A areia descartada de fundição (ADF), proveniente do processo de moldagem e macharia de fundição, apresenta composição majoritariamente sílica, com granulometria controlada e ausência de contaminantes perigosos, o que a torna um substituto técnico viável para a areia natural. Assim, em vez de ser descartada em aterros, a ADF passou a ser tratada como insumo construtivo, contribuindo para a redução de passivos ambientais e para o fortalecimento da economia circular na cadeia metalúrgica.
A solução de uso da areia descartada de fundição como insumo alternativo em obras de infraestrutura, substituindo agregados naturais por resíduos industriais, reduz a extração de recursos naturais; diminui emissões de CO₂ associadas ao transporte e evita o descarte de resíduos industriais em aterros.
O recurso foi aplicado no Aeropark Vale Europeu, em Guaramirim (SC), uma das maiores infraestruturas aeroportuárias privadas do Sul do Brasil, com a participação efetiva da consultoria Nova Era Soluções Ambientais.
A avaliação e validação à viabilidade do uso de areia descartada de fundição como material de engenharia nas camadas de base, sub-base e reforço de subleito de pavimentos aeroportuários demonstraram adequação técnica e ambiental para obras de alta performance.
COMO O PROJETO FOI EXECUTADO
Para dar início à viabilidade, foram realizados testes de granulometria, compactação Proctor (determina qualidade do solo compactado) e suporte Califórnia (mede capacidade do solo), que indicaram valores de resistência equivalentes ou superiores aos obtidos com solos arenosos tradicionais utilizados em obras aeroportuárias.
De acordo com os ensaios, a ADF apresentou massa específica seca máxima entre 1,76 e 1,80 g/cm³ e umidade ótima de 5,3%, com Índice de suporte Califórnia variando entre 13% e 15%, atendendo plenamente aos parâmetros de base e sub-base definidos pelas normas.
Assim, foi feita a aplicação em campo que mostrou comportamento estável, boa trabalhabilidade, elevado grau de compactação e resistência mecânica sob cargas repetitivas, evidenciando sua confiabilidade como material de engenharia.
O projeto foi estruturado a partir de um modelo colaborativo de inovação aberta, reunindo a indústria de fundição, instituições de pesquisa e órgãos ambientais em uma governança compartilhada. Esse ecossistema de conhecimento permitiu integrar conhecimentos técnicos e científicos, consolidando uma metodologia replicável para outras obras de infraestrutura.
A empresa atuou não apenas como executora técnica, mas como articuladora entre os diferentes agentes da cadeia produtiva, garantindo a coerência entre viabilidade técnica, segurança ambiental e aplicabilidade econômica.
Os resultados alcançados demonstram benefícios concretos em múltiplas dimensões. Do ponto de vista ambiental, o projeto evitou o envio de grandes volumes de resíduos para aterros, preservando recursos naturais e reduzindo a necessidade de extração de areia virgem em cerca de 100 mil toneladas por ano.
No aspecto econômico, a utilização da ADF reduziu os custos com disposição final e transporte, gerando uma economia estimada de R$ 5 milhões durante os três primeiros anos da execução das obras aeroportuárias, além de representar uma oportunidade para as fundições locais diminuírem seus passivos ambientais e investirem em inovação.
AEROPARK VALE EUROPEU
O Condomínio Aeronáutico Aeropark Valeu Europeu é um aeroporto privado já em operação, que possui uma pista de 1.200 metros de comprimento por 23 metros de largura. Voltado para a aviação executiva, o aeródromo também atende a ultraleves e helicópteros. O local oferece 187 lotes para hangares. Empresas envolvidas: Viasan Engenharia, Pime Engenharia, Tecvia Engenharia e Pavimentação e Engprado.




