Com intuito de tornar o monitoramento físico de obras de infraestrutura mais preciso, rápido e confiável, a Dois A Engenharia desenvolveu o SIGEO (Sistema de Gerenciamento Espacial de Obras). O sistema integra aerolevantamento por RPAs (Remotely Piloted Aircrafts), equipados com sensores LiDAR de alta precisão e GNSS com correção RTK/PPK, permitindo a geração de produtos geoespaciais com nível elevado de exatidão. Os dados gerados alimentam dashboards de gestão que correlacionam planejado versus executado em serviços como supressão vegetal, terraplenagem, drenagem, sub-base e base, oferecendo indicadores objetivos para tomada de decisão. Além do controle executivo, o SIGEO atende áreas de segurança e meio ambiente, com produtos voltados ao controle de jazidas, monitoramento de supressão vegetal e identificação de áreas de risco. Ao substituir métodos topográficos convencionais, a solução reduz tempo de campo, custos operacionais, riscos aos trabalhadores e impactos ambientais, agregando valor técnico e econômico aos empreendimentos.
SOBRE O PROJETO E SEU FUNCIONAMENTO
Segundo a equipe da Dois A Engenharia, o SIGEO nasceu da necessidade de aprimorar o monitoramento do avanço físico de obras de infraestrutura. Em projetos de média e grande escala, por exemplo, a medição volumétrica da movimentação de terra ainda depende, em grande parte, da topografia convencional — um processo suscetível a imprecisões, demorado e que frequentemente não acompanha o ritmo das frentes de serviço. Para a empresa, essa limitação afeta o controle de custos, compromete o planejamento e reduz a capacidade de reação da gestão da obra frente a desvios operacionais.
Buscando superar esse desafio, a Dois A desenvolveu o SIGEO, uma solução integrada que combina aerolevantamento por RPAs, processamento fotogramétrico avançado e análise geoespacial voltada ao acompanhamento físico e multidisciplinar da obra. A inovação está no uso estruturado de plataformas aéreas equipadas com sistema LiDAR de alta precisão e receptores GNSS multiconstelação com correção RTK ou PPK, alcançando acurácia centimétrica e eliminando a dependência de levantamentos morosos ou sujeitos a erro humano.
O processo técnico inicia-se com a realização de voos sistemáticos sobre as frentes de serviço, seguindo malhas de sobreposição otimizadas para geração de nuvens de pontos densas e de alta qualidade. O emprego de sensores LiDAR permite capturar retornos múltiplos, perfurando parcialmente dosséis vegetais e identificando com fidelidade o relevo real, mesmo em áreas com geometria complexa. A correção cinemática (RTK/PPK) garante alinhamento rigoroso ao sistema geodésico do projeto, reduzindo a necessidade de extensas redes de apoio e acelerando a periodicidade semanal das campanhas.
A partir dos dados coletados, o SIGEO gera produtos essenciais: MDT (Modelo Digital do Terreno), MDS (Modelo Digital da Superfície), ortomosaicos em alta resolução, análises hidrológicas e, especialmente, nuvens de pontos com classificação satisfatória dos alvos, separando solo exposto, vegetação, estruturas, água, taludes e elementos lineares. Essa classificação permite interpretações técnicas confiáveis, fundamentais para calcular volumes de corte e aterro, validar o avanço físico e identificar inconsistências topográficas.
A solução não beneficia apenas o setor de engenharia. O SIGEO amplia sua aplicação para outras áreas, gerando produtos específicos como: Mapas de controle de extração de jazidas, verificando cotas de exploração e conformidade com licenças;
Monitoramento de áreas de supressão vegetal, quantificando limites executados e confrontando com autorizações ambientais;

Mapeamento de áreas de risco, incluindo instabilidade de taludes, erosões e processos hidrológicos relevantes para segurança operacional.
Com modelos 3D atualizados semanalmente, o SIGEO executa cubações volumétricas precisas e alimenta dashboards. Esses painéis trazem indicadores de avanço, curvas de progresso, projeções de conclusão, alertas de desvios e séries históricas que aprimoram o planejamento. “Assim, gestores conseguem tomar decisões com base em informações atualizadas e espacialmente consistentes”, acrescentou a equipe, selecionada com o projeto pelo Juri Independente do 7º Prêmio InovaInfra, da revista O Empreiteiro.
RESULTADOS E VANTAGENS
De acordo com a Dois A, os ganhos com o SIGEO são expressivos: redução de incertezas na medição de volumes, maior transparência contratual, eliminação de disputas por divergência topográfica, aceleração de ciclos de faturamento e replanejamento mais assertivo. O acompanhamento semanal oferece uma visibilidade inédita em obras de infraestrutura, permitindo ajustar recursos, redistribuir equipes, antecipar gargalos e mitigar riscos com base em dados objetivos.
No contexto da inovação, a empresa destaca que o sistema substitui medições esparsas e manuais por um sistema integrado, automatizado e espacialmente contínuo. Combinando RPAs, LiDAR, geoprocessamento e gestão, o SIGEO redefine o padrão de controle físico em projetos de infraestrutura. “O SIGEO consolida-se, assim, como uma inovação estratégica para projetos de energia renovável, promovendo eficiência, governança territorial e uso responsável dos recursos naturais”, frisou a equipe autora do projeto.




