Segundo estudos da Universidade de São Paulo (USP), a aplicação do RAP (Reclaimed Asphalt Pavement ou material fresado) pode reduzir de 27% a 50% as emissões de carbono na atmosfera durante seu ciclo de vida em comparação com a mistura asfáltica convencional.
Atenta a esses benefícios e às mudanças climáticas, a Stratura, empresa do Grupo Fiord Capital, apresentou dois cases que abordam o uso de materiais alternativos na pavimentação asfáltica e um debate sobre o uso de misturas mais adequadas às temperaturas brasileiras para as pistas de aeroportos.
Os temas foram abordados neste segundo dia do Congresso de Infraestrutura e Construção, a Paving Conference, que ocorre dentro da Paving Expo, de 22 a 24 de outubro, no Expo Center Norte, em São Paulo.
O Gerente de Soluções em Engenharia, Emerson Maciel, e a Especialista em Pavimentação Asfáltica, Larissa Montagner de Barros, participaram da palestra “MicroRap 100% Fresado: Inovação Sustentável com Análise do Ciclo de Vida do Carbono”. Neste painel, foi demonstrado o uso do RAP , em um trecho de 600 metros da Rodovia Antônio Machado Sant’Anna (SP-255), próximo ao município de Araraquara (SP).
O projeto, feito em parceria com a Concessionária Via Paulista (Concessão do Grupo ARTERIS), com a empresa Garcia Monteiro e com a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), usou, pela primeira vez, 100% do asfalto reciclado (RAP) na composição do MRAF no Brasil.
De acordo com o Diretor da Stratura, Fabiano Bueno, o uso do material fresado vem crescendo nos últimos anos no Brasil, contando com mais investimentos das concessionárias e de empresas do setor. “A preocupação com o ESG tem feito o mercado se voltar para o uso de materiais alternativos, buscando soluções mais sustentáveis e priorizando a economia circular”, comentou.
Segundo Emerson Maciel, o RAP, que é o revestimento asfáltico retirado das rodovias que necessitam de reparos, passou a ter um uso mais nobre, o que favorece a sustentabilidade. Para isso, são necessários investimentos desde a fresagem (retirada do revestimento asfáltico) até o tratamento da mistura com uso de emulsões especiais.
“Para este trecho experimental da SP-255, realizamos testes com diferentes incorporações do material fresado e todos demonstraram um comportamento semelhante ao agregado virgem, comprovando o uso eficiente do RAP”, explicou Maciel.
Na segunda mesa-redonda, os especialistas da Stratura falaram sobre “Como Pensar o Dimensionamento de Pavimentos Aeroportuários para Condições Climáticas do Brasil”. A Stratura está iniciando um estudo, em parceria com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), para determinar misturas asfálticas que sejam mais adequadas para as pistas de pouso e decolagem dos aeroportos brasileiros.
“Em geral, temos uma padronização de projetos aeroportuários que utilizam softwares internacionais, sem levar em conta as variações de temperatura que ocorrem nos estados Brasileiros, por exemplo. O objetivo é demonstrar, primeiramente em laboratório, ligantes e misturas asfálticas mais adequadas para garantir desempenho, aderência e durabilidade nas pistas aeroportuárias”, explicou Larissa Montagner.
Fechando o dia, ainda foi apresentada a palestra sobre “O Uso do GreeFlex em Misturas Recicladas com 25% RAP”. A técnica foi aplicada em um trecho experimental no Km 563 da Rodovida Comandante João Ribeiro de Barros (SP- 294), em Parapuã (SP) em parceria com a Eixo SP Concessionária de Rodovias S.A.
De acordo com Maciel, foram mais de seis meses desde a pesquisa e análise do fresado e dos agregados virgens, até o desenvolvimento do novo ligante modificado com plástico pós consumo reciclável (PCR). A mistura aplicada contou com 25% de fresado e 75% de agregado virgem.
“Após pesquisas, desenvolvimento e estudos de dosagens e performances realizados, conseguimos um produto que apresenta uma solução de engenharia puramente sustentável”, comentou Maciel.