Via Mangue no Recife (PE) incorpora soluções em concreto

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A Via Mangue é uma das maiores obras de infraestrutura viária urbana executadas no Recife nas últimas décadas. Com 5.630 metros de extensão no sentido centro–sul e 4.640 metros no sentido sul–centro, o empreendimento levou 13 anos para ser concluído e foi oficialmente entregue em janeiro deste ano.

Concebida para melhorar a fluidez do tráfego na zona sul da capital pernambucana, a Via Mangue representa um marco de engenharia urbana integrada a áreas ambientalmente sensíveis.

Desafogo do tráfego em corredores estratégicos

O principal objetivo do projeto foi desafogar três das mais importantes e congestionadas avenidas da região de Boa Viagem e Pina:

  • Avenida Domingos Ferreira;
  • Avenida Conselheiro Aguiar;
  • Avenida Boa Viagem, à beira-mar.

A nova via criou uma alternativa expressa, sem semáforos, para os deslocamentos entre o centro e a zona sul, reduzindo tempos de viagem e redistribuindo o fluxo de veículos.

Traçado sobre área de mangue e soluções ambientais

Implantada às margens do Parque dos Manguezais, boa parte da Via Mangue foi construída sobre área de manguezal, o que exigiu soluções construtivas diferenciadas e rigorosos cuidados ambientais.

A seção viária conta com:

  • duas faixas de tráfego e acostamento no sentido centro–sul;
  • três faixas de tráfego no sentido sul–centro, dimensionadas para permitir entrada e saída seguras de veículos pelas cinco vias de conexão com os bairros do entorno.

O projeto possui apenas um ponto de retorno, priorizando fluidez e segurança operacional.

Mobilidade ativa integrada ao projeto

A Via Mangue também incorporou soluções voltadas à mobilidade ativa. Ao longo do sentido sul–centro foram implantados:

  • ciclovia com 2,40 metros de largura;
  • passeio para pedestres com 3 metros de largura.

Esses elementos reforçam o caráter multifuncional da obra, integrando transporte motorizado, cicloviário e pedonal.

Engenharia estrutural diversificada

O projeto executivo foi desenvolvido pela JBR Engenharia, enquanto a execução das obras ficou a cargo da Queiroz Galvão.

Entre os principais destaques técnicos da obra está a diversificação das soluções estruturais, adotadas conforme as condições geotécnicas e ambientais do traçado. Foram utilizados:

  • fundações em estacas metálicas;
  • fundações em concreto protendido;
  • lajes de concreto, totalizando 2.308 m de extensão e 69.880 m² de área;
  • estruturas em balanços sucessivos (220 m – 5.561 m²);
  • trechos com estrutura estaiada (92 m – 3.335 m²);
  • estruturas convencionais (4.097 m – 32.420 m²).

Leia também: Obras de arte: Madeira, estrutura metálica e concreto protendido

No total, a Via Mangue soma 6.717 metros de obras em concreto, com uma área construída de 111.196 m², evidenciando a complexidade técnica do empreendimento.

Impacto social e reassentamento urbano

Além dos desafios técnicos e ambientais, o projeto teve forte impacto social. Segundo a projetista, cerca de 1.000 famílias de baixa renda foram reassentadas em três conjuntos habitacionais localizados no entorno da obra, como parte do processo de requalificação urbana associado ao empreendimento.

Investimento público e legado urbano

A Via Mangue foi um empreendimento da Prefeitura do Recife, com custo total de R$ 431 milhões. A obra se consolida como um legado estruturante para a mobilidade urbana, ao mesmo tempo em que exemplifica os desafios contemporâneos da engenharia em áreas densamente urbanizadas e ambientalmente sensíveis.


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