadores
  • Programa Alfabeto – Ensino básico em parceria com o Sesi

As iniciativas reforçam o compromisso social do empreendimento junto às comunidades e aos trabalhadores envolvidos na obra.


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